Superação - O poder da conquista
Por Rogerio Martins
23/10/2007
Provavelmente quando você pensa em histórias de superação de limites vem logo
aquela imagem da maratonista suíça cambaleando quase desfalecida para cruzar a
linha final. Ela não venceu a prova. Sua classificação nem foi importante. Mas a
imagem de alguém que contrariando as próprias fraquezas busca forças para
atingir o objetivo é emblemática.
Na história da humanidade há diversos casos de pessoas que se destacaram em meio
às mais diversas dificuldades. Beethoven, mesmo surdo, continuava compondo.
Grande parte de suas obras foi realizada no período de maior gravidade de sua
doença.
Clodoaldo Francisco da Silva é outro exemplo de história da vida real. Até pouco
tempo desconhecido e talvez com grande possibilidade de ser “mais um”,
destacou-se ao vencer não só seis medalhas de ouro na natação das últimas
Paraolimpíadas, como venceu o preconceito. Mostrou que é possível ser um atleta
de alta performance mesmo “imperfeito”. Os antigos gregos foram mestres em criar
histórias de pessoas e seres extraordinários. Destaca-se a história de Hércules
e seus doze trabalhos. E você? Sabe como se forma um campeão? Entre tantas
características importantes uma se destaca: a superação!
A superação vem basicamente da vontade de realizar algo maior, de superar os
limites, de alcançar o topo. É isso que torna algumas pessoas especiais.
Vencedoras!
O esporte mundial é um catalisador de situações de superação humana. Uma das
mais destacadas foi o bicampeonato mundial da seleção brasileira masculina de
vôlei. Costumo usar o exemplo desta equipe vencedora em minhas palestras, pois
traduzem o mais alto espírito de superação do ser humano. Pessoas comuns capazes
de atingir o mais elevado posto em sua atividade: o sucesso!
Como é possível? A fórmula é simples e ao mesmo tempo trabalhosa: trabalho em
equipe + dedicação pessoal + emoção + garra + paixão = conquista!
O trabalho em equipe é cada vez mais um diferencial competitivo. Se sozinho é
possível alcançar elevados índices de produtividade, em equipe os resultados se
multiplicam. Aqui cabe lembrar a diferença entre equipe (ou time) e grupo.
Uma equipe é constituída de pessoas que tem objetivos em comum. Trabalham para o
mesmo propósito e por isso não competem entre si, mas cooperam. O grupo é um
amontoado de pessoas que estão juntas por alguma afinidade, mas que não garante
o alcance de resultados comuns. Voltando ao diferencial que uma equipe
proporciona, vale destacar que quando se trabalha em equipe a diversidade é
importante para o resultado positivo. Visões diferentes podem auxiliar na tomada
de decisões que sozinho você talvez demorasse mais para encontrar. A sensação de
pertencer a uma equipe é por si só motivadora. Ayrton Senna e Michael Schumacher
não seriam grandes vencedores sem o apoio de uma equipe. Pense nisso quando
surgir aquela oportunidade na empresa de fazer parte de um time para solucionar
um problema que aparentemente não tem a ver com você.
A dedicação pessoal é a parte que cabe a cada um para fazer a diferença. É
notória a história que, na época áurea do Santos Futebol Clube, por volta de
1965, um dos destaques era a dedicação pessoal do maior jogador de todos os
tempos: Pelé. Aqueles que acompanharam de perto a trajetória do “Rei do Futebol”
contam que após os treinos ele se dedicava exclusivamente à cobrança de faltas.
Com isso muitos de seus gols de falta foram decisivos para o brilhantismo da era
Pelé. Na empresa também é assim. O profissional que dedica um tempo extra para
aprender algo novo ou simplesmente busca a qualidade no que faz, faz a
diferença.
Por fim vem a tríade: emoção-garra-paixão. Para transformar estes sentimentos e
sensações em ações práticas na gestão organizacional é preciso entusiasmo.
A palavra entusiasmo vem do grego e significa "sopro divino". Os antigos gregos
eram politeístas, isto é, acreditavam em vários deuses. Entendiam que a pessoa
entusiasmada era aquela que era possuída por um dos deuses. Sendo assim, poderia
transformar a natureza e fazer as coisas acontecerem. Se traduzirmos para os
dias de hoje é fazer tudo com prazer e ter prazer em tudo que faz. Quando
colocamos nossas emoções positivas em prol de uma atividade certamente nos
sentimos contagiados pelo sucesso e também influenciamos os que estão por perto.
É muito gratificante trabalhar com pessoas que vibram com o que realizam.
Demonstram prazer no trabalho que desenvolvem. E todos nós podemos sentir assim.
Basta entregar-se de paixão àquilo que gosta de fazer. Caso esteja em uma
atividade que não se sinta tão feliz, procure outra. Caso não seja possível
busque formas de tornar esta atividade mais prazerosa. Para isso converse com
seus pares, chefia, colegas e outras pessoas que possam contribuir para uma
visão diferente da sua. Sempre há uma solução.
Tenha certeza que, para um indivíduo ou uma equipe obter o sucesso é necessária
muita superação. Acreditar em seu potencial de realização e fazer acontecer.
Rogerio Martins é Psicólogo, Consultor de Empresas e Palestrante. Especialista em Liderança e Motivação. Sócio-Diretor da Persona Consultoria e Eventos. Autor do livro Reflexões do Mundo Corporativo. Membro do Rotary Club de SP Santana (Distrito 4.430).