Certa ocasião, eu escrevi um artigo sobre o livro
Results, de Pasternak e Neilson, que deu bastante o
que falar entre meus assinantes. Vários enviaram
mensagens perguntando basicamente o mesmo – como
alinhar a remuneração dos vendedores com outra coisa
que não seja faturamento?
Em Results, os autores defendem que precisa existir
um alinhamento entre os quatro grandes blocos de DNA
da empresa: estrutura/organograma, direitos de
decisão, fatores motivacionais e cadeia de
informação.
Exemplo claro de desalinhamento: empresas que dizem
à força de vendas que é preciso atender bem o
cliente, mas só remuneram seus vendedores por
faturamento ou volume (x% de comissão por venda). O
que essas empresas estão motivando e estimulando,
exatamente? Qualidade na venda ou quantidade de
venda? A resposta é óbvia – vendedor que é vendedor
vai atrás da comissão, não do blablablá.
Jim Collins, nos livros Good to Great e Feitas para
Durar, fala a respeito do assunto em alguns
capítulos – sobre como as empresas vencedoras
definem métricas diferentes para determinar o que é
sucesso. Depois, remuneram suas equipes de acordo
com essas métricas. Frederick Reichheld, considerado
por muitos o papa da fidelização de clientes (ele
prefere o termo lealdade) também mostra diferentes
casos em que as empresas remuneram por lealdade de
cliente – não apenas pela sua conquista.
O que eu, pessoalmente, tenho defendido é o uso de
um scorecard, com as variáveis que o vendedor tem de
atingir além das metas normais. Seja qual for a sua
preferência, a questão toda é de alinhamento. Você
precisa definir como sua empresa ganha dinheiro, o
que é lucro e como acontece (acredite – é mais
difícil do que parece: pergunte para cinco pessoas
na sua empresa e analise as respostas). Depois de
ter definido isso, o certo seria remunerar seus
vendedores de acordo com esses padrões.
Ou seja, é um exercício de trás para frente. Se você
remunerar por volume, os vendedores não prestarão
muita atenção à qualidade da venda. Por mais que
você fale, repita, treine, etc., eles farão o que dá
dinheiro. Esse é o verdadeiro incentivo. E se trazer
um novo cliente para empresa dá dinheiro, mesmo que
amanhã ele/ela não pague ou nunca mais volte, é isso
que farão.
Quando feito corretamente, a diferença das empresas
que mudam sua remuneração é brutal. Os índices de
lealdade de clientes disparam e a lucratividade
também. Muda a maneira como você recruta, seleciona
e treina vendedores. Muda tudo. Mas dá trabalho.
É uma questão delicada, com certeza – mas algo de
que não podemos fugir. Pare, olhe para sua equipe e
pense: a comissão que é paga, hoje, estimula quais
tipos de comportamento, exatamente? Se forem os
corretos, parabéns. Se não, hora de repensar algumas
coisas.
Raúl Candeloro (raul@vendamais.com.br) é palestrante
e editor das revistas VendaMais®, Motivação® e
Liderança®, além de autor dos livros Venda Mais,
Correndo Pro Abraço e Criatividade em Vendas.
Formado em Administração de Empresas e mestre em
empreendedorismo pelo Babson College, é responsável
pelo portal www.vendamais.com.br.

