Um Mundo sem Empregos
Resenha do livro "Um Mundo sem Empregos" de William Bridges
por Daniel Portillo Serrano
26/02/2001

A exemplo do que predisse Jeremy Rifkin em "O Fim dos Empregos", William Bridges também prevê para dentro de pouco um declínio radical no nível de empregos dos países desenvolvidos. Pelo menos nos empregos como os compreendemos hoje em dia.

A tecnologia está fazendo com que os trabalhadores mudem seus hábitos e sua forma de comportamento em seus empregos. Se antes as máquinas ajudavam nos trabalhos mais pesados do ser humano, hoje em dia elas o substituem com inúmeras vantagens.

A principal diferença entre Bridges e Rifkin em suas obras, que tratam do mesmo tema, está no fato de que se Rifkin prevê um futuro sombrio (em 2020 apenas 2,5% da população estará trabalhando em cargos de produção), Bridges oferece uma série de novas regras que deverão ser seguidas pelos trabalhadores que desejarem continuar com a sua "carteira assinada" no século XXI:

EMPREGABILIDADE:

A estabilidade como se conhece hoje, não mais existirá. O funcionário será "estável" enquanto for necessário em sua função. Quando não mais o for, a estabilidade se quebrará tornando o empregado descartável. Apesar de parecer óbvio, hoje em dia, que, quando a função não for mais necessária, o funcionário também não o será, as empresas não demitem, atualmente, apenas porque temporariamente a pessoa não está completamente ocupada.

Os custos de se demitir alguém e recontratar alguns meses depois são infinitamente superiores que manter o funcionário ocioso para quando for necessário.

O que Bridges afirma é que nos próximos anos isso deverá mudar.

MENTALIDADE DE FORNECEDOR:

Os japoneses vêem na lealdade a seus patrões e empregadores a melhor forma de assegurarem seus lugares na companhia. Em parte isto também é verdade na Europa, Estados Unidos e Brasil.

Os Executivos estão vendo com bons olhos funcionários que estão sempre a disposição com lealdade a toda prova. Isto para William Bridges já não será uma garantia no futuro. O funcionário deverá deixar de pensar como empregado e passar a se comportar como se fosse um temporário, contratado por tarefas. Não bastará acertar de vez em quando. O funcionário será como um fornecedor externo que quando não cumprir uma tarefa específica não mais servirá para a companhia.

ELASTICIDADE

"Melhor ser um oceano com 1 metro de profundidade que um poço com mil". O funcionário ideal será aquele que melhor saber enfrentar turbulências, melhor saber se vergar sem quebrar e que mais rapidamente se adapte a novas realidades. Quebrar paradigmas será uma necessidade peremptória para quem quiser sobreviver.

Para Bridges, a elasticidade necessária para o funcionário bem sucedido deverá também prever os sentimentos: recuperar-se rapidamente de decepções, sobreviver em elevados níveis de incertezas e encontrar a segurança interiormente mais do que externamente.

Abrir mão do que está superado e rapidamente aprender o que está surgindo será uma necessidade.

Para William Bridges o futuro mudará o mercado de trabalho de tal forma que os candidatos a determinadas funções nada mais serão do que mercadorias.

Cada um de nós deverá "comercializar-se" ao empregador se desejarmos alcançar a vaga. Técnicas de Marketing pessoal, assim como Marketing de produtos, incluindo propaganda serão as ferramentas indispensáveis para uma boa apresentação.

Não bastará um Curriculum bem feito. O Curriculum deverá funcionar como uma verdadeira campanha publicitária, oferecendo para quem o lê todas as características, vantagens competitivas e "pontos de venda" que o candidato gostaria de passar.

Da mesma forma que ao vender um automóvel, os fabricantes ressaltam seus pontos positivos, seu design, suas linhas e seu rendimento, o funcionário também deverá pensar em mais do que a sua experiência profissional e os idiomas que fala, pois isso será comum entre todos os seus concorrentes.

O mais interessante no livro de Bridges, ao contrário do de Rifkin, é que ao final de tudo, ele oferece uma pesquisa para o leitor. 12 páginas são utilizadas para perguntas do tipo "responda sim ou não e veja se você está preparado para o futuro". Diferentemente do que possa parecer, o teste encartado no livro não se assemelha às pesquisas encontradas em revistas femininas do tipo: "você se conhece?", ou "quanto você ama seu marido? Veja aqui...".

A pesquisa de Bridges não responde a quem a preenche se a atitude está certa ou errada. Lendo-a, temos mais do que uma vontade de saber quantos "pontos" fizemos, uma vontade de efetuar uma auto-análise e certificar-se de que o que lemos no livro não vale apenas para os outros, mas para nós mesmos.

A certeza de que "meu emprego está garantido" se esvai no decorrer da leitura do livro e o teste nos ajuda em uma reflexão sobre o quanto estamos realmente preparados para enfrentar as turbulências que se aproximam no mercado de trabalho.

Se atualmente já está difícil uma boa colocação para quem está preparado, o que não dizer para o despreparo da maioria. Para Bridges, "o mundo sem empregos" não será realmente um mundo com nível zero de vagas disponíveis, mas o mercado de trabalho estará cada vez mais longe para quem não souber se vender e comportar de maneira apropriada.

 

Daniel Portillo Serrano é Palestrante, Consultor e Professor. Bacharel em Comunicação Social com ênfase em Marketing Pela Universidade Anhembi Morumbi, e pós graduado em Administração de Empresas pelo Centro Universitário Ibero-Americano - Unibero, Mestre em Administração de Empresas pela Universidade Paulista - UNIP. É consultor de Marketing e Comportamento do Consumidor e editor dos sites Portal do Marketing e Portal da Psique . Tem atuado como principal executivo de Vendas e Marketing em diversas empresas do ramo Eletroeletrônico, Telecomunicações e Informática. É professor de Marketing, Administração, Estratégia, Comportamento do Consumidor e Planejamento em cursos universitários de graduação e pós-graduação. Contato: daniel@portaldomarketing.com.br   .