Existe uma questão muito
séria e muito grave a ser
enfrentada pelas empresas,
sejam estas grandes ou
pequenas, públicas ou
privadas.Todas estão
sujeitas a serem vítimas dos
transtornos causados por
funcionários que, ao
contrário de serem úteis a
estas entidades, na verdade,
podem provocar dificuldades
ou graves problemas.
Como um vírus que penetra
num organismo e chega a
causar diversos males e até
a morte. Um profissional
problemático pode levar um
departamento ou uma empresa
inteira a padecer de enorme
dificuldade organizacional,
desunindo equipes de
trabalho, gerando intrigas e
discórdia, expondo
informações confidenciais,
perseguindo colegas de
trabalho ou subordinados e
gerando baixa produtividade,
desmotivação e prejuízo
financeiro.
Quais são estes
profissionais problemáticos?
Como identificá-los e como
lidar com eles? Estas são
perguntas essenciais, que
toda organização deveria
fazer, e a partir daí
procurar as respostas, para
evitar a ocorrência de
tantos conflitos graves e
desnecessários.
Conviver com estes
profissionais, que são
verdadeiros “inimigos” das
organizações, é um estorvo.
Numa metáfora esportiva eles
são aqueles jogadores que
fazem “gol contra” todo o
tempo e se tornam um
sacrifício extra para as
empresas, que têm que
conviver com os desafios
próprios do negócio como a
concorrência de mercado, o
atendimento às exigências de
clientes e as necessidades
organizacionais
É necessário enfrentar este
grave problema através de
três procedimentos:
· conhecer o perfil destes
funcionários problemáticos;
· saber como identificá-los
nas organizações;
· aprender a lidar com eles
de maneira adequada.
Estes profissionais
inadequados podem ser
encontrados em qualquer
nível nas empresas, desde a
direção, passando pelas
médias gerências, até a base
da pirâmide organizacional.
É famosa a perseguição,
ocorrida no final dos anos
70, em que o então
presidente da Ford Motor
Company, Henry Ford II, neto
do fundador da Ford e
presidente do conselho,
contra o então presidente
executivo da empresa, o
lendário Lee Iacocca, que
depois se tornou também
presidente da Chrysler,
salvando esta empresa da
falência.
Em sua autobiografia,
Iacocca relata um processo
de anos de perseguição
sofrida por ele, executado
por Henry Ford II, que
culminou num processo de
investigação que consumiu
centenas de milhares de
dólares, desgastes para a
companhia e culminou com a
demissão de Lee Iacocca e em
seguida com a aposentadoria
do próprio Henry Ford II,
cujo processo de
investigação pelas acusações
apontadas não resultou em
nenhuma prova concreta.
Segundo Iacocca, os
desacertos emocionais de
Henry Ford II o faziam
perseguir pessoas dentro da
organização de forma
impiedosa até demiti-las
sumariamente.
Recentemente, outro
escândalo que teve
repercussões internacionais
foi a briga entre Carly
Fiorina, ex-mulher mais
poderosa do mundo dos
negócios e ex-presidente da
Hewlett-Packard (HP),
bilionária empresa de
tecnologia, e dois
ex-membros do conselho de
administração, Jay Keyworth
e Tom Perkins, que foi parar
nas páginas do Wall Street
Journal. Esta matéria foi
publicada na revista Exame
(edição 879, outubro de
2006).
A ex-presidente da HP,
publicou uma biografia
explosiva, denunciando as
perseguições sofridas por
parte dos ex-diretores da
empresa, onde revela os
processos de intrigas que
envenenaram a elite de uma
grande corporação. Existe
inclusive um processo na
justiça americana com 14
acusações que vão desde
grampeamento ilegal de
telefones a espionagem de
e-mails.
O desdobramento destes tipos
de comportamentos
inadequados é o assédio
moral, que pode resultar em
processo indenizatório
contra a empresa,
desmotivação e baixa
produtividade. Muitas destas
intrigas resultam em
humilhações, exposição do
trabalhador a condições
degradantes, comprometimento
da saúde, demissão forçada e
desemprego.
As características apontadas
a seguir são encontradas, em
maior ou menor grau, em
todas as pessoas, todavia,
existem aquelas que
apresentam estes
comportamentos num nível
exacerbado, o que
caracteriza grave distorção.
São as conseqüências destes
excessos que serão tratadas
no presente texto.
A seguir, vamos descrever os
principais tipos, as
características para
identificá-los e sugerir
algumas soluções para lidar
com eles.
Tipo 1 – O insatisfeito
Comportamento encontrado em
ambos os sexos, sendo mais
freqüente nas mulheres. São
pessoas que costumam
reclamar excessivamente,
gostam de apontar falhas nos
outros e culpam a todos,
chefes e colegas de
trabalho, pelas falhas,
nunca admitindo seus
próprios erros.
Sob uma falsa postura
submissa, na verdade, são
pessoas autoritárias e têm
problemas de aceitar
hierarquia e autoridade,
fazendo muitas intrigas. São
muito emocionais, choram com
facilidade e têm tendência a
fazer “tempestade” em copo
d’água.
Estão sempre se passando por
vítimas. Apresentam
dificuldade de
relacionamento interpessoal
por serem excessivamente
críticas. Apesar de serem
extrovertidas, não trabalham
bem em equipe.
Características mais
marcantes:
· reclamam excessivamente;
· provocam intrigas;
· são críticas;
· são emotivas;
· têm dificuldade de
relacionamento;
· falam excessivamente.
Tipo 2 – O controlador
Este comportamento é mais
freqüente em homens.
Normalmente são pessoas
excessivamente organizadas,
presas a detalhes e
perfeccionistas. Nas
empresas, são profissionais
eficientes, porém, não
eficazes, pois gastam
esforço e tempo realizando
com “perfeição” tarefas que
nem precisariam estar sendo
realizadas.
Têm dificuldade de
relacionamento, de liderança
e de trabalho em equipe. Não
delegam tarefas e exigem
perfeição de todos.
Geralmente são
introspectivos e muitas
vezes depressivos.
Características marcantes:
· excesso de organização;
· perfeccionistas;
· dificuldade de delegar;
· introspectivos.
Tipo 3 – O manipulador
Este comportamento tanto é
encontrado em homens quanto
nas mulheres. São pessoas
normalmente inteligentes,
sedutoras e comunicativas.
Utilizam estas habilidades
para envolver as pessoas e
atingir seus objetivos
pessoais, valendo qualquer
coisa para realizar seus
propósitos.
Estes profissionais costumam
ser vistos com “bons olhos”
pelas organizações, pois
passam a idéia de serem
competentes. Costumam
conquistar posição de
chefia, uma vez que são
líderes carismáticos e
articulados.
São um dos tipos mais
perigosos para as
organizações, em razão de
terem grande poder de
persuasão e influência. São
egoístas e seus objetivos
nem sempre estão de acordo
com os da organização, neste
caso, não têm o menor
constrangimento em
prejudicar a empresa e seus
colegas de trabalho, se isto
servir a seus interesses.
Características marcantes:
· sedutores;
· habilidosos com as
pessoas;
· destemido;
· frios e calculistas;
· egoístas.
Tipo 4 – O paranóico
Comportamento comum tanto em
homens como em mulheres. São
pessoas com manias de
perseguição, megalomaníacas
e provocam intrigas e
confusão. Têm dificuldades
sociais e de relacionamento.
Suas histórias normalmente
são bem construídas e
elaboradas, por isto as
pessoas desavisadas
acreditam facilmente em suas
invenções.
Estas pessoas têm grande
disposição para gerar
conflitos, por isto seu
comportamento normalmente
cria desunião e desmotivação
nos setores em que
trabalham. Acreditam de fato
que todos os perseguem,
conseqüentemente, é
praticamente impossível
manter a harmonia com estas
pessoas.
Características marcantes:
· mania de perseguição;
· megalomania;
· provocam intrigas e
confusão;
· grande disposição para
conflitos;
· criam histórias bem
construídas que levam todos
a acreditar que são
verdadeiras.
Tipo 5 – O instável
Tanto homens quanto mulheres
são passíveis de apresentar
este comportamento. São
pessoas que mudam de maneira
freqüente e radical seus
estados de espíritos.
Oscilam entre a euforia e a
depressão sem motivo
aparente ou relevante. Suas
instabilidades geram
desconforto para todos que
convivem com este
profissional na organização.
Apresentam produtividade
variável, em função do
estado psicológico em que se
encontram. Têm dificuldades
de relacionamentos estáveis.
Características marcantes:
· mudança de humor
freqüente;
· tendência a depressão;
· dificuldade de
relacionamentos estáveis.
Tipo 5 – O excêntrico
Características que incidem
tanto em homens quanto nas
mulheres. São pessoas com
comportamento estranho,
anti-social, demonstrando
atitudes esquisitas e são
introspectivos. Costumam
imaginar coisas.
Dentro das organizações elas
têm dificuldade de
socialização e adaptação, e
por isto não trabalham bem
em equipe, nem têm condições
de assumir responsabilidade
de chefia. Seu comportamento
excêntrico e, às vezes, até
bizarro, acaba por torná-las
pessoas diferentes das
demais, isolando-as mais
ainda.
Características marcantes:
· pessoas excêntricas;
· comportamentos estranhos;
· anti-social;
· dificuldade de adaptação;
· introspectivos.
Como as organizações podem
lidar com estes
profissionais
É preciso que os
responsáveis pelo setor de
Recursos Humanos das
organizações compreendam que
dificilmente poderão mudar
estas pessoas, portanto, é
necessário identificar estes
profissionais problemáticos
e fazer uma avaliação do
nível de desajuste em seus
comportamentos.
Deve-se pensar na
possibilidade de manter
estes profissionais dentro
das empresas, entretanto,
apenas se o nível de
comprometimento for
aceitável, e, mesmo assim, é
preciso atenção,
acompanhamento e até
tratamento se necessário.
É preciso ter consciência
que todos estes funcionários
são extremamente trabalhosos
para as organizações, e uma
das conseqüências destes
comportamentos é a
ocorrência constante de
conflitos e intrigas. A
empresa não pode fazer
“vista grossa” para esta
situação, pelo contrário,
deve administrar estes
conflitos. Assim, evitará
perder produtividade e
talentos, pois muitos
profissionais competentes
não conseguirão conviver com
eles, e buscarão sair da
organização em função dos
conflitos e intrigas
causados pelos funcionários
problemas.
Portanto, sugerimos que
todas as empresas pensem
neste problema como um
assunto estratégico a ser
resolvido. É possível buscar
diversos tipos de soluções,
seja adequando estas pessoas
às funções mais compatíveis
com seus comportamentos,
seja sugerindo
encaminhamento para um
possível tratamento, seja
desligando estas pessoas da
corporação. A única atitude
que não é passível de
aceitação é a manutenção
destes profissionais dentro
das organizações, criando
conflitos e prejudicando aos
colegas de trabalho e à
empresa como um todo.
Ari Lima é empresário, engenheiro, consultor em marketing pessoal e gestão de carreiras e especialista em marketing e vendas. Desenvolve treinamento em marketing pessoal e marketing jurídico para profissionais liberais, empresas, escritórios e estudantes universitários. Ministra cursos, seminários e palestras realçando o lado prático e funcional do marketing e escreve artigos diariamente para diversos sites e revistas. Além de uma sólida formação teórica, possui 25 anos de experiência prática em gerenciamento e treinamento de vendedores e de gerentes de vendas, bem como atendimento a clientes.

