Você Está Pronto para o Pulo do Gato?
Por Gisela Kassoy
20/10/2007
O que a Starbucks, os Post-its, a mini van e o leasing têm em comum? São todos
produtos e serviços inovadores que transformaram o mercado e obtiveram sucesso
sem ter que lutar contra a concorrência nem reduzir custos.
Não é este o sonho de todo empreendedor e de toda empresa? E tudo começou com
uma boa idéia. Segundo o consultor em administração Karl Albrecht, a idéia é a
matéria prima da inovação. Daí a achar que uma idéia por si só pode levar ao
sucesso, ser o pulo do gato, há um certo exagero. A implementação de uma nova
proposta requer um certo esforço e habilidades tão importantes como as
utilizadas para a sua criação.
A cultura brasileira nunca valorizou o esforço. Nos tempos da colonização
portuguesa, o trabalho existia apenas para seres considerados inferiores. Nos
dias de hoje, o golpe do baú, as loterias e até a corrupção são vitrines
constantes de formas de vencer na vida. Felizmente, nem sempre elas são
funcionam. Resta o sonho da idéia salvadora, um caminho honesto, meritório e
fácil para se atingir o sucesso.
Quanto há de verdadeiro nisso? Sou consultora especialista em criatividade e
inovação. Meu trabalho é, além de incitar a geração de idéias, garantir que elas
não sejam desperdiçadas. A intenção deste artigo é ajudá-lo a lidar com os
empecilhos mais freqüentes, ou seja, fazer a inovação acontecer.
Vejamos, portanto, o que mais, além de uma boa idéia, é necessário para que o
pulo do gato se dê completa e favoravelmente:
A Venda da Idéia – Não importa se você é empreendedor, empresário ou executivo.
Você precisa da receptividade dos outros para que sua idéia evolua. Transforme
sua idéia em um projeto claro e conciso. Realce os resultados que ela trará,
calcule a relação custo-benefício, pense nas objeções possíveis e crie de
antemão formas de combatê-las. Entenda que uma nova idéia sempre exige uma nova
forma de pensar. Você viu uma possibilidade diferente, mas os outros ainda não.
Cultura Adequada - Para uma idéia ter receptividade, é preciso que as pessoas
envolvidas estejam preparadas para tal. A cultura da sua empresa é aberta a
inovações? Como o erro é visto? Se uma inovação envolver mais de uma área, como
se lida com os palpites em seara alheia? A cultura da empresa pode ser ou não um
solo fértil para inovações, mas não se trata de uma barreira intransponível. O
papel de quem cuida das inovações na empresa é entender e administrar as
características da cultura organizacional para que o terreno seja cada vez mais
fecundo. Um empreendedor solo precisa pensar nas características das pessoas que
poderão (ou não) apoiá-lo: colegas, parceiros, família e eventuais
financiadores.
Esforço e Recursos - Você ou alguém na empresa terão tempo, verba, poder e
dedicação para fazer a inovação acontecer? Normalmente esses quesitos são
escassos. Com empenho e criatividade pode-se realizar uma idéia com uma verba
menor do que a prevista, mas tempo e dedicação tendem a ultrapassar em muito a
previsão inicial. Quanto ao poder, vale lembrar que ele não se limita ao poder
do cargo. A persuasão também é um forte instrumento para que se dê espaço para a
inovação
Estrutura – Em sua empresa há comitês, comunidades de práticas ou outras formas
para que as pessoas se organizem para fazer a inovação acontecer? Se você atua
sozinho, já desenvolveu uma estrutura que favoreça o sucesso da inovação?
Testes, Monitoramento e Reajustes – Uma estrutura sólida para dar suporte às
inovações envolve os famosos funis que avaliam as sugestões em diferentes
etapas. Após o lançamento é preciso monitorar a evolução do novo produto ou
serviço. Dificilmente uma idéia chega ao mercado tal qual foi criada. Um
empreendedor não pode confundir persistência com teimosia e deve, portanto,
estar aberto aos eventuais reajustes.
Depois de tantos requisitos, pode parecer que o pulo do gato é mais difícil do
que parece. De fato, o gato pula porque tem musculatura adequada, preparo físico
e vontade de pular. Ele pula também porque tem sete vidas, e pode, portanto
correr riscos. Mas acima de tudo, ele pula porque vê os benefícios de seu salto
e sabe que vale a pena.
Gisela Kassoy - Consultoria em Criatividade - www.giselakassoy.com.br