Tendências de Mercado
Por Nori Lucio Jr.
08/10/2007

As tendências da indústria podem ter duas naturezas. Elas podem ser determinadas pelo mercado, ou seja, quando os consumidores são apresentados a certos produtos ou serviços e passam a incorporá-los aos seus hábitos, ou podem ser introduzidas pela própria indústria através da evolução natural de seus produtos e serviços que seguem seus ciclos. Com relação à evolução dos produtos e serviços toda empresa tem seu plano ("roadmap"). Dependendo da complexidade da pesquisa e desenvolvimento, o "roadmap" é projetado por anos. As mudanças nos produtos vão de pequenas adaptações até mudanças completas de conceitos, denominados "breakthrough". São inúmeros os "breakthroughs" que mudaram completamente a posição de certas empresas em seus mercados.

Google: O Google se tornou a marca mais cara do mundo em 2006, avaliada em US$ 66,3 bilhões, segundo o ranking BrandZ. A pesquisa, feita em parceria com o jornal "Financial Times";
iPod: Mais de 100 milhões de iPods desde o lançamento de sua primeira versão (de 5GB), há cinco anos e meio. iPod permitiu a criação de mais de 4.000 acessórios específicos. Hoje em dia, mais de 70% dos carros vendidos nos Estados Unidos já possuem compatibilidade com o iPod;
Skype : O fenômeno do VoIP (Voice over Internet Protocol) é uma recente tecnologia que viabiliza a comunicação telefônica utilizando a internet como meio de transmissão da voz. São 170 milhões de usuários neste momento.
Estas duas situações determinam tendências no mercado e tem impactos diferentes nas empresas. Quando o mercado determina uma tendência, as empresas precisam adaptar-se rapidamente. Muitas vezes não há tempo, seja pelo tamanho da adaptação e tudo o que isto implica, ou seja pela morosidade da empresa em tomar decisões e coloca-las em prática. De qualquer maneira, o impacto da adaptação é enorme - queda nas ações, perda de "market share", insatisfação do cliente, tudo isso tem efeito no valor da marca, etc...


Tanto a Kodak como a GM tornaram-se dois exemplos históricos de como as tendências de mercado podem impactar organizações que tinham liderança em seus segmentos. Nem os investimentos muti-bilionários da GM em comunicação conseguiram convencer os americanos que seus carros eram superiores. Já a Kodak, símbolo da fotografia, por um erro de "time-to-market" simplesmente não está participando como um "player" influenciador da onda da fotografia digital.

Na situação onde a empresa determina a tendência, o volume de dinheiro envolvido em pesquisa e desenvolvimento é enorme. A disponibilidade de caixa é fundamental. Neste caso, se o produto não for bem aceito, a empresa também pode sofrer graves conseqüências. O gráfico abaixo mostra a evolução das ações da AMD frente a gigante Intel. As duas são os principais "players" no seguimento de microprocessadores. Apesar da liderança histórica da Intel e do faturamento algumas vezes maior, a AMD conseguiu alcançá-la - hoje as duas andam lado a lado. O grande diferencial competitivo da Intel frente a AMD reduziu muito, juntamente com o market share que foi impactado consideravelmente.

Gráfico comparativo de 5 anos da evolução das ações da Intel versus AMD. O gráfico mostra vantagem competitiva da AMD versus Intel e depois a paridade entre as duas empresas.

Cenários macro-econômicos

Macroeconomia é o estudo do comportamento da economia local e global. Determina as principais tendências relacionadas a produçao (PIB), geracao de renda, inflação, comercio exterior etc. Tambem determinam o comportamento do consumidor, niveis de emprego na indústria. Em resumo,tudo que esta relacionado ao sistema economico de um determonado país ou no mundo ANÁLISE PEST Uma ferramenta que auxilia na análise das variantes externas para determinar a velocidade da curva de maturidade de produto é a análise denominada PEST. Que reúne oportunidades ou ameaças relacionadas ao macro ambiente: POLÍTICO, ECONÔMICO, SOCIAL, TECNOLÓGICO. Exemplos

1. Política. América Latina O Brasil ocupa a quinta posição na América Latina, em uma lista de 12 países no continente, em relação aos países que apresentam o melhor cenário econômico. Os principais problemas citados pelos entrevistados no Brasil foram o déficit das contas públicas, a falta de competitividade internacional das empresas e o desemprego. A pesquisa mostra que o país avançou da sétima para a quinta posição entre janeiro e abril deste ano, com 6,4 pontos no ranking, ao lado do Chile. Os quatro primeiros colocados são: Uruguai (8,5), Peru (7,8), Costa Rica (7,4), e Argentina (7,0).
Na lista que considera o desempenho dos países nos últimos doze meses encerrados em abril deste ano, o Brasil ficou com a sétima posição. À frente do Brasil, estão nações com economias menores, como Argentina e Colômbia. Na primeira posição, está o Uruguai, seguido por Peru e Costa Rica. O índice geral para a América Latina ficou estável em 5,8 pontos, próximo do valor recorde alcançado apenas no início de 2005 (6 pontos). Segundo o levantamento, o resultado foi sustentado com o otimismo por conta das economias do Uruguai, Argentina, Costa Rica e Peru. O Banco Mundial prevê desaceleração econômica na América Latina - fonte Banco Mundial Apesar de que a América Latina atingirá parâmetros históricos com um crescimento de 5 por cento, esta taxa segue sendo inferior à média total dos países em desenvolvimento, que em 2006 será do 7 por cento .

2. Econômica Perspectivas da economia mundial 2007 No relatório "Perspectivas da economia mundial 2007: Gerenciando a próxima onda da globalização" prevê que a globalização poderá promover um crescimento mais rápido da renda nos próximos 25 anos do que no período 1980-2005, com um papel central para os países em desenvolvimento. Contudo, esse crescimento poderá aumentar a desigualdade e as pressões ambientais. O crescimento dos países em desenvolvimento atingirá um índice recorde de 7% em 2006. Em 2007 e 2008 haverá provavelmente uma redução do ritmo do crescimento, porém, mesmo assim há a possibilidade de superar 6%, mais do que duas vezes a taxa dos países de alta renda, que deverá ser de 2,6%. O Brasil deverá crescer por volta de 3,4% em 2007.

3. Social “A linha do esquecimento” Para Prahalad, a Internet, os mercados emergentes e o acesso à população pobre exigem uma autêntica revolução na economia mundial. É neste cenário econômico global que despontam os novos concorrentes que, pouco importando o tamanho, podem vir a derrotar as antigas multinacionais num espaço de tempo não muito longo. Para Prahalad, as empresas devem apostar na busca de novos mercados. Cerca de 4 bilhões de pessoas dispõem de recursos econômicos escassos, isto é, 70% da população mundial é pobre. As grandes empresas “sempre disseram que esse não era seu mercado”, concentrando-se nos 30% restantes, assegura o guru. Portanto, “o passo seguinte consiste em descobrir como converter os pobres em consumidores e introduzi-los no mercado global”, já que existe uma idéia sem nenhum fundamento de que vender para quem não dispõe de recursos não é rentável. Contudo, empresas como a Tata Motors mostraram que é possível montar um carro de qualidade e vendê-lo por menos de 3.000 dólares.

4. Tecnológica MOBILIDADE · 100,7 milhões é o número de celulares em uso no Brasil em janeiro, segundo dados da Anatel; · 2,6 bilhões é o número de assinantes de celulares no mundo em 2006, segundo a iSuppli; · 80% dos celulares utilizados no Brasil são pré-pagos, diz Anatel, em outubro de 200639; · 49% dos usuários brasileiros de celulares usam SMS, segundo a Research International; · 75% é a participação de mercado da Apple em tocadores digitais nos EUA, segundo o NPD Group; · 3,7 milhões de handhelds foram vendidos no segundo trimestre de 2006, segundo dados do Gartner; · 18,9 milhões de smartphones foram vendidos no segundo trimestre de 2006, de acordo com a Canalys.

Nori Lucio Jr. é fundador da brandMe, consultoria especializada em planejamento estratégico. - 20 anos de experiência na indústria de tecnologia, com passagens pela gerência de marketing e comunicação na Intel® e Microsoft®. Formado em marketing, com especializações no Brasil e exterior, respondeu pelo desenvolvimento de vários projetos relacionados a construção de marca, marketing & comunicação e desenvolvimento de canais de venda no Brasil, América Latina e Estados Unidos.