As 4 perspectivas de uma Implementação
Por Wagner Herrera
01/11/2006
Em artigos artigos que escrevi anteriormente neste sitio, citei os aspectos
metodológicos e contextuais da ferramenta. O interesse pelo tema, dado alguns
pedidos de material que recebi, me leva neste terceiro artigo, a escrever sobre
como Balanced Scorecard é estruturado num grupo perspectivas padrões, sem tirar
o mérito dos autores da metodologia, que conseguiram ver isto antes e criaram
uma técnica para facilitar o gerenciamento das implementações.
Estas quatro dimensões se aplicam a todos os processos que se apresentam em
nossas vidas tanto no plano profissional, social, educacional, etc., e regem as
relações de causa e efeito para o atingimento dos objetivos e metas almejadas:
1. Aprendizagem e Estruturação: aprendizado é uma imposição prevalente que
juntamente com o desenvolvimento das habilidades e manifestação das atitudes
formam as competências necessárias ao desempenho em qualquer campo da atividade
humana. A estruturação (infra-estrutura) é condição essencial para o desempenho
competente (tecnologia, equipamentos, sistemas de informação, estrutura
funcional, processos, etc.).
2. Processos Internos: tanto no indivíduo quanto na organização, os processos
são encadeados de forma a provocar as reações de causa e efeito gerando
resultados em conseqüência das competências e recursos individuais ou
organizacionais, buscando em última instância a satisfação do cliente (paciente,
consumidor, colaborador externo ou interno, etc.), posto que não existe
processos sem clientes.
3. Satisfação do Cliente: As metas permanentes do indivíduo são orientadas à
família, escola, empresa, sociedade, etc. Nas organizações, as metas apontam
para o mercado-alvo (vantagem competitiva, enfrentamento da concorrência, busca
do lucro, etc.). Isto só é conseguido com um desempenho superior, fruto da
racionalização dos processos internos.
4. Retorno aos Promotores do empreendimento: Nas empresas privadas o retorno é
destinado aos proprietários e acionista, nas empresas assistenciais este retorno
é cobrado pelos clientes-agentes (governo, mantenedores particulares). No
indivíduo, o retorno é devido à família e a sociedade.
Consideremos alguns projetos na área de serviços:
1. Melhorias no processo educacional - analisada a necessidade de melhorar a
educação numa escola são formuladas proposições para superar as deficiências
(fraquezas). A implementação (o fazer acontecer) das propostas para viabilizar
as melhorias passa pela capacitação do corpo docente e administrativo
(aprendizagem), investimentos em tecnologia, programas de incentivos, etc. As
orientações táticas de reengenharia ou incremento de qualidade dos processos
educacionais (pedagógico, disciplinar, recreativo, cultural, etc.) perseguem a
satisfação do aluno (cliente paciente) e, conseqüentemente dos pais (clientes
agentes) resultando na redução da evasão ou dando maior credibilidade à
instituição e um melhor posicionamento no mercado educacional, redundando em
maiores receitas.
2. Melhorias nos processos hospitalares – determinados os processos ou áreas que
mereçam melhorias ou busca da diferenciação, a implementação das ações inicia
pela capacitação do capital humano. Essa capacitação envolve desenvolvimento das
competências individuais e organizacionais visando o aumento do desempenho do
profissional, isto é, conhecimentos, habilidades e atitudes. A disponibilizacão
de leitos e quartos, a prontidão no atendimento, a alimentação, a higiene, o
conforto ambiental, tecnologia de ponta, ambiente agradável de trabalho e
internação, posto que por natureza, é um lugar depressivo. Tudo na busca do
aumento da satisfação dos pacientes (clientes) traduzidos em aumento de
receitas.
3. Melhorias em programas assistenciais – as organizações do terceiro setor – as
que não visam lucro – tem as mesmas necessidades citadas acima: apresentar
serviços aos beneficiários (clientes) para que consigam manter as contribuições
dos promotores (governo, sociedade civil, organizações privadas). Estes
programas - conjunto de projetos com objetivos para atingir um benefício único –
almejam a eficiência (conformidade com os objetivos/metas), eficácia
(necessidades e desejos dos beneficiários) e efetividade (provoquem impacto,
transformação). Para tanto, a necessidade de capacitar colaboradores
(voluntários e funcionários) se faz imprescindível, posto que para seus clientes
é um beneficio necessário e único.
Estes três exemplos são representativos de uma enorme gama de organizações de
serviços, porém a mecânica é sempre igual: aprender para fazer melhor
(aprendizagem), fazer melhor para ganhar eficiência e eficácia (processos
internos), melhorar para satisfazer (clientes), satisfazer para diferenciar a
organização (proprietários).
Kaplan e Norton definem a criação de valor, como a resultante de três vetores,
sendo um deles o valor indireto: “as melhorias dos ativos intangíveis afetam os
resultados financeiros através das cadeias de causa e efeito”. Diferentemente
dos ativos tangíveis que têm um valor de mercado, os ativos intangíveis têm um
valor potencial: “este valor não se concentra em nenhum ativo intangível
específico e sim, na somatória de todo o conjunto de ativos, juntamente com a
estratégia que os conecta entre si”. Treinamento, publicidade, atendimento,
distribuição... transformam esse valor potencial em produtos e serviços com
valor agregado que resulta no aumento de vendas e conseqüente lucro. Por fim, o
valor contextual: “os valores dos ativos intangíveis dependem do contexto
(processos internos) e da estratégia organizacional” que determina os ativos
preponderantes como o relacionamento com o cliente, eficiência operacional ou
valorização da marca, etc.
Há que se implementar esta cadeia de “causa e efeito” em um plano estratégico ou
tático para se obter a vantagem competitiva, assim o seguinte esquema torna-se
um padrão em qualquer implementação:
Influenciadores / Facilitadores -> propulsores / realizadores -> Clientes /
Beneficiários -> Proprietários / Promotores
Wagner Herrera é Graduado em Ciência da Computação e Engenharia de Producao na
Universidade Mackenzie (SP) e pós-graduação em Administração Estratégica no IESC-
Instituto de Ensino Superior Camões (Ctba-PR)