Sacudindo os neurônios para ter novas idéias
Por Gisela Kassoy
20/10/2007
Você sabe por que os automóveis para táxis na Inglaterra são obrigatoriamente
altos? Para dar espaço para as cartolas dos passageiros. Sabe por que as moedas
são circulares? Porque em algum momento da história da humanidade fabricava-se
moedas com materiais quebradiços. A forma de círculo ajudava, portanto a evitar
que os cantos quebrassem.
Acontece que os carros não precisam mais ser altos, nem as moedas circulares,
mas eles simplesmente continuaram a ser como eram.
Não estamos habituados a questionar por que as coisas são como são. Segundo
Edward de Bono, especialista em Criatividade, padecemos de uma espécie de
continuísmo mental, o que dificulta nossa percepção de oportunidades para
melhorias.
Uma boa forma de percebermos possibilidades de mudanças é justamente
enfrentarmos as fontes de continuísmos e nos desafiarmos a pensar em
alternativas.
Veja os tipos mais freqüentes de continuísmos:
Negligência - Nossa mente aprendeu a resolver problemas, e deixa de perceber o
que não incomoda. Desta forma, tudo que ainda não virou problema tende a ser
negligenciado. Pior ainda, a negligência é prima irmã da arrogância: sempre que
estamos satisfeitos com nosso trabalho ou produto, deixamos de aprimorá-los.
Seqüência - Como as moedas e os automóveis ingleses, há inúmeros procedimentos,
acessórios, cores e formatos que nunca foram modificados. Mas eles precisam
mesmo ser assim?
Dependência - Acontece quando a evolução de certos produtos ou procedimentos
depende de fatores ou instituições que são vistos como atravancadores. Podemos
entretanto usar nossa criatividade também para contornar os fatores. Digamos que
você teve uma idéia cuja implementação é cara. Mas...Precisa parar por aí? Que
tal gerar idéias para reduzir os custos de implementação?
Complacência - É o famoso “deixa quieto”. Acontece quando nos submetemos a
crenças para deixar de criar, ou de lutar para que inovações sejam feitas. Você
já ouviu frases como "o mercado não está preparado", “é inviável”. Questione-as
também.
Quer gerar idéias? Olhe ao seu redor e pergunte-se: Onde está a negligência? (e
a seqüência, a dependência, a complacência?) Pergunte-se também “E se...?”, “Por
que isso é como é?”, “Dá para fazer diferente?” Pergunte-se principalmente “Por
que não?”
Você vai amar as respostas.
Gisela Kassoy - Consultoria em Criatividade - www.giselakassoy.com.br