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Como Negociar com Qualidade

Por Fernando Silveira

06/03/2004


“ É preciso antes de tudo investir em educação, treinando os recursos humanos necessários para operar a nova era e valorizar a mão de obra nacional “ ( M. H.Simonsen )

Não basta saber negociar!
Você sabe que os cenários mudam muito rapidamente e o paradigma de hoje pode ser o cenário ultrapassado de amanhã.
Portanto, se já atue você em algum segmento que direta ou indiretamente use a ferramenta negociação, seja em logística, suprimentos, vendas, compras, trabalhista, sindical ou empresarial é preciso ter em mente que os tempos são outros e que o ambiente-empresa está em rápida e permanente mutação, sempre apresentando dramáticos avanços e, não raro, até surpresas!
Em logística, por exemplo, quem negocia tem que procurar antecipar-se aos fatos para poder estar em vantagem competitiva, agregando valor não somente a seu desempenho pessoal como sobretudo pela performance empresarial.
É preciso inovar sempre ! Inovar com a utilização de modelos e ferramentas úteis para tornar a negociação ainda mais produtiva, mais lucrativa.
Neste sentido há muito que se aproveitar das abordagens da Qualidade Total (QT) e por mais que este assunto já tenha sido posto em debate... façamos uma breve reflexão e vejamos alguns pontos interativos entre a QT e a negociação:
Como a QT, negociação também é um processo contínuo e não apenas um programa.
Ela não se encerra simplesmente quando ocorre um ajuste de vontades, quando se chega a um acordo, quando se fecha um negócio ou assina um contrato. Na realidade, concluída a negociação os relacionamentos e as experiências dali resultantes servirão para realimentar próximos eventos de negociação e formarão um verdadeiro banco de dados das vivências acumuladas, registrando os acertos e os eventuais desvios de rota para servirem de correção de rumo no futuro.
Negociação não é um simples jogo, já que não contempla o conceito de vencedores e vencidos.
Da visão de QT do mestre Kaoru Ishikawa podemos tirar e aplicar as lições do permanente enfoque na dimensão humana. No fantástico mundo da evolução tecnológico-empresarial e por mais sofisticada e automatizada que seja a organização quem negocia e negociará sempre serão as pessoas e nunca os computadores ou máquinas!
Portanto, é oportuno lembrar: assim como a afirmação do citado mestre que a “Qualidade Total é a administração baseada no respeito à humanidade” e “se as pessoas forem tratadas como máquinas o trabalho será desinteressante e insatisfatório”, negociação também contempla um enfoque fortemente centrado nas pessoas.
É dentro desta premissa que o projeto Harvard de Negociação, de Fischer ,Ury e Patton, (Getting to Yes!) tem como uma de suas bases conceituais separar as pessoas dos problemas tão importante é o elemento humano nas ações negociais.
Você negociará qualitativamente considerando sempre a abordagem no cliente.
Aqui se ajusta outro paradigma da QT, “o primeiro passo é conhecer as necessidades do cliente “. Portanto um desempenho qualitativo em negociação será trabalhar vendo no outro negociador um legítimo elo do processo que ali está para se somar às nossas expectativas e ao objetivo final de nossa proposição, produto ou serviço. Daí a conclusão de que ao se formular qualquer objetivo em uma negociação o foco deverá ter sempre como resultante o cliente.
Dentro ainda desse enfoque devemos considerar que o outro negociador também trabalha para alcançar objetivos válidos e está sujeito às interferências das variáveis profissionais, pessoais, psicológicas e sócio-econômicas. Conseqüentemente temos que usar o máximo de empatia para melhor avaliar nossa ação negociadora e podermos obter resultados com padrões qualitativos.
Negociação depende de educação e treinamento intensivos.
“Qualidade começa com educação e termina com educação” afirma o citado mestre oriental. Logo é importante que o negociador procure sempre o conhecimento, reciclando-se permanentemente e tenha como modelo de ação a consciência de não agir como quem já sabe tudo sobre negociar, por mais vivência e experiência que consiga acumular.
Na realidade estamos sempre aprendendo e reaprendendo em cada negociação onde atuarmos, seja ela em que campo for da organização ou até pessoal, razão clara de buscarmos postura de procurar melhorar sempre o aperfeiçoamento profissional cuja resultante será mais qualidade em nossas ações.

Fernando Silveira, Administrador e Advogado, é especialista em Negociação atuando desde 1982 em todo o país e pode ser acessado pelo endereço fsilveira10@msn.com


 

No mínimo podemos dizer que o este título é antagônico!

 - Sim, ele o é!

 Então vamos começar pelos emblemáticos. Um dos grandes líderes mundiais é Jesus Cristo. Mas para se tornar líder, foi preciso perder o que nós mais gostamos de ter, a vida. Sua morte é o motivo de sua veneração. A abnegação à missão que lhe foi dada e que incontestavelmente ele cumpriu o fez se tornar o maior símbolo de amor ao próximo revolucionando todas as crenças em nossa história.

 Mahatma Gandhi abdicou de sua formação em direito para lutar pela independência de seu povo. Ora, um advogado formado na tradicional e respeitada escola britânica com certeza teria trabalho garantido em qualquer lugar do mundo. Mas o líder gastou todas as suas energias, até também, perder a vida, para dar ao seu povo a liberdade. Além disso, soube ceder, uma parte da Índia para que fosse formado um estado mulçumano, hoje o Paquistão, e assim a guerra civil naquele estado tivesse fim sendo a Índia hoje uma das mais expansivas economias mundiais. 

Henry Ford um dos maiores símbolos do capitalismo mundial e criador da linha de montagem foi ousado e “abusado” ao declarar que: “Você pode ter o carro da cor que quiser, contanto que ele seja preto”. Lógico que isto é algo que hoje é totalmente fora de cogitação e que, mesmo em sua época foi a deixa para que seus concorrentes o tomassem a liderança no mercado. No entanto, naquele momento ele tinha um objetivo especifico e muito bem definido, qual acredito, não era se tornar líder e sim rentável. Conseguiu. Perdeu a hegemonia, mas a Ford existe até hoje, não é líder, mas deixou um enorme legado.

Sun Tzu, conhecido pela excelência estratégica na arte da guerra que hoje é trazida as nossas mesas de negociações e planejamento, dizia: “Dê ao seu adversário a esperança de ganhar a batalha”. Mais uma vez um líder falando, ao seu modo, de doar. Sun Tzu, qual pessoalmente admiro, por gostar de artes marciais, era um calculista. Ele sabia muito bem que, quando ganhamos algo, nos tornamos mais abertos e suscetíveis.  É aí que o líder ganha, quando sua equipe está aberta, e ela assim como uma flor ao sol, só se abre se o vê aberto também.

Somos detentores. Tomamos posse de quase tudo em nossa volta. O que mais diferencia as pessoas citadas acima, e muitas outras, é o poder da entrega. E o que é a entrega? - É esse negócio que nós chamamos de perder. Estas pessoas vencerem, porque não encararam o que fizeram como perda e sim como entrega. Estamos cheios de “meus, meus, meus”. O ter traz puder e então não queremos abrir mão das coisas, não queremos nos sentir derrotado.  

O pior é quando esta posse não nos pertence, nem de fato nem de direito. Você conhece pessoas assim, até brincamos com elas: “minha cadeira, minha mesa, meu armário, minha equipe, etc.” aí dizemos: “puxa... já comprou a empresa”.  

No entanto, todos nós temos um pouco ou muito disso. Não vamos escapar disso, nenhum de nós conseguirá escapar, podemos ceder no trabalho, mas queremos ganhar sempre em casa, cedemos em casa e queremos ser absolutos no trabalho. Enfim, perder é duro. Ganhar sempre, sempre é bom.

Até os emblemáticos fizeram isso: - “Ninguém vai ao pai se não por mim” – Jesus Cristo disse isso. E o pai que ele fala é o dele. Isso mesmo, o pai dele. Mas ele pode, aliás, ele pode muito. Gandhi no alto de sua sabedoria e humildade proferiu: "Creio poder afirmar, sem arrogância e com a devida humildade, que a minha mensagem e os meus métodos são válidos, em sua essência, para todo o mundo".  Ford dispensa comentários, afinal todos eram pretos. E nosso grande guerreiro Sun Tzu: “a guerra é de vital importância para o Estado; é o domínio da vida ou da morte, é o caminho para a sobrevivência ou a perda do Império: é preciso manejá-la bem”.

Quando nos tornamos pais uma das mais árduas missões é ensinar nossos filhos a perderem. Temos uma frase, que efeito, muitas vezes, causa nenhum: “O importante é competir.”- Sério? - E porque você gritava tanto na arquibancada? – “vai filho, vai filho, força, vamos ganhar...” - E porque gingava tanto o juiz, o que a pobre mãe dele nos fez para ser tão insultada?

Não somos feitos de derrota. Perder não é agradável. Mas ceder não pode significar perder. Ceder é tão duro, tão penoso, que quando não podemos fazer isso, nos desculpamos. Meu avô me ensinou: -“Quando não puder dá uma esmola, então pessa perdão.” E isso se perpetua. 

E quando de fato não podemos doar? Simples: quando nos fará falta ou quando não temos! A palavra “doar” é tão perto da “dor” que somente um “a” as diferenciam. Talvez, Freud explica, nosso inconsciente pense assim.

Como algo que não me pertence pode me fazer falta? Se ainda não tenho e é difícil conseguir, porque não me aliar para ter o que preciso? Aliar significa repartir, dividir. Poucas vezes estamos dispostos a isso. Pois isso é ceder, é deixar um pedaço para alguém, um pedaço que poderia ser meu, então eu o perdi.

Esse modelo mental além de perigoso é pobre. Acreditem nisso. São Francisco de Assis, um dos mais benevolentes da nossa história, é enfático em dizer: “É dando que se recebe...” Não cabe aqui, discutirmos preferência religiosa, mas refletir sobre filosofia de vida; “compreender que ser compreendido / é perdoando que se é perdoado...” Isso é ceder para receber. Só posso esperar ganhar algo quando dou algo.

Somos tão egoístas que nem para nós mesmos nos doamos. Qual a última vez que você se deu tempo e contemplou um pôr de sol? Ou se inscreveu num curso sobre algo que ainda não conhece a fundo? Qual o último amigo que você visitou? A última vez que andou descalço? Você seria capaz de ainda responder as tarefas de seu filho que está na quinta série?

Vivemos num absolutismo onde o certo é sempre acertar e de preferência que o tiro tenha sido o meu!

Não ter, não possuir, não deter é tão cruel que nos faz marginal. Você perde quando seu vizinho troca o carro e você ainda não. Você perde quando seu colega é promovido e você ainda não. Você perde quando sua irmã mais nova se casa e você ainda não. Você sofre quando o time adversário ganha e o seu ainda, ainda, ainda não, se ele cair pior ainda.

Se doar fosse fácil, não haveria tantas campanhas de doação de órgãos mesmo sendo sabedores que seus “donos” não mais poderão usá-los, mesmo assim doamos pouco. Isso nada mais é que o sofrível sentimento de perda.

Como líderes temos que saber que, se doar à equipe não é realizar suas tarefas, mas conduzi-las de forma que todos ganhem. A equipe será vencedora quando você o for. Você será vencedor quando sua doação for favorável ao que precisa ser feito. Você pode doar seu tempo, conhecimento, atitude, suor, empatia, calor, amor, suas mãos e mente. Você pode substituir aquele que, gripado faltou. Você pode aprender o serviço do outro setor. Você pode vencer, se tiver em si a permissão de doar, de aprender.

Doar conhecimento é a coisa mais rápida e fácil do mundo. A equipe pode falar sua língua, “rezar o seu credo”, erguer sua bandeira, ser servidora, leal e disposta, mas para isso você precisa se doar a ela. Seja aberto, divida, dê a eles um pouco de você. Não o que eles já possuem como sua gratuita aparência ou os bens que ostentas pelo alto salário que recebe ou as suas condecorações de chefe. Mas, pelo seu “eu”. Como fizestes? Qual a sua história? Onde estudou e o que aprendeu? O que pode ensinar? Pronto, você está doando e vencerá.  

Ser um campeão mesmo doando é fácil. Difícil é ter que ficar com LER de tanto dar autógrafos em sua autobiografia.


GLAUBERTO LOURENÇO

Com 19 anos de atuação no mercado. Iniciou suas atividades no mercado financeiro, como Operador de Crédito. Atuou em empresas como: Banco Real, Banco ABN AMRO (Aymoré Financiamentos), Decagi Auto-Socorro, DCG Rent a Car, Domínio Treinamentos- S.O.S Educação Profissional, atualmente está a frente da área comercial da Softium Informática e atua como consultor de Marketing para a BIT Company – Fortaleza. Frequentemente ministra palestras de Marketing Pessoal, Empregabilidade e facilita cursos de Atendimento e Vendas. Gerente comercial e marketing de carreira, aredita que toda estratégia deve ser voltada aquele que produz e consume: O Homem.