Você já conviveu com um
chefe “mala”? Aquele tipo
paranóico que acha que todos
conspiram contra ele, ou o
tipo “Caxias” que conta até
os minutos quando você vai
ao banheiro? Ou mesmo o
pessimista, que acha que
tudo vai dar errado? Pois
saiba que você não está
sozinho, chefes inadequados
são uma espécie ainda não
extinta e que povoam muitas
organizações, desmotivando
os colaboradores, emperrando
o andamento normal das
atividades e comprometendo a
produtividade de todos.
Em recente matéria publicada
pela revista VOCÊ S/A (nº
103, janeiro de 2007), a
repórter Lílian Cunha aborda
o tema, detalhando o perfil
de diversos tipos de chefes
“difíceis”, e pedindo a
especialistas que comentem
cada caso e apresentem
sugestões de como os
funcionários deveriam
conviver com eles.
Vamos comentar o assunto,
aprofundando a abordagem e
sugerindo soluções às
organizações, que são, em
última análise, as maiores
interessadas em resolver a
questão, além de serem as
responsáveis pela
existência, em seus quadros,
desta espécie profissional
tão danosa para sua
sobrevivência.
Os principais tipos de
chefes “difíceis” ou “malas”
são:
· O preguiçoso – É aquele
tipo que repassa todas as
suas tarefas para os
subordinados. Aparentemente
ele finge estar delegando,
mas o que faz mesmo é passar
a bola, as tarefas e todo o
serviço possível para seus
comandados, é preguiçoso e
aproveitador. Este tipo é
omisso e irresponsável, pois
nem sempre as tarefas
“delegadas” estão à altura
de seus colaboradores,
ocasionando erros e
prejudicando o resultado
final.
· O paranóico – Imagina que
todos conspiram contra ele,
desconfia de tudo e de
todos, segura informações,
conspira veladamente contra
sua equipe, e no final acaba
dando motivos reais, a
todos, para agir com
reservas em relação a ele.
Este tipo gera desunião,
desmotiva a equipe e
compromete a produtividade.
· O incompetente – Este
chefe não está à altura do
cargo, não tem recursos
técnicos nem gerenciais e,
rapidamente, perde prestígio
e credibilidade, pois sua
fama de incompetente se
espalha por toda a
organização. Normalmente o
chefe incompetente procura
se cercar de outros
incompetentes também, o
resultado é uma equipe fraca
e improdutiva.
· O ditador – Ele centraliza
as decisões, as informações
e até as tarefas. Não delega
e não confia. Acaba ficando
sobrecarregado e estressado,
gerando tensão em suas
relações com a equipe. O
grupo fica acomodado com a
situação, ninguém cresce
profissionalmente e todos
acabam frustrados
profissionalmente. A tensão
é alta e a produtividade e
motivação são baixíssimas.
· O “Caxias” – Este
fiscaliza e controla tudo e
todos, e as normas, tarefas
e horários são suas
principais referencias.
Prejudica o resultado
almejado pela organização em
nome da eficiência no
cumprimento dos padrões de
condutas e horários
estabelecidos. Este tipo de
chefe engana muito as
organizações por parecer
eficiente, no entanto, sua
produtividade é baixa, pois
não é orientado para
resultados.
· O antiético – Ele é
obscuro, nunca abre o jogo,
não cumpre compromissos e
não é confiável. É
dissimulado e só confia em
si mesmo. Este tipo é
especialmente prejudicial às
organizações por estar em
cargo de confiança e ser
confundido com a própria
empresa. Seus deslizes
éticos logo aparecerão e
poderão comprometer a imagem
da companhia.
· O estrela – Este quer
aparecer sozinho, não
suporta dividir o sucesso
com os subordinados. Inibe
qualquer pretensão de
inovação, criatividade e
novas idéias, a menos que
sejam apresentadas como
suas. Ele desmotiva a
equipe, pois tenta sempre
aparecer sozinho. Tem um
marketing pessoal muito
forte, e com isto engana
seus superiores, mas no
final das contas os
resultados reais de seu
trabalho são ruins e sua
equipe é desmotivada.
· O desligado – Aquele tipo
de chefe que esquece tudo,
os compromissos, as chaves,
a agenda e até a hora das
reuniões. Precisa de uma
“babá” para assessorá-lo. Se
tiver uma boa equipe até que
pode funcionar bem, mas
precisará ter outras
qualidades. A médio e longo
prazo acaba perdendo
prestígio com o grupo. Tem
baixa produtividade.
· O irresponsável – Este
tipo não assume
responsabilidades, não
admite erros, e sempre põe a
culpa nos outros. Gera
intranqüilidade na equipe,
pois procura sempre um bode
expiatório para culpar.
Ninguém confia nele, e a
equipe não consegue
trabalhar motivada. O
resultado de seu trabalho é
um desastre.
· O pessimista – Aquele tipo
de chefe que nunca acredita
no sucesso e no potencial
das pessoas. Pessimista por
natureza é incapaz de sonhar
com algum projeto mais
ousado. Precisa de alguém
para motivar sua equipe,
pois ele é incapaz de
fazê-lo. Extremamente
prejudicial para a
organização.
É possível que muitas
empresas nem mesmo acreditem
na existência de todos estes
tipos de chefes, mas se
fizerem uma rápida pesquisa
na internet, estas
organizações ficarão
espantadas em descobrir o
grande número de comunidades
que existem no orkut falando
sobre os diversos tipos de
chefes, e mandando mensagens
nada lisonjeiras para os
mesmos. Com o objetivo de
confirmar estas informações,
basta realizar uma pesquisa
informal na chamada “rádio
corredor” de qualquer
empresa, e verificar a
opinião dos subordinados
sobre suas chefias.
Em nosso trabalho como
empresário, consultor de
marketing pessoal e gestão
de carreiras, encontramos
frequentemente todos estes
perfis de “liderança” em
diversas empresas e
organizações, como também
perfis mistos, ou seja,
chefes que podem ser uma
combinação de dois ou mais
tipos apresentados, o que é
mais grave ainda.
Estes tipos de chefias
inadequadas geram algumas
conseqüências danosas para
as organizações. As
principais são as seguintes:
· equipes desmotivadas;
· baixa produtividade;
· perda de talentos para
outras empresas;
· desperdício de mão de obra
e de talentos;
· desperdício de recursos;
· tensão interpessoal;
· baixa qualidade dos
serviços;
· falta de compromisso dos
funcionários;
· produção emperrada;
· alta rotatividade de mão
de obra.
Como vimos, as organizações
têm um grande desafio pela
frente, e precisam enfrentar
este assunto crítico para
sua sobrevivência. Sugerimos
dois tipos de procedimentos
que devem ser implantados
pelas empresas:
- em primeiro lugar, criar
um sistema de avaliação de
desempenho de chefias, para
identificar estes e outros
tipos de “lideranças”
inadequadas. Inclusive com a
implantação de entrevistas
por ocasião do desligamento
de funcionários, para
identificar possíveis
responsabilidades de uma
chefia inadequada pela saída
de um talento;
- em segundo lugar, criar um
sistema de treinamento
contínuo para as chefias,
gerências e supervisão,
visando que estes
importantes cargos sejam
ocupados por pessoas
preparadas, não apenas
tecnicamente, mas
principalmente em
habilidades para trabalho em
equipe, liderança e
relacionamento interpessoal.
Avaliar o desempenho e
treinar as chefias são as
principais tarefas a serem
realizadas por qualquer
organização para obter um
resultado satisfatório de
seus líderes organizacionais
em todos os níveis. Agindo
assim, empresas privadas e
outros tipos de organizações
conseguirão obter melhores
resultados de suas equipes
de trabalho, pois boas
lideranças conseguem motivar
equipes e obter o melhor de
cada profissional.
Ari Lima é
empresário, engenheiro,
consultor em marketing
pessoal e gestão de
carreiras e especialista em
marketing e vendas.
Desenvolve treinamento em
marketing pessoal e
marketing jurídico para
profissionais liberais,
empresas, escritórios e
estudantes universitários.
Ministra cursos, seminários
e palestras realçando o lado
prático e funcional do
marketing e escreve artigos
diariamente para diversos
sites e revistas. Além de
uma sólida formação teórica,
possui 25 anos de
experiência prática em
gerenciamento e treinamento
de vendedores e de gerentes
de vendas, bem como
atendimento a clientes.

