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Comunicação e Liderança

Por Carlos Hilsdorf

23/01/2009

 


Uma empresa permite que as pessoas atinjam resultados que não poderiam atingir individualmente. A interdependência e a soma das competências individuais multiplicam o resultado, tanto em uma pequena empresa quanto em uma mega corporação.

A qualidade dos resultados depende diretamente da maneira como estas competências individuais estão conectadas e alinhadas com os objetivos estratégicos da organização.

Na ausência de uma estratégia coerente e claramente comunicada, estes mesmos talentos que geram os resultados irão “atrapalhar” uns aos outros, diminuindo radicalmente as possibilidades de sucesso. Este seria o modelo “Torre de Babel”! O modelo “Torre de Babel” ocorre em função de uma grave deficiência de comunicação.

A comunicação precisa ser objetiva, clara, transparente e deve seguir sempre o menor caminho possível entre aquele que comunica e aquele que recebe a comunicação. Quanto maior o número de intermediários necessários para fazer com que a mensagem chegue ao seu destino, maiores serão as distorções e dissonâncias, comprometendo gravemente a qualidade do resultado. A eficácia da comunicação é responsável por manter as pessoas conectadas com os objetivos e metas da empresa.

Qualquer profissional exercendo liderança deve primar por sua competência em traduzir as metas, crenças e valores da organização em exemplos que inspirem seus liderados.

Comprometimento deve ser estabelecido top-down (partindo dos níveis hierárquicos superiores para os seguintes). O papel fundamental da liderança pressupõe o exercício contínuo do capital ético e do capital moral, somente assim será conseguida coesão entre as pessoas e os objetivos propostos.

Dicas importantes:

Em uma organização, todas as pessoas e fatos estão, direta ou indiretamente, interconectados. Qualquer fato novo, bem como qualquer atitude nova, afetará de maneira global os resultados dos negócios.

Todos devem conhecer o que são e quais são os canais de comunicação. E-mails servem apenas para documentar comunicações e acordos, não devem, em hipótese alguma, serem utilizados como substitutos para a comunicação interpessoal. Nada absolutamente sério e relevante, cujas repercussões levem a dúvidas ou mudanças significativas, deve ser comunicado apenas por e-mail!

Cabe ao profissional exercendo funções executivas nutrir o “orgulho em pertencer”, a coerência das crenças e a importância dos valores da organização. Líderes devem saber estabelecer um sentimento de valor e segurança em seus liderados!

É essencial compreender a empresa como um conjunto de pessoas unidas por um sonho coletivo, sonho que somente podem construir juntas, em regime de interdependência. Egoísmo em empresas é um profundo elemento desagregador. Não há comprometimento verdadeiro na presença do egoísmo e da fogueira das vaidades.

O comportamento dos líderes estabelece um código de conduta moral para seus liderados. A velha forma “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” demonstra hipocrisia, jamais liderança. Na ausência de coerência ético-moral não existe liderança. Na ausência do exemplo positivo, o contra-exemplo, lamentavelmente, suscita ao boicote, desrespeito e sabotagem.


A atividade de um líder e de um gestor não está, e jamais esteve restrita às ações de medir, controlar e supervisionar. Um verdadeiro líder inspira as pessoas com suas atitudes e trata com muita habilidade os ativos intangíveis da organização, tais como: prazer, satisfação, reconhecimento, auto-estima, motivação, inspiração, clima e atmosfera organizacional.

Os verdadeiros gestores e líderes estão conscientes que os resultados só acontecem através das pessoas. Para eles, o capital humano não é apenas um belo discurso, mas a razão de ser da organização.

O modelo “Torre de Babel” só se instala quando as pessoas não falam a mesma língua e, elas jamais falarão a mesma língua se as palavras contradizem as atitudes.

Se na sua empresa as pessoas são consideradas o maior capital da organização, faça duas coisas:

1) Certifique-se de que elas se sentem verdadeiramente assim;

2) Garanta as condições para que isto se mantenha como um valor inalienável.

Empresas incoerentes são mais perigosas para si mesmas que seus maiores concorrentes.

Você pode vencer seus concorrentes externos, mas se promover “concorrentes” dentro da organização em posições de decisão, a guerra está perdida.

Coerência é uma das maiores virtudes de uma organização e, não por acaso, do próprio ser humano.
 

Carlos Hilsdorf


Considerado pelo mercado empresarial um dos melhores palestrantes do Brasil. Economista, Pós-Graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano. Palestrante do Congresso Mundial de Administração (Alemanha) e do Fórum Internacional de Administração (México). Autor do best seller Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero. Presença constante nos principais Congressos e Fóruns de Administração, RH, Liderança, Marketing e Vendas do país e da América Latina. Referência nacional em desenvolvimento humano. www.carloshilsdorf.com.br


 

No mínimo podemos dizer que o este título é antagônico!

 - Sim, ele o é!

 Então vamos começar pelos emblemáticos. Um dos grandes líderes mundiais é Jesus Cristo. Mas para se tornar líder, foi preciso perder o que nós mais gostamos de ter, a vida. Sua morte é o motivo de sua veneração. A abnegação à missão que lhe foi dada e que incontestavelmente ele cumpriu o fez se tornar o maior símbolo de amor ao próximo revolucionando todas as crenças em nossa história.

 Mahatma Gandhi abdicou de sua formação em direito para lutar pela independência de seu povo. Ora, um advogado formado na tradicional e respeitada escola britânica com certeza teria trabalho garantido em qualquer lugar do mundo. Mas o líder gastou todas as suas energias, até também, perder a vida, para dar ao seu povo a liberdade. Além disso, soube ceder, uma parte da Índia para que fosse formado um estado mulçumano, hoje o Paquistão, e assim a guerra civil naquele estado tivesse fim sendo a Índia hoje uma das mais expansivas economias mundiais. 

Henry Ford um dos maiores símbolos do capitalismo mundial e criador da linha de montagem foi ousado e “abusado” ao declarar que: “Você pode ter o carro da cor que quiser, contanto que ele seja preto”. Lógico que isto é algo que hoje é totalmente fora de cogitação e que, mesmo em sua época foi a deixa para que seus concorrentes o tomassem a liderança no mercado. No entanto, naquele momento ele tinha um objetivo especifico e muito bem definido, qual acredito, não era se tornar líder e sim rentável. Conseguiu. Perdeu a hegemonia, mas a Ford existe até hoje, não é líder, mas deixou um enorme legado.

Sun Tzu, conhecido pela excelência estratégica na arte da guerra que hoje é trazida as nossas mesas de negociações e planejamento, dizia: “Dê ao seu adversário a esperança de ganhar a batalha”. Mais uma vez um líder falando, ao seu modo, de doar. Sun Tzu, qual pessoalmente admiro, por gostar de artes marciais, era um calculista. Ele sabia muito bem que, quando ganhamos algo, nos tornamos mais abertos e suscetíveis.  É aí que o líder ganha, quando sua equipe está aberta, e ela assim como uma flor ao sol, só se abre se o vê aberto também.

Somos detentores. Tomamos posse de quase tudo em nossa volta. O que mais diferencia as pessoas citadas acima, e muitas outras, é o poder da entrega. E o que é a entrega? - É esse negócio que nós chamamos de perder. Estas pessoas vencerem, porque não encararam o que fizeram como perda e sim como entrega. Estamos cheios de “meus, meus, meus”. O ter traz puder e então não queremos abrir mão das coisas, não queremos nos sentir derrotado.  

O pior é quando esta posse não nos pertence, nem de fato nem de direito. Você conhece pessoas assim, até brincamos com elas: “minha cadeira, minha mesa, meu armário, minha equipe, etc.” aí dizemos: “puxa... já comprou a empresa”.  

No entanto, todos nós temos um pouco ou muito disso. Não vamos escapar disso, nenhum de nós conseguirá escapar, podemos ceder no trabalho, mas queremos ganhar sempre em casa, cedemos em casa e queremos ser absolutos no trabalho. Enfim, perder é duro. Ganhar sempre, sempre é bom.

Até os emblemáticos fizeram isso: - “Ninguém vai ao pai se não por mim” – Jesus Cristo disse isso. E o pai que ele fala é o dele. Isso mesmo, o pai dele. Mas ele pode, aliás, ele pode muito. Gandhi no alto de sua sabedoria e humildade proferiu: "Creio poder afirmar, sem arrogância e com a devida humildade, que a minha mensagem e os meus métodos são válidos, em sua essência, para todo o mundo".  Ford dispensa comentários, afinal todos eram pretos. E nosso grande guerreiro Sun Tzu: “a guerra é de vital importância para o Estado; é o domínio da vida ou da morte, é o caminho para a sobrevivência ou a perda do Império: é preciso manejá-la bem”.

Quando nos tornamos pais uma das mais árduas missões é ensinar nossos filhos a perderem. Temos uma frase, que efeito, muitas vezes, causa nenhum: “O importante é competir.”- Sério? - E porque você gritava tanto na arquibancada? – “vai filho, vai filho, força, vamos ganhar...” - E porque gingava tanto o juiz, o que a pobre mãe dele nos fez para ser tão insultada?

Não somos feitos de derrota. Perder não é agradável. Mas ceder não pode significar perder. Ceder é tão duro, tão penoso, que quando não podemos fazer isso, nos desculpamos. Meu avô me ensinou: -“Quando não puder dá uma esmola, então pessa perdão.” E isso se perpetua. 

E quando de fato não podemos doar? Simples: quando nos fará falta ou quando não temos! A palavra “doar” é tão perto da “dor” que somente um “a” as diferenciam. Talvez, Freud explica, nosso inconsciente pense assim.

Como algo que não me pertence pode me fazer falta? Se ainda não tenho e é difícil conseguir, porque não me aliar para ter o que preciso? Aliar significa repartir, dividir. Poucas vezes estamos dispostos a isso. Pois isso é ceder, é deixar um pedaço para alguém, um pedaço que poderia ser meu, então eu o perdi.

Esse modelo mental além de perigoso é pobre. Acreditem nisso. São Francisco de Assis, um dos mais benevolentes da nossa história, é enfático em dizer: “É dando que se recebe...” Não cabe aqui, discutirmos preferência religiosa, mas refletir sobre filosofia de vida; “compreender que ser compreendido / é perdoando que se é perdoado...” Isso é ceder para receber. Só posso esperar ganhar algo quando dou algo.

Somos tão egoístas que nem para nós mesmos nos doamos. Qual a última vez que você se deu tempo e contemplou um pôr de sol? Ou se inscreveu num curso sobre algo que ainda não conhece a fundo? Qual o último amigo que você visitou? A última vez que andou descalço? Você seria capaz de ainda responder as tarefas de seu filho que está na quinta série?

Vivemos num absolutismo onde o certo é sempre acertar e de preferência que o tiro tenha sido o meu!

Não ter, não possuir, não deter é tão cruel que nos faz marginal. Você perde quando seu vizinho troca o carro e você ainda não. Você perde quando seu colega é promovido e você ainda não. Você perde quando sua irmã mais nova se casa e você ainda não. Você sofre quando o time adversário ganha e o seu ainda, ainda, ainda não, se ele cair pior ainda.

Se doar fosse fácil, não haveria tantas campanhas de doação de órgãos mesmo sendo sabedores que seus “donos” não mais poderão usá-los, mesmo assim doamos pouco. Isso nada mais é que o sofrível sentimento de perda.

Como líderes temos que saber que, se doar à equipe não é realizar suas tarefas, mas conduzi-las de forma que todos ganhem. A equipe será vencedora quando você o for. Você será vencedor quando sua doação for favorável ao que precisa ser feito. Você pode doar seu tempo, conhecimento, atitude, suor, empatia, calor, amor, suas mãos e mente. Você pode substituir aquele que, gripado faltou. Você pode aprender o serviço do outro setor. Você pode vencer, se tiver em si a permissão de doar, de aprender.

Doar conhecimento é a coisa mais rápida e fácil do mundo. A equipe pode falar sua língua, “rezar o seu credo”, erguer sua bandeira, ser servidora, leal e disposta, mas para isso você precisa se doar a ela. Seja aberto, divida, dê a eles um pouco de você. Não o que eles já possuem como sua gratuita aparência ou os bens que ostentas pelo alto salário que recebe ou as suas condecorações de chefe. Mas, pelo seu “eu”. Como fizestes? Qual a sua história? Onde estudou e o que aprendeu? O que pode ensinar? Pronto, você está doando e vencerá.  

Ser um campeão mesmo doando é fácil. Difícil é ter que ficar com LER de tanto dar autógrafos em sua autobiografia.


GLAUBERTO LOURENÇO

Com 19 anos de atuação no mercado. Iniciou suas atividades no mercado financeiro, como Operador de Crédito. Atuou em empresas como: Banco Real, Banco ABN AMRO (Aymoré Financiamentos), Decagi Auto-Socorro, DCG Rent a Car, Domínio Treinamentos- S.O.S Educação Profissional, atualmente está a frente da área comercial da Softium Informática e atua como consultor de Marketing para a BIT Company – Fortaleza. Frequentemente ministra palestras de Marketing Pessoal, Empregabilidade e facilita cursos de Atendimento e Vendas. Gerente comercial e marketing de carreira, aredita que toda estratégia deve ser voltada aquele que produz e consume: O Homem.