O objetivo de toda e qualquer empresa é alcançar
a lucratividade máxima. Segundo Michael Porter, uma
das maiores autoridades mundiais em estratégia
competitiva, existem somente duas maneiras de se
obter vantagem competitiva: custos baixos e
diferenciação.
Esses dois conceitos formam a base de toda a
estratégia face à concorrência, mas a lucratividade
de uma empresa não depende somente do seu
posicionamento em relação aos concorrentes: depende
também da estrutura do setor em que atua. Por isso é
tão importante que os líderes conheçam perfeitamente
o setor em que competem. Porter acredita que a
rentabilidade das empresas depende de determinadas
forças competitivas básicas como:
- Rivalidade em relação aos concorrentes existentes.
- Ameaça de produtos ou serviços substitutos.
- Ameaça de novos concorrentes.
- Poder dos clientes.
- Poder de negociação dos fornecedores.
Segundo o autor, existem seis erros básicos
cometidos freqüentemente por empresas quando tentam
desenvolver uma estratégia de diferenciação. Vejamos
quais são e como evitá-los:
1 - Ofertar um produto ou serviço que, apesar de
contribuir com um valor maior para a empresa, não é
visto como tal pelos clientes e consumidores: Existe
um ditado famoso usado com freqüência em Marketing
(e também na política): Perception is reality. Ou
seja, percepção é realidade. Se os clientes não o
percebem como alguém que agrega valor aos seus
negócios, você não agrega valor e ponto. Para evitar
isso, é necessário um esforço da empresa na educação
dos seus clientes, mostrando claramente os
benefícios conseguidos através do trabalho conjunto.
Embora, como nação, sejamos pouco chegados a
estatísticas, está na hora do empresário brasileiro
passar a se aprimorar nesse aspecto, procurando
provar cientificamente que seus produtos e serviços
“valem o quanto pesam”. Além disso, nosso mercado é
totalmente anêmico na hora de conseguir testemunhais
de sucesso, outra forma eficaz de tornar públicos os
resultados positivos de um determinado produto ou
serviço.
2 - Exceder as necessidades dos compradores: No afã
de encantar seus clientes, muitas empresas acabam
introduzindo novidades totalmente desnecessárias e
supérfluas. Mesmo que isso não altere muito o preço
final, é claro que sem esses ‘badulaques’ o produto
ou serviço poderia ter um custo mais baixo. É
importante encantar os clientes, mas é mais
importante ainda encantá-los com o que eles acham
importante. O que agrega valor, o que é apenas
esteticamente agradável, o que é supérfluo? Como
isso influencia a reação dos clientes na hora de
fechar negócios? Descubra o que seus clientes
valorizam e use isso como arma para encantá-los. O
resto é desperdício.
3 - Fixar preços muito altos: Existem duas maneiras
de ganhar dinheiro - preços altos e volume alto. O
sonho de todo empresário é ter as duas coisas, mas
sabemos que isso raramente acontece. O preço alto
tem algumas vantagens: margens gordas (que ajudam na
comercialização, pois podem ser distribuídas através
de comissões), elitização, status, mais dinheiro
para marketing e propaganda, etc. Mas isso tem um
limite. O essencial é descobrir qual é o preço que
otimizará a lucratividade de uma empresa. De
qualquer maneira, devemos pensar sempre em termos de
rentabilidade, e não apenas de vendas ou
faturamento. Existe um preço ideal (em termos de
lucratividade) para cada tipo de produto ou serviço,
e a única forma de descobri-lo é testando.
4 - Não compreender os custos envolvidos na
diferenciação: Pode parecer redundante dizer isso,
mas a diferenciação que traz mais custos do que
vantagens é prejudicial à empresa. Os clientes podem
adorar, mas do que adianta se a empresa está
perdendo dinheiro?
5 - Não reconhecer segmentos de mercado: Muitas
oportunidades são perdidas porque as empresas não
reconhecem pequenos nichos nos quais poderiam ser
líderes sem grandes esforços. Basta adaptar o que já
tem à realidade e exigências do público nesses
nichos. Essa adaptação e agilidade são compensadas
com altos níveis de lucratividade, já que pessoas e
empresas geralmente estão dispostas a pagar um pouco
mais por produtos ou serviços que sejam específicos
para sua realidade.
6 - Criar uma diferenciação que os concorrentes
consigam imitar facilmente: Vantagem competitiva
verdadeira é aquela exclusiva da sua empresa. Isso
pode ser feito trabalhando a imagem (como cigarros e
cervejas), investindo dinheiro (em fábricas,
imóveis, patentes, etc.) ou, melhor ainda, através
do estímulo na criatividade dos funcionários da
empresa. Idéias que levam a constantes ações
inovadoras são o maior diferencial que sua empresa
pode ter.
Como podemos ver, não basta apenas tentar
diferenciar-se de qualquer maneira da concorrência.
Existem ações que a princípio podem parecer
benéficas, mas que na verdade são prejudiciais à
saúde financeira da empresa. E as regras que todos
devem respeitar são essas:
- Percepção é realidade.
- Não ofereça mais do que o necessário.
- Trabalhe com preços que maximizem sua
lucratividade.
- Compreenda todos os custos envolvidos.
- Diferencie-se também trabalhando com nichos de
mercado.
- Finalmente: faça coisas que sejam difíceis de
imitar.
Raúl Candeloro (raul@vendamais.com.br) é palestrante
e editor das revistas VendaMais®, Motivação® e
Liderança®, além de autor dos livros Venda Mais,
Correndo Pro Abraço e Criatividade em Vendas.
Formado em Administração de Empresas e mestre em
empreendedorismo pelo Babson College, é responsável
pelo portal www.vendamais.com.br.

