Competência em gestão não é conceito, é cultura
Por Ivan Postigo
08/01/2011
Já notou que para algumas pessoas e empresas tudo dá certo, enquanto para
outros, por mais esforços que façam, parece que nada se encaixa?
Nesses momentos ouviremos: - Ah, eles têm sorte!
Certamente você leu ou ouviu dizer que sorte é o encontro da oportunidade com a
competência.
Poderíamos considerar também que a sorte aparece quando a oportunidade encontra
o conhecimento, não?
Diz um amigo que isso é como um conto de fadas: a princesa oportunidade é
apresentada ao príncipe conhecimento. Sentem-se atraídos, se casam e distribuem
como presente a sorte no reino. Por isso vivem felizes para sempre.
Isso me fez lembrar uma conversa sobre sucesso. A história nos foi contada mais
ou menos assim:
Um dia, aborrecidos com os maus resultados, resolvemos fazer uma pesquisa e
estudar as razões da enorme sorte de alguns, afinal esta poderia estar ligada à
data de nascimento, posição dos astros, cidades e países em que nasceram,
horários que se deitam ou acordam, santos que veneram, crenças, padrinhos, enfim
a lista é longa.
Apanhamos as trajetórias de vários sortudos e sobre elas nos debruçamos, fazendo
comparações, procurando pontos coincidentes.
Depois de horas de estudos, vimos que nada “batia”. Percebemos que o músico
praticava doze horas por dia, o jogador de futebol ficava sozinho, depois do
treino, repetindo mil cobranças de faltas, o jogador de basquete fazia milhares
de arremessos, o atleta corria todos os dias quinze quilômetros de madrugada, o
poeta estudava e escrevia durante horas e viviam batendo em portas para
conseguir um apoio, o pintor quase não comia para comprar as tintas que consumia
em um ritmo frenético, e assim as histórias se repetiam.
O único ponto comum é que foram vistos, seus talentos percebidos e valorizados.
Ainda não contentes, resolvemos entrevistá-los. Descobrimos que fatos como esses
ocorrem muitas vezes, mas poucos foram valorizados nos primeiros encontros.
Alguns até pensaram em desistir, mas a paixão pelo que fazem é que os impediu.
Refletimos um pouco mais: O sucesso poderia ser devido à técnica que usavam.
Horas de observações e estudos, então concluímos que também não fazia sentido.
Em nossas empresas tentamos todas as técnicas que nos recomendaram, algumas até
geraram resultados, mas logo foram abandonadas.
Quando as equipes conseguiam avanços a implantação era demorada e conflituosa,
por fim ocorria a solução da continuidade. De modo geral não havia grande
envolvimento das pessoas com as novidades.
Observamos que esse fato era muito comum nos poucos cursos e seminários que
participamos, achando exagerado o entusiasmo de algumas pessoas com os novos
conceitos.
Por essa razão resolvemos fazer algumas visitas e começamos a notar que nessas
empresas os fatos formavam um paralelo com as histórias de vida que pesquisamos:
Muito estudo, dedicação e trabalho.
O ambiente se mostrou diferente do que temos nossas organizações. As pessoas não
só dominavam os assuntos, mas os consideram fáceis de serem tratados e
implantados.
A primeira reação foi imaginar que estavam há muito tempo envolvidos com as
questões. Para nossa surpresa começaram os projetos há pouco tempo, fato que nos
deixou intrigados.
Ao especular sobre várias técnicas percebemos que estas não eram apenas do
conhecimento dos seus principais gestores, mas também dos demais colaboradores.
Algumas foram implantadas com sucesso e rapidamente.
Nesse momento uma luz se acendeu e entendemos que competência em gestão não é
conceito, é cultura.
Esse é o fator que construiu as histórias de sucesso que estivemos estudando.
Nossa missão agora mudou, o segredo foi revelado: Temos que criar e desenvolver
esse ambiente em nossas organizações para ter sucesso.
Realmente temos que concordar com o que nos foi relatado, e você como vê essa
questão na sua empresa?
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
Empresarial - Fones (11) 4526 1197 / ( 11 ) 9645 4652
www.postigoconsultoria.com.br - ipostigo@terra.com.br
No mínimo podemos dizer que o este título é antagônico!
- Sim, ele o é!
Então vamos começar pelos emblemáticos. Um dos grandes líderes mundiais é Jesus
Cristo. Mas para se tornar líder, foi preciso perder o que nós mais gostamos de
ter, a vida. Sua morte é o motivo de sua veneração. A abnegação à missão que lhe
foi dada e que incontestavelmente ele cumpriu o fez se tornar o maior símbolo de
amor ao próximo revolucionando todas as crenças em nossa história.
Mahatma Gandhi abdicou de sua formação em direito para lutar pela independência
de seu povo. Ora, um advogado formado na tradicional e respeitada escola
britânica com certeza teria trabalho garantido em qualquer lugar do mundo. Mas o
líder gastou todas as suas energias, até também, perder a vida, para dar ao seu
povo a liberdade. Além disso, soube ceder, uma parte da Índia para que fosse
formado um estado mulçumano, hoje o Paquistão, e assim a guerra civil naquele
estado tivesse fim sendo a Índia hoje uma das mais expansivas economias
mundiais.
Henry Ford um dos maiores símbolos do capitalismo mundial e criador da linha de
montagem foi ousado e “abusado” ao declarar que:
“Você pode ter o carro da cor que quiser, contanto que ele seja preto”. Lógico
que isto é algo que hoje é totalmente fora de cogitação e que, mesmo em sua
época foi a deixa para que seus concorrentes o tomassem a liderança no mercado.
No entanto, naquele momento ele tinha um objetivo especifico e muito bem
definido, qual acredito, não era se tornar líder e sim rentável. Conseguiu.
Perdeu a hegemonia, mas a Ford existe até hoje, não é líder, mas deixou um
enorme legado.
Sun Tzu, conhecido pela excelência estratégica
na arte da guerra que hoje é trazida as nossas mesas de negociações e
planejamento, dizia: “Dê ao seu adversário a esperança de ganhar a batalha”.
Mais uma vez um líder falando, ao seu modo, de doar. Sun Tzu, qual pessoalmente
admiro, por gostar de artes marciais, era um calculista. Ele sabia muito bem
que, quando ganhamos algo, nos tornamos mais abertos e suscetíveis. É aí que o
líder ganha, quando sua equipe está aberta, e ela assim como uma flor ao sol, só
se abre se o vê aberto também.
Somos detentores. Tomamos posse de quase tudo em nossa volta. O que mais
diferencia as pessoas citadas acima, e muitas outras, é o poder da entrega. E o
que é a entrega? - É esse negócio que nós chamamos de perder. Estas pessoas
vencerem, porque não encararam o que fizeram como perda e sim como entrega.
Estamos cheios de “meus, meus, meus”. O ter traz puder e então não queremos
abrir mão das coisas, não queremos nos sentir derrotado.
O pior é quando esta posse não nos pertence, nem de fato nem de direito. Você
conhece pessoas assim, até brincamos com elas: “minha cadeira, minha mesa, meu
armário, minha equipe, etc.” aí dizemos: “puxa... já comprou a empresa”.
No entanto, todos nós temos um pouco ou muito disso. Não vamos escapar disso,
nenhum de nós conseguirá escapar, podemos ceder no trabalho, mas queremos ganhar
sempre em casa, cedemos em casa e queremos ser absolutos no trabalho. Enfim,
perder é duro. Ganhar sempre, sempre é bom.
Até os emblemáticos fizeram isso: - “Ninguém vai
ao pai se não por mim” – Jesus Cristo disse isso. E o pai que ele fala é
o dele. Isso mesmo, o pai dele. Mas ele pode, aliás, ele pode muito. Gandhi no
alto de sua sabedoria e humildade proferiu: "Creio poder afirmar, sem arrogância
e com a devida humildade, que a minha mensagem e os meus métodos são válidos, em sua essência, para todo o mundo". Ford dispensa comentários, afinal todos eram
pretos. E nosso grande guerreiro Sun Tzu: “a
guerra é de vital importância para o Estado; é o domínio da vida ou da
morte, é o caminho para a sobrevivência ou a perda do Império: é preciso
manejá-la bem”.
Quando nos tornamos pais uma das mais árduas
missões é ensinar nossos filhos a perderem. Temos uma frase, que efeito, muitas
vezes, causa nenhum: “O importante é competir.”- Sério? - E porque você gritava
tanto na arquibancada? – “vai filho, vai filho, força, vamos ganhar...” - E
porque gingava tanto o juiz, o que a pobre mãe dele nos fez para ser tão
insultada?
Não somos feitos de derrota. Perder não é
agradável. Mas ceder não pode significar perder. Ceder é tão duro, tão penoso,
que quando não podemos fazer isso, nos desculpamos. Meu avô me ensinou: -“Quando
não puder dá uma esmola, então pessa perdão.” E isso se perpetua.
E quando de fato não podemos doar? Simples:
quando nos fará falta ou quando não temos! A palavra “doar” é tão perto da “dor”
que somente um “a” as diferenciam. Talvez, Freud explica, nosso inconsciente
pense assim.
Como algo que não me pertence pode me fazer
falta? Se ainda não tenho e é difícil conseguir, porque não me aliar para ter o
que preciso? Aliar significa repartir, dividir. Poucas vezes estamos dispostos a
isso. Pois isso é ceder, é deixar um pedaço para alguém, um pedaço que poderia
ser meu, então eu o perdi.
Esse modelo mental além de perigoso é pobre.
Acreditem nisso. São Francisco de Assis, um dos mais benevolentes da nossa
história, é enfático em dizer: “É dando que se recebe...” Não cabe aqui,
discutirmos preferência religiosa, mas refletir sobre filosofia de vida;
“compreender que ser compreendido / é perdoando que se é perdoado...” Isso é
ceder para receber. Só posso esperar ganhar algo quando dou algo.
Somos tão egoístas que nem para nós mesmos nos
doamos. Qual a última vez que você se deu tempo e contemplou um pôr de sol? Ou
se inscreveu num curso sobre algo que ainda não conhece a fundo? Qual o último
amigo que você visitou? A última vez que andou descalço? Você seria capaz de
ainda responder as tarefas de seu filho que está na quinta série?
Vivemos num absolutismo onde o certo é sempre
acertar e de preferência que o tiro tenha sido o meu!
Não ter, não possuir, não deter é tão cruel que
nos faz marginal. Você perde quando seu vizinho troca o carro e você ainda não.
Você perde quando seu colega é promovido e você ainda não. Você perde quando sua
irmã mais nova se casa e você ainda não. Você sofre quando o time adversário
ganha e o seu ainda, ainda, ainda não, se ele cair pior ainda.
Se doar fosse fácil, não haveria tantas
campanhas de doação de órgãos mesmo sendo sabedores que seus “donos” não mais
poderão usá-los, mesmo assim doamos pouco. Isso nada mais é que o sofrível
sentimento de perda.
Como líderes temos que saber que, se doar à
equipe não é realizar suas tarefas, mas conduzi-las de forma que todos ganhem. A
equipe será vencedora quando você o for. Você será vencedor quando sua doação
for favorável ao que precisa ser feito. Você pode doar seu tempo, conhecimento,
atitude, suor, empatia, calor, amor, suas mãos e mente. Você pode substituir
aquele que, gripado faltou. Você pode aprender o serviço do outro setor. Você
pode vencer, se tiver em si a permissão de doar, de aprender.
Doar conhecimento é a coisa mais rápida e fácil
do mundo. A equipe pode falar sua língua, “rezar o seu credo”, erguer sua
bandeira, ser servidora, leal e disposta, mas para isso você precisa se doar a
ela. Seja aberto, divida, dê a eles um pouco de você. Não o que eles já possuem
como sua gratuita aparência ou os bens que ostentas pelo alto salário que recebe
ou as suas condecorações de chefe. Mas, pelo seu “eu”. Como fizestes? Qual a sua
história? Onde estudou e o que aprendeu? O que pode ensinar? Pronto, você está
doando e vencerá.
Ser um campeão mesmo doando é fácil. Difícil é
ter que ficar com LER de tanto dar autógrafos em sua autobiografia.
GLAUBERTO LOURENÇO
Com 19 anos de atuação no mercado. Iniciou suas atividades no mercado
financeiro, como Operador de Crédito. Atuou em empresas como: Banco Real, Banco
ABN AMRO (Aymoré Financiamentos), Decagi Auto-Socorro, DCG Rent a Car, Domínio
Treinamentos- S.O.S Educação Profissional, atualmente está a frente da área
comercial da Softium Informática e atua como consultor de Marketing para a BIT
Company – Fortaleza. Frequentemente ministra palestras de Marketing Pessoal,
Empregabilidade e facilita cursos de Atendimento e Vendas. Gerente comercial e
marketing de carreira, aredita que toda estratégia deve ser voltada aquele que
produz e consume: O Homem.