A questão é simples: como uma empresa que tem
produtos e serviços muito superiores, com preços
mais altos, consegue lidar com concorrentes que tem
produtos e serviços inferiores, mas preços mais
baixos?
A questão toda, aqui, gira em torno da relação
custo-benefício. Nesse caso, os benefícios
percebidos pelos clientes são iguais ou levemente
menores nos concorrentes do que na sua própria
proposta, e o preço dos concorrentes é mais baixo. O
resultado final é que os clientes acabam comprando
do concorrente. Mostrando de forma simples:
Benefícios empresa A=10 Preço (custo) empresa A=2,5
Relação C/B: 4
Benefícios empresa B=8 Preço (custo) empresa B=1,6
Relação C/B: 5
Nesse exemplo, obviamente simplificado ao excesso,
já dá para entender que a grande maioria dos
clientes tenderá a comprar da empresa B.
O mercado se divide entre quem vende benefícios e
quem vende preço. Quem vende preço é paranóico e
surdo. Qualquer argumento que for usado, eles só
respondem uma coisa: “mas é mais barato”. Repetem
isso até a exaustão, mesmo nas situações mais
esdrúxulas. Repetem tanto que acabam convencendo os
clientes. Aí o pessoal que vende qualidade, ao invés
de usar a mesma estratégia e repetir paranoicamente
a questão dos benefícios, não... pede desculpas pelo
preço. E apanham no mercado quando isso acontece.
Vamos começar com benefícios. Um dos maiores erros
que vejo é a tendência exagerada que empresas de
excelente qualidade têm em enfatizar aspectos
técnicos sem vincular isso diretamente a um
benefício para o cliente. É o famoso “E daí? E o
Kiko (o kikotenhocomisso)? Por exemplo: “Este tênis
tem molas de titânio”. E daí? Mola de titânio não
vende. Tem de traduzir isso para que o cliente
entenda e perceba um benefício.
A maneira mais simples de resolver isso é aplicando
a fórmula: “X tem Y, então Z”. Traduzindo: “Este
carro tem motor 1.0, então é mais econômico”. “Este
tênis tem molas de titânio, então o impacto é
menor”. Veja que dá para melhorar: qual o benefício
final de ser econômico? Qual o benefício final se
ter menos impacto? Todo material da empresa, seja
folder, panfleto, anúncio ou site deve reforçar os
benefícios, baseando-se nos fatos técnicos e
reforçando a qualidade, mas sempre trazendo de volta
para o benefício.
Agora surge um outro problema: poucos clientes têm
realmente condições de julgar tecnicamente se um
produto ou serviço é realmente superior ao do
concorrente, principalmente quando falamos de
business to consumer (em business to business é um
pouco diferente, porque subentende-se que tem um
comprador técnico negociando do outro lado). Então
empresas com qualidade superior tem de ser
paranóicas na questão “treinamento de clientes” –
educar os clientes a comprar, a fazer perguntas, a
comparar.
Cursos, livros, treinamentos, artigos,
demonstrações, estudos técnicos, pesquisas, utilizar
testemunhais... enfim, existem dezenas de formas de
mostrar ao mundo que seu produto ou serviço é
realmente superior, e raramente vejo isso ser usado
no Brasil. Se você for aos EUA, por exemplo, verá
que eles têm números, gráficos e estudos para
comparar tudo. No Brasil é tudo no achismo. E por
achar, bons e maus concorrentes acabam misturados
todos no mesmo saco. O cliente fica confuso e acaba
comprando o mais barato.
Se você vende qualidade, é seu dever demonstrar a
diferença de forma séria, porém criativa. Lembre-se
também de fazer pós-venda. Não adianta falar para o
cliente que sua vida vai mudar depois de comprar de
você, e um mês depois nem lembrar mais que ele
existe. Agora que ele comprou de você, você é
responsável pelo sucesso do seu cliente enquanto a
relação durar. Fazendo isso, você estimulará não só
a recompra, mas também o marketing boca a boca.
A questão é simples: como uma empresa que tem
produtos e serviços muito superiores, com preços
mais altos, consegue lidar com concorrentes que tem
produtos e serviços inferiores, mas preços mais
baixos?
A questão toda, aqui, gira em torno da relação
custo-benefício. Nesse caso, os benefícios
percebidos pelos clientes são iguais ou levemente
menores nos concorrentes do que na sua própria
proposta, e o preço dos concorrentes é mais baixo. O
resultado final é que os clientes acabam comprando
do concorrente. Na parte um deste artigo, foi
apresentado dois pontos, confira agora os demais
pontos.
O marketing boca a boca nos leva ao terceiro ponto,
que é a influência dos formadores de opinião. Toda
empresa deveria ter, dentro do seu planejamento de
marketing, verbas específicas para incentivar
positivamente os influenciadores. Imagine um caso de
venda de colchões: quais são os problemas causados
por um colchão ruim? Sono, cansaço, dor de cabeça,
dor nas costas, etc. Médicos, então, seriam
potenciais influenciadores, por serem procurados por
quem sofre as conseqüências. Mas podemos ampliar
esse grupo para massagistas, personal trainers e até
cabeleireiros, por que não? Treinar e educar esses
formadores de opinião, que falam com dezenas de
pessoas por dia, trará resultados, além de criar uma
verdadeira muralha contra a concorrência.
Empresas que vendem qualidade tem de ser mais uma
vez paranóicas no relacionamento com clientes e isso
nos leva ao nosso quarto ponto de hoje, que é o uso
consistente dos testemunhais (já estudados aqui no
Gestão em Vendas). Faz 10 anos que eu insisto no
assunto e até dediquei um capítulo inteiro do meu
livro VendaMais só para ensinar como é que se faz.
Mas continuo assombrado como ninguém usa. Com tantas
empresas gritando que tem qualidade e confundindo
clientes, uma arma inegável de diferenciação é a
opinião de outras pessoas que compraram. Só para
você ter idéia, em 1991, estudei o caso de uma
empresa que fez uma mala direta normal e colocou uma
página de testemunhais para ver o que acontecia:
aumentaram as respostas e as compras. Aí eles
resolveram dobrar para duas páginas de testemunhais:
aumentaram as vendas de novo. Na última vez que vi,
a mala direta estava com 64 páginas de testemunhais
– e as vendas aumentando! Se você ainda não utiliza
testemunhais, certamente está perdendo vendas.
O quinto e último passo é saber que benefícios
oferecidos pelo produto/serviço são realmente
valorizados pelos clientes. É outra situação comum:
empresas de qualidade melhoram tanto que acabam
oferecendo coisas que os clientes não querem. Vem um
concorrente mais barato oferecendo uma versão
simples e faz o maior sucesso. Clayton Christensen
mostrou claramente como isso ocorre no seu livro O
Dilema da Inovação.
Então, a empresa tem de fazer duas coisas: ter uma
linha de produtos mais simples, de combate, para
situações onde o cliente não quer muito mais do que
os atributos mais básicos e outra premium, vendendo
valor agregado. As empresas aqui se enrolam porque
querem tratar tudo da mesma forma. Obviamente não
dá. Precisam de um planejamento diferente, marketing
e posicionamento diferente, até mesmo uma nova forma
de comissionar os vendedores. Aliás, é preciso
também segmentar os clientes, pois grupos de
clientes diferentes exigem atributos diferentes de
um mesmo produto ou serviço. Essas diferenças devem
ser tratadas corretamente, adaptando-se todos os
esforços de marketing da empresa para lidar de forma
diferenciada com cada grupo-alvo. Isso pode ser
claramente organizado/visualizado usando uma Matriz
de Priorização, ferramenta também já vista num
Gestão em Vendas anterior. É só colocar os atributos
(qualidade, rapidez, durabilidade, etc.) de um lado
e os tipos de cliente do outro, montar a matriz e a
partir daí estabelecer metas e planejamento
diferenciados por segmento de clientes.
Michael Porter diz que só existem duas formas de
competir: diferenciação ou preço baixo. Empresas que
escolhem o primeiro caminho tem de entender que
devem se preparar para lutar contra o preço baixo.
Dá muito mais trabalho, mas não é difícil. Só tem de
saber exatamente o que o cliente realmente valoriza,
além do preço, e trabalhar de forma paranóica para
ser percebido por oferecer qualidade por um preço
justo. A ênfase é nos benefícios e na diferenciação.
Raúl Candeloro (raul@vendamais.com.br) é palestrante
e editor das revistas VendaMais®, Motivação® e
Liderança®, além de autor dos livros Venda Mais,
Correndo Pro Abraço e Criatividade em Vendas.
Formado em Administração de Empresas e mestre em
empreendedorismo pelo Babson College, é responsável
pelo portal www.vendamais.com.br.

