Sobre a Teoria do Consumo Responsável
Alberto de Oliveira Lima Filho
04/02/2001
Os problemas que a economia brasileira enfrentam atualmente devem levar os executivos de marketing à busca de soluções que permitam adaptar a estratégia e as diretrizes à esta conjuntura. É nesse sentido que se orienta a "teoria do consumo responsável" cujos conceitos introdutórios são apresentados nestas notas.
O impacto provocado pela crise cambial, pelo aumento dos combustiveis, pelas taxas de desemprego e pela desaceleração da economia acarídeo profundas alterações no mercado. Os mercadólogos devem , portanto ativar suas ações administrativas e sua comunicação promocional no sentido de interpretar este contexto e obter dos consumidores uma resposta social agregada, que se pode denominar "consumo responsável". Numa fase esta, é necessário que sejam estabelecidas formas operacionais de comunicação com segmentos de mercado para se obter uma definição específica e coerente sobre a racionalidade da oferta e a racionalidade do consumo. O resultado da análise destas informações deve influir em todo o processo de produção e distribuição de bens e serviços.
O que se procura, em síntese é a formulação de diretrizes, cuja implementação possa resultar em: 1- oferta mais racional de bens e serviços; 2- comunicação efetiva com os consumidores para se obter respostas e efetivas em relação ao consumo responsável e racional; integração e compatibilidade entre oferta e consumo.
A tecnologia e o instrumental de marketing estarão assim , orientados para alcançar e manter objetivos de liberdade e sobrevivência econômica.
Marketing como redutor de crises
Colocadas essas premissas, é possível discutir e apresentar
as formas pelas quais o marketing pode ser utilizado como redutor da
crise e como instrumento de ajustamento aos períodos de escassez,
que, segundo Wilfred Madenbaum, precedem os períodos de abundâncias.A
crise de escassez que estamos vivendo pode ser definida como. um período
no qual recursos econômicos passam a ter oferta decrescente, em função
de diversos fatores, tais como: exaustão ou utilização excessiva
dos recursos, retenção de estoques e impossibilidade de
reciclagem.Neste período, aparecem, evidentemente, modificações e
diferenças profundas no processo de, oferta e demanda de bens e serviços,
surgindo, como conseqüência, o conflito transacional, na medida e na
extensão em que ocorrem desencontros de atitudes e incompatibilidade
entre os seguintes componentes do sistema de marketing: compradores,
vendedores, agentes auxiliares (sistema financeiro e empresas de serviço)
e instituições controladoras.
Este conflito é grave, complexo e abraagente porque decorre da interação
entre todos os componentes dos sistemas economicos, os quais por
estrutura apresentam objetivos conflitantes, crise de identidade,
dificuldade de diálogo e uma extrema distônia no processo de
comunicação.
Há disparidade no uso do poder, ausência de diálogo institucional
e, além de tudo, observa-se um clima de incerteza, decorrente dos
fatores acima mencionados.
Nessa fase, é possível observar a ocorrência de diversos fenômenos
novos, como a mudança de valores e de ideologia, a alteração
radical em normas e programas e a reivindicação de direitos não
equacionados.
Obtenção de uma massa crítica de informações
Cabe também ao sistema de marketing, com a utilização plena de seu instrumental, a tarefa de interpretar, de forma concreta, imparcial e objetiva, a dinâmica social (o processo de mudança) para obter informações destinadas a:
- orientar o processo decisório das empresas sobre pro- gramas de distribuição, a criação de políticas e estratégias de produtos; e também a definição do composto de comunicação mercadológica;
- fornecer às entidades públicas (governo e instituições controladoras, mais especificamente) dados que permitam formulação de diretrizes publicas;
- a finalmente, pesquisar e interpretar o impacto de ação empresarial e das diretrizes pública s sobre grupos sociais e sistemas institucionais de consumo;
O sistema de marketing deve criar um dispositivo que, após interpretação, possa gerar orientação pública, me- diante uma massa crítica de informações que defina prioridades de consumo e poupança, hierarquia de diretrizes, análise de custos e benefícios sociais, e exame do trade-off entre restrições e expansão econômica.
A este conjunto atitudinal George Fisk deu o nome de "Teoria do Consumo Responsável".
É óbvio que o conceito de consumo responsável está intimamente ligado e tem, como condição necessária, à oferta racional associada e à adoção de ideologias não conflitantes, nas relações entre o governo e a empresa.
Se o estágio de consumo responsável for atingido, poderá ser observado o surgimento de um contexto mais adequado às necessidades da comunidade. Os recursos econômicos serão usados de forma ecológica, ou seja, de maneira a que a oferta e a procura sejam orientadas, coordenadas e limitadas por parâmetros derivados da capa- cidade' e habilidade que a biosfera tem de recuperá-los, sem violação dos ciclos naturais.
Com a difusão do conceito de consumo responsável, surgem inúmeras.. questões de natureza fundamental, que podem servir como elo de ligação entre os aspectos teóricos e práticos das proposições acima formuladas. Estas questões, colocadas sob a ótica e a perspectiva da conjuntura brasileira atual, poderiam ser as seguintes:
Estas indagações, que se relacionam de forma direta com o perfil dos programas operacionais das empresas, e que têm natureza especificamente pragmática, podem ser exemplificadas, de forma sucinta, com algumas propostas:
Em síntese, o marketing e as diretrizes públicas devem estar associados na previsão e na provisão de tecnologia orientada ecológica e economicamente, visando à sobrevivência e ao reencontro do equilíbrio no sistema econômico.