Competência para prosperar
Por Evaldo Costa
09/01/2009
Qual é o tipo de líder que comanda a sua empresa? Ele é disseminador de
conhecimento ou do tipo que se acha o todo poderoso? Há nas organizações muitos
tipos de líderes, mas dois grupos são mais conhecidos: os que repassam o
conhecimento e os que concentram em si todas as informações.
Os que segregam informações o fazem por crer que quanto mais conteúdo reter mais
poderoso se tornará. Agir assim pode até funcionar por algum tempo, mas logo sua
mascará cairá, ficará vulnerável, perderá credibilidade é o poder tão desejado.
No jargão popular é o equivalente a dizer que quem age assim está cavando a sua
própria sepultura.
O segundo tipo de líder, o que dissemina a informação, é o que naturalmente
conquista mais a admiração e o respeito dos seguidores. Ele sabe que precisa
desenvolver o seu próprio know-how e, também, o de seus liderados. Afinal de
contas, ele reconhece que a competência é o somatório do conhecimento técnico e
da habilidade interpessoal. O verdadeiro líder deve conhecer bem a si próprio e
os seus limites.
O dirigente vencedor sabe que o conhecimento precisa ser exercitado para ser
renovado. Ele sabe que quanto mais o conhecimento é exercitado mais ele será
multiplicado, afinal de contas, ele é perecível. Se alguém o detiver por algum
tempo ele perderá o seu valor e logo surgirá uma informação mais valiosa que o
suplantará. Além do mais, é bom lembrar que a informação só é poder se usada de
forma direcionada e inteligente. Também, nunca é demais salientar, que na gestão
do conhecimento e na geração da internet, há grande variedade de conteúdo
disponível para quem estiver disposto a pesquisar esteja onde estiver.
O fato é que o verdadeiro líder é reconhecido não pelo número de pessoas que
comanda e sim pelo número de gente que ajuda a formar. Portanto, se alguém aí é
candidato a líder é bom saber que precisa estar preparado a doar-se para formar
seguidores bem preparados e dispostos a doar-se por uma boa causa. Do contrário
não terá boas recordações para contar aos netos.
Para o magnífico escritor James C. Hunter em seu memorável livro “O Monge e o
Executivo”, o líder deve procurar servir aos seus liderados, compartilhando seus
problemas, indicando o caminho e fazendo-os sentir-se bem. James Hunter
evidencia, também, que o paradigma empresarial está mudando e, com ele, a
atuação dos comandantes também. Segundo afirma, o líder deve estar atento ao
comportamento humano e, para isso, recomenda atenção especial às diferenças
conceituais entre liderança, poder e autoridade, que diz ter os seguintes
significados:
“Liderança: É a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem
estusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o
bem comum”.
“Poder: É a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade, por causa
de sua posição ou força, mesmo que a pessoa preferisse não o fazer”.
“Autoridade: A habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que
você quer por causa de sua influência pessoal”.
E aí, estamos verdadeiramente alinhados com o modelo de liderança dos dias
atuais?
Pense nisso e ótima semana.
Evaldo Costa é Escritor, Consultor, Conferencista e Professor. Autor dos livros:
“Alavancando resultados através da gestão da qualidade”, “Como Garantir Três
Vendas Extras Por Dia” e co-autor do livro “Gigantes das Vendas”
No mínimo podemos dizer que o este título é antagônico!
- Sim, ele o é!
Então vamos começar pelos emblemáticos. Um dos grandes líderes mundiais é Jesus
Cristo. Mas para se tornar líder, foi preciso perder o que nós mais gostamos de
ter, a vida. Sua morte é o motivo de sua veneração. A abnegação à missão que lhe
foi dada e que incontestavelmente ele cumpriu o fez se tornar o maior símbolo de
amor ao próximo revolucionando todas as crenças em nossa história.
Mahatma Gandhi abdicou de sua formação em direito para lutar pela independência
de seu povo. Ora, um advogado formado na tradicional e respeitada escola
britânica com certeza teria trabalho garantido em qualquer lugar do mundo. Mas o
líder gastou todas as suas energias, até também, perder a vida, para dar ao seu
povo a liberdade. Além disso, soube ceder, uma parte da Índia para que fosse
formado um estado mulçumano, hoje o Paquistão, e assim a guerra civil naquele
estado tivesse fim sendo a Índia hoje uma das mais expansivas economias
mundiais.
Henry Ford um dos maiores símbolos do capitalismo mundial e criador da linha de
montagem foi ousado e “abusado” ao declarar que:
“Você pode ter o carro da cor que quiser, contanto que ele seja preto”. Lógico
que isto é algo que hoje é totalmente fora de cogitação e que, mesmo em sua
época foi a deixa para que seus concorrentes o tomassem a liderança no mercado.
No entanto, naquele momento ele tinha um objetivo especifico e muito bem
definido, qual acredito, não era se tornar líder e sim rentável. Conseguiu.
Perdeu a hegemonia, mas a Ford existe até hoje, não é líder, mas deixou um
enorme legado.
Sun Tzu, conhecido pela excelência estratégica
na arte da guerra que hoje é trazida as nossas mesas de negociações e
planejamento, dizia: “Dê ao seu adversário a esperança de ganhar a batalha”.
Mais uma vez um líder falando, ao seu modo, de doar. Sun Tzu, qual pessoalmente
admiro, por gostar de artes marciais, era um calculista. Ele sabia muito bem
que, quando ganhamos algo, nos tornamos mais abertos e suscetíveis. É aí que o
líder ganha, quando sua equipe está aberta, e ela assim como uma flor ao sol, só
se abre se o vê aberto também.
Somos detentores. Tomamos posse de quase tudo em nossa volta. O que mais
diferencia as pessoas citadas acima, e muitas outras, é o poder da entrega. E o
que é a entrega? - É esse negócio que nós chamamos de perder. Estas pessoas
vencerem, porque não encararam o que fizeram como perda e sim como entrega.
Estamos cheios de “meus, meus, meus”. O ter traz puder e então não queremos
abrir mão das coisas, não queremos nos sentir derrotado.
O pior é quando esta posse não nos pertence, nem de fato nem de direito. Você
conhece pessoas assim, até brincamos com elas: “minha cadeira, minha mesa, meu
armário, minha equipe, etc.” aí dizemos: “puxa... já comprou a empresa”.
No entanto, todos nós temos um pouco ou muito disso. Não vamos escapar disso,
nenhum de nós conseguirá escapar, podemos ceder no trabalho, mas queremos ganhar
sempre em casa, cedemos em casa e queremos ser absolutos no trabalho. Enfim,
perder é duro. Ganhar sempre, sempre é bom.
Até os emblemáticos fizeram isso: - “Ninguém vai
ao pai se não por mim” – Jesus Cristo disse isso. E o pai que ele fala é
o dele. Isso mesmo, o pai dele. Mas ele pode, aliás, ele pode muito. Gandhi no
alto de sua sabedoria e humildade proferiu: "Creio poder afirmar, sem arrogância
e com a devida humildade, que a minha mensagem e os meus métodos são válidos, em sua essência, para todo o mundo". Ford dispensa comentários, afinal todos eram
pretos. E nosso grande guerreiro Sun Tzu: “a
guerra é de vital importância para o Estado; é o domínio da vida ou da
morte, é o caminho para a sobrevivência ou a perda do Império: é preciso
manejá-la bem”.
Quando nos tornamos pais uma das mais árduas
missões é ensinar nossos filhos a perderem. Temos uma frase, que efeito, muitas
vezes, causa nenhum: “O importante é competir.”- Sério? - E porque você gritava
tanto na arquibancada? – “vai filho, vai filho, força, vamos ganhar...” - E
porque gingava tanto o juiz, o que a pobre mãe dele nos fez para ser tão
insultada?
Não somos feitos de derrota. Perder não é
agradável. Mas ceder não pode significar perder. Ceder é tão duro, tão penoso,
que quando não podemos fazer isso, nos desculpamos. Meu avô me ensinou: -“Quando
não puder dá uma esmola, então pessa perdão.” E isso se perpetua.
E quando de fato não podemos doar? Simples:
quando nos fará falta ou quando não temos! A palavra “doar” é tão perto da “dor”
que somente um “a” as diferenciam. Talvez, Freud explica, nosso inconsciente
pense assim.
Como algo que não me pertence pode me fazer
falta? Se ainda não tenho e é difícil conseguir, porque não me aliar para ter o
que preciso? Aliar significa repartir, dividir. Poucas vezes estamos dispostos a
isso. Pois isso é ceder, é deixar um pedaço para alguém, um pedaço que poderia
ser meu, então eu o perdi.
Esse modelo mental além de perigoso é pobre.
Acreditem nisso. São Francisco de Assis, um dos mais benevolentes da nossa
história, é enfático em dizer: “É dando que se recebe...” Não cabe aqui,
discutirmos preferência religiosa, mas refletir sobre filosofia de vida;
“compreender que ser compreendido / é perdoando que se é perdoado...” Isso é
ceder para receber. Só posso esperar ganhar algo quando dou algo.
Somos tão egoístas que nem para nós mesmos nos
doamos. Qual a última vez que você se deu tempo e contemplou um pôr de sol? Ou
se inscreveu num curso sobre algo que ainda não conhece a fundo? Qual o último
amigo que você visitou? A última vez que andou descalço? Você seria capaz de
ainda responder as tarefas de seu filho que está na quinta série?
Vivemos num absolutismo onde o certo é sempre
acertar e de preferência que o tiro tenha sido o meu!
Não ter, não possuir, não deter é tão cruel que
nos faz marginal. Você perde quando seu vizinho troca o carro e você ainda não.
Você perde quando seu colega é promovido e você ainda não. Você perde quando sua
irmã mais nova se casa e você ainda não. Você sofre quando o time adversário
ganha e o seu ainda, ainda, ainda não, se ele cair pior ainda.
Se doar fosse fácil, não haveria tantas
campanhas de doação de órgãos mesmo sendo sabedores que seus “donos” não mais
poderão usá-los, mesmo assim doamos pouco. Isso nada mais é que o sofrível
sentimento de perda.
Como líderes temos que saber que, se doar à
equipe não é realizar suas tarefas, mas conduzi-las de forma que todos ganhem. A
equipe será vencedora quando você o for. Você será vencedor quando sua doação
for favorável ao que precisa ser feito. Você pode doar seu tempo, conhecimento,
atitude, suor, empatia, calor, amor, suas mãos e mente. Você pode substituir
aquele que, gripado faltou. Você pode aprender o serviço do outro setor. Você
pode vencer, se tiver em si a permissão de doar, de aprender.
Doar conhecimento é a coisa mais rápida e fácil
do mundo. A equipe pode falar sua língua, “rezar o seu credo”, erguer sua
bandeira, ser servidora, leal e disposta, mas para isso você precisa se doar a
ela. Seja aberto, divida, dê a eles um pouco de você. Não o que eles já possuem
como sua gratuita aparência ou os bens que ostentas pelo alto salário que recebe
ou as suas condecorações de chefe. Mas, pelo seu “eu”. Como fizestes? Qual a sua
história? Onde estudou e o que aprendeu? O que pode ensinar? Pronto, você está
doando e vencerá.
Ser um campeão mesmo doando é fácil. Difícil é
ter que ficar com LER de tanto dar autógrafos em sua autobiografia.
GLAUBERTO LOURENÇO
Com 19 anos de atuação no mercado. Iniciou suas atividades no mercado
financeiro, como Operador de Crédito. Atuou em empresas como: Banco Real, Banco
ABN AMRO (Aymoré Financiamentos), Decagi Auto-Socorro, DCG Rent a Car, Domínio
Treinamentos- S.O.S Educação Profissional, atualmente está a frente da área
comercial da Softium Informática e atua como consultor de Marketing para a BIT
Company – Fortaleza. Frequentemente ministra palestras de Marketing Pessoal,
Empregabilidade e facilita cursos de Atendimento e Vendas. Gerente comercial e
marketing de carreira, aredita que toda estratégia deve ser voltada aquele que
produz e consume: O Homem.