A Receita do Sucesso nos Negócios
Por Jerônimo Mendes
08/12/2008
Durante os últimos anos tenho dedicado boa parte do meu tempo para pesquisar e
entender o universo corporativo sob dois pontos de vista diferentes: o dos
empregados e o dos empregadores. As razões que distinguem os colaboradores
bem-sucedidos dos empresários bem-sucedidos são convergentes e, de certa forma,
possuem motivações semelhantes. Ambos os lados exigem disciplina, otimismo,
persistência, determinação, planejamento, estratégia, sentido de realização e
uma vontade inabalável de prosperar.
Embora os colaboradores sejam importantes na construção do sucesso das empresas,
poucos empresários têm humildade para reconhecer o fato ou para atribuir parte
do mérito aos que participaram do processo de consolidação do negócio desde o
início. Contudo, leva tempo para construir um nome e consolidar um
empreendimento, não menos do que 5 a 10 anos de considerável esforço e
aprendizado constante.
As razões que separam os que prosperam daqueles que não conseguem ir além do
terceiro ou quarto ano de vida são muito claras. Para fundamentar melhor o
conceito de sucesso empresarial, vale a pena resgatar a trajetória de algumas
personalidades que transformaram a história econômica de seus países e, por
conseqüência, a sua própria história.
Soichiro Honda passou a infância ajudando o pai na oficina de bicicletas e, aos
15 anos, sem o benefício de uma educação formal, viajou para Tóquio em busca de
trabalho. Embora tenha arranjado emprego como aprendiz em uma oficina mecânica,
acabou mesmo trabalhando como babá na casa do proprietário. Decepcionado,
retornou para casa e, 6 meses depois, foi chamado de volta. Desta vez,
permaneceu 6 anos trabalhando como mecânico de automóveis até retornar novamente
para casa e montar a sua própria oficina, aos 22 anos de idade.
Em 1936, após ter sofrido um grave acidente numa corrida de carros, sua esposa
convenceu-o a abandonar o hobby, quando passou a concentrar energia nos negócios
e fundou a Tokai Seiki Heavy Industry, fabricante de anéis de pistão. Em 1937,
ainda constrangido pela falta de um diploma, matriculou-se na Hamamatsu School
of Technology, porém revelou-se um péssimo aluno. Honda tinha pouco interesse
nas aulas de engenharia que não envolvessem anéis de pistão e, acima de tudo,
recusava-se a tomar nota da matéria e a fazer os exames escritos. Convidado a se
retirar da escola, Honda decidiu fazer fortuna à sua maneira.
Ao lado de Konosuke Matsushita, Akio Morita e Eiji Toyoda, Soichiro Honda
tornou-se um dos maiores industriais do Japão, segundo Daniel Goleman, ao
transformar um hobby em uma empresa de sucesso que produz uma das melhores
motocicletas do mundo. Para Soichiro Honda, “o sucesso só poderia ser atingido
por meio de repetidos fracassos e da introspecção. Na verdade, o sucesso
representa aquele 1% de seu trabalho combinado com 99% de ações denominadas
fracassos.”
A ideologia de Masaru Ibuka definida no início da história da Sony e
incorporada, mais tarde, por Akio Morita teve um papel importante na orientação
e na evolução da empresa. Os produtos da Sony nem sempre foram um sucesso, mas o
primeiro toca-fitas magnético, o primeiro rádio transistorizado, o primeiro
rádio de bolso, o primeiro videocassete doméstico e o walkman fizeram história.
Apesar dos fracassos dos seus produtos iniciais, a panela elétrica para fazer
arroz e a sopa adocicada de creme de feijão, o idealismo de Ibuka era visível e
foi determinante para a expansão dos negócios nos Estados Unidos.
Em 1958, Akio Morita fez com que o nome da empresa fosse mudado. Defensor
entusiasmado da globalização, Morita logo percebeu que um nome como Tokyo
Tshushin Kyogu – nome original da Sony - seria obstáculo para a conquista de
mercados estrangeiros. O fato é que Morita acabou construindo uma das maiores
empresas do mundo, famosa por seus sofisticados produtos em miniatura.
O nome Sony era uma combinação da palavra sonus – som, em latim – e do termo
coloquial sonny, uma forma familiar americana de se referir a meninos ou
rapazes. A estratégia funcionou. Quando perguntaram aos comerciantes de rádios
norte-americanos se já haviam comercializado rádios japoneses, a resposta foi um
sonoro “não”. Ao perguntarem se já haviam comercializado rádios Sony, a resposta
foi um inequívoco “sim”. O restante é história.
Em 1924, a Computing Tabulating Recording Company (CTR) era somente uma das 100
empresas de médio porte tentando sobreviver nos Estados Unidos, segundo James
Collins e Jerry Porras, autores do best seller Feitas para Durar. Já ouviu falar
dela? A CTR comercializava basicamente relógios de ponto e balanças, tinha
apenas 52 vendedores com uma cota mensal de vendas a cumprir e um futuro nada
promissor. Nada de estranho até aqui.
Quando Thomas Watson Sr. chegou em casa, deu um abraço na esposa e anunciou com
orgulho que a CTR mudaria de nome e passaria a ser conhecida com o grandioso
nome de International Business Machines, seu filho Thomas Watson Jr. ficou
parado na porta da sala, pensando: aquela empresa pequenininha? Hoje não existe
nada de estranho no nome International Business Machines, mas na época soava até
ridículo, segundo os pesquisadores.
De acordo com Michael Gerber, as perguntas a seguir foram utilizadas por Thomas
Watson Sr. antes mesmo de a IBM se tornar uma empresa de sucesso: existe uma
visão bem clara de como será a empresa quando ela estiver pronta? Como a empresa
precisa agir para se tornar uma empresa de sucesso? Se a empresa sabe como agir
desde o princípio para alcançar a visão de futuro, então por que não começa
imediatamente?
Fracassos, estratégia e ousadia. De posse dos exemplos mencionados e de outros
milhares de empresas e empreendedores de sucesso existentes ao redor do mundo
que, a despeito de todas as dificuldades, prosperaram, compartilho aqui os
segredos do sucesso definidos por Jeffry Timmons, um dos grandes pesquisadores
sobre empreendedorismo. Com algumas observações adicionais, eu os batizei de A
Receita do Sucesso nos Negócios no meu próximo livro; portanto, ainda que você
não seja um empreendedor, espero que seja extremamente útil na sua vida.
* Desenvolva uma estratégia convincente e clara.
* Comunique a essência da visão e da missão; não perca o principal objetivo de
vista; mantenha o foco.
* Crie um diferencial nos seus produtos e serviços; é a sua vantagem
competitiva.
* Não há segredos; somente o trabalho duro dará resultados.
* Nada é mais importante do que um fluxo de caixa positivo.
* Se você ensina uma pessoa a trabalhar para outras, você a alimenta por um ano;
se você a estimula a ser empreendedor, você a alimenta, e a muitas outras,
durante toda a vida.
* Um negócio bem-sucedido, antes de ser técnico ou financeiro, é
fundamentalmente um processo humano; as pessoas são importantes.
* Realizar com o sentido de contribuir é mais importante do que ganhar dinheiro.
* A sorte favorece os que são persistentes; enquanto a sorte não vem, continue
caminhando.
* A felicidade é um fluxo de caixa positivo. Pense nisso e seja feliz!
Jerônimo Mendes é Administrador, Consultor e Palestrante
Autor de Oh, Mundo Cãoporativo! (Qualitymark) e Benditas Muletas (Vozes)
Mestre em Organizações e Desenvolvimento Local pela UNIFAE