Capacitação é a solução
Por Rogerio Martins
24/09/2008
Relatório da Organização Internacional do Trabalho apontou que os países
desenvolvidos continuam na frente da lista dos mais produtivos no trabalho. O
destaque é que os países asiáticos e que estão fora da união européia, como a
China, Rússia, Bósnia e Irã, estão em franca expansão neste sentido. O Brasil,
na contramão deste processo mundial, segundo a pesquisa, regrediu e piorou seus
índices de produtividade no trabalho. Ficamos atrás da Venezuela, Uruguai,
Chile, Argentina e próximos de Uganda. Os americanos mantiveram a ponta com
larga diferença entre os demais países que o seguem.
O aumento da produtividade é resultado principalmente de uma melhor combinação
de capital, trabalho e tecnologia.
O nível de vida num país depende também da produtividade, que mede quanto um
trabalhador produz por hora. Os lucros das empresas crescem quando os empregados
produzem mais por hora do que antes.
A falta de investimento nos trabalhadores através de formação e capacitação, ou
em equipamento e tecnologia, pode conduzir a uma subutilização do potencial da
mão-de-obra no mundo.
Diante disso fica claro que há muito a fazer. A começar pela qualificação e
capacitação dos trabalhadores.
Os índices de investimento em treinamento e capacitação técnica e comportamental
nos países desenvolvidos são, no mínimo, três vezes superiores aos do Brasil.
Ainda encontramos no país empresários, comerciantes e empreendedores com uma
visão estreita no que se refere a investimento em educação e treinamento
profissional. Mesmo com a comprovação por meio de pesquisas e estatísticas que
reforçam a relação positiva entre qualidade/produtividade e investimento em
qualificação.
Outro fato é que não adianta somente preparar tecnicamente o trabalhador.
Oferecer-lhe educação primária, secundária ou superior, especializações e MBA’s.
O mundo corporativo requer pessoas também qualificadas em relações humanas,
gestão de pessoas, negociação, comunicação interna e com os clientes externos,
inteligência emocional.
As relações comerciais se modificaram significativamente nos últimos dez anos.
Passamos de uma geração onde o cliente não sabia de seus direitos e obrigações
para uma nova geração de pessoas mais críticas e ligadas a tudo que acontece.
Saímos da máxima onde o cliente é rei para o CRM.
Com isso, este mesmo cliente, trabalhador, empresário, comerciante, profissional
liberal teve de se adaptar a novas formas de relacionamento e trabalho. Não há
mais espaço para relações baseadas no medo, no ganha-perde, na imposição. O
momento atual requer flexibilidade de atitudes, forte comunicação, ética,
transparência, ou seja, um relacionamento entre chefia-subordinado,
empresa-funcionário baseado na troca de mão-de-obra/conhecimento por
salário/emprego.
É preciso sair do paradigma que treinamento é despesa. No momento que as
empresas e seus diretores, presidentes, proprietários e funcionários entenderem
que a solução para o aumento da produtividade passa pela capacitação técnica e
comportamental de seus funcionários, certamente sairemos desta vexatória
condição de sub-desenvolvidos e “improdutivos”.
A equação é simples: quanto mais investimentos em treinamento, capacitação e
tecnologia, melhores resultados, produtividade e lucros.
Rogerio Martins é Psicólogo, Consultor de Empresas e Palestrante. Especialista
em Liderança e Motivação. Sócio-Diretor da Persona Consultoria e Eventos. Autor
do livro Reflexões do Mundo Corporativo. Membro do Rotary Club de SP Santana
(Distrito 4.430).