Antes de entrarmos
efetivamente no assunto,
gostaria de dar uma pequena
introdução que acredito ser
de muita importância para
nos ajudar a entender a
relação entre estas belezas.
Trata-se do conceito de “ato
e potência”
Todas as coisas no mundo, ou
seja, toda a criação existe
em ato e potência em um
dinamismo constante, por
exemplo:
Um muro pintado de verde o é
em ato, contudo esse muro
tem potência em outra cor.
Se você pintá-lo de branco,
neste momento ele será
branco em ato e terá
potência de ser qualquer
outra cor, menos branco.
O único ser existente em ato
puro é Deus, isso porque Ele
não muda. Deus é o mesmo
desde o princípio, isso
sabemos quando nos diz: Eu
sou aquele que Sou, ou seja
igual sempre.
Para o homem é impossível
ficar sempre igual, então já
que esta passagem faz parte
da nossa natureza, lutemos
para sermos melhores hoje do
que fomos ontem, tanto na
vida pessoal quanto na
profissional.
Mas o que tem haver tudo
isso com o nosso tema?
Vou explicar.
Todos os nossos trabalhos
por mais belos que sejam tem
apenas uma beleza limitada,
como que um espelho
refletindo a beleza por
excelência, sem esta
referência nos seria
impossível criar algo
verdadeiramente belo ou
melhor, que aponte para
isso.
Eu posso encontrar trabalhos
que contenham harmonia nas
formas, nas cores, sejam
inteligentes, mas não me
levem para cima, esses são
ciladas e não ser enganado
por eles é uma tarefa
difícil de aprender, todavia
esse já é um outro tema.
Voltando ao assunto, quando
começamos um novo trabalho
pensamos.
Ah, este será o meu melhor
job, ao término dele e
começo do outro lá estamos
nós buscando o mesmo ideal.
É uma busca incansável e
inatingível, ato e potência.
As vezes gosto de olhar ao
meus primeiros trabalhos,
aqueles que julgava ser o
meu melhor, pois bem, vendo
eles agora servem apenas
como registro desta minha
subida. Mesmo sabendo que
nunca chegarei ao topo aqui
na terra, continuo subindo
sabem por que?
Porque a cada etapa eu me
aproximo mais dele, tento a
cada dia ser merlhor na vida
pessoal e na profissional. E
me traz tanta alegria a
esperança de um dia ver esta
beleza infinita.
Escutem uma música de Bach
ou um canto gregoriano,
vocês vão entender tudo.
O que mais gosto na nossa
profissão é que ela pode
servir como uma seta que
aponta para o puro, para
cima, para a verdade. O
design se enquadra na classe
das coisas que o homem faz e
que tem a capacidade de
transpor a barreira do
concreto para o espiritual.
É nosso dever usar o talento
que temos para o bem e
ajudar as pessoas mesmo com
nossos limites a enxergar no
horizonte esta verdade, esta
beleza absoluta e assim
mostrar que o homem nunca
alcançará sozinho este ideal
em sua busca pela perfeição,
este mundo que colocou as
obras do homem como fim
último das coisas e
pretendendo ser divinizado
no que faz, se esvaziou.
Que meu design seja uma
bússola que aponte para o
norte, que aponte para o
absoluto que aponte para
Deus.
Emerson Marinho Nóbrega é diretor de
criação da agência Pulsar
Design. pulsardesign.blogspot.com

