Branding Made in Brazil
Por Ivan Postigo
08/01/2011
Como vão nossos talentos mercantis?
Pensava nisso, quando me veio uma resposta: Regionais!
Minas Gerais tem grandes lições sobre distribuição de mercadorias, pouco
conhecida de nossos profissionais e escolas de negócios. Não citarei nenhuma,
mas recomendo uma viagem e pesquisa pela internet, pelo menos, pois garanto,
vale a pena.
Daí podem sair grandes dicas para atravessarmos fronteiras.
Em um mundo dominado por poucos poderes, não importa quem exporta – apenas
alguns produzem-, importa quem importa. Assim nações criavam suas colônias e
abriam novos mercados.
No mundo globalizado, onde a capacidade e a competência para produção estão
disseminadas, a forte concorrência privilegia quem se destaca. Esse destaque é
obtido pela qualidade, pela marca e, principalmente, pela a forte referência da
origem.
É bom porque o café é brasileiro; tem qualidade reconhecida. Estes são fatores
de conquista de mercado, passaporte para as fronteiras.
E a marca, que papel exerce? Esta é o fator de preferência do consumidor!
Quando um empresário, sua empresa, produtos e marcas, lutam, isoladamente, para
conquistar um mercado, enfrentam enormes barreiras pela diferença de poder na
concorrência.
Pense comigo:
Quem tem maior probabilidade de conquista de mercado, a marca A de vinho – ainda
que Francês - ou a ação em conjunto de vinhos Franceses?
A marca B de charuto – ainda que Cubano – ou a ação em conjunto de charutos
Cubanos?
A marca C de eletrônicos – ainda que Japonês- ou a ação em conjunto de
eletrônicos Japoneses?
Se lhe disserem que o relógio XYZ é de excelente qualidade – não sendo você um
especialista – como o conceituará?
Ora, a informação que lhe deram não foi essa: “Este é um relógio da marca XYZ,
Suíço!”
Faz muita diferença, não?
Pouco provável que tenha a qualidade questionada.
Marcas, mundialmente famosas, atravessam fronteiras e dificultam nossa
percepção. Quando acontecer, volte na origem.
Verá que estas são as que permaneceram por terem conquistado a preferência do
consumidor, entre muitas que conquistaram o mercado.
Nesse sentido precisamos aprender muito. Não são as grandes equipes, apenas, que
dão destaque aos nossos jogadores. É o futebol brasileiro.
A família Gracie tem grande destaque no consagrado ambiente do Brazilian
Jiu-Jitsu, que congrega atletas de diferentes “Escolas”.
Claro que profissionais reverenciados atraem os olhares e atenção ao nosso
mercado, mas a continuidade não se dá pela relevância de um, mas pelo conjunto
da obra de uma fonte.
Que grande lição nos deixam o voleibol e o automobilismo nesse aspecto!
Esse é um detalhe que ainda não nos demos conta, suficientemente, para levarmos
a sério. Desconhecemos esse fato? Claro que não! É Obvio demais!
Regiões selvagens jamais seriam conquistadas por apenas meia dúzia de isolados
pioneiros. A ação conjunta é que permitiu que tivessem sucesso.
Simples? Sim, mas conhecimento não serve para nada se não o aplicarmos.
Para isso é que servem as associações entre os homens: ações cooperadas.
Cooperando derrubamos barreiras e conquistamos o direito de estar presente em
novos mercados; competindo conquistamos a preferência do consumidor.
Uma fantástica ação de coopetição – competir, cooperando - que precisamos
reconhecer e incentivar.
Branding é o trabalho de construção e gerenciamento de uma marca junto ao
mercado. Esta precisa urgentemente de nossa união para destaque, em busca de
relevância e visibilidade em muitas áreas: Made in Brazil.
Sem relevância não importa o que façamos, pouco iremos exportar.
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
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