Conhecimento ampliado pela WEB
Por Sandra Turchi
07/06/2010
O
movimento de ampliação do
acesso à informação trazido
pela internet está num
estágio embrionário, pode-se
dizer. O que temos visto nos
dias atuais ainda está para
ser compreendido. A verdade
é que ninguém, ninguém
mesmo, pode prever o que vai
acontecer com relação a
isso.
Há estudos demonstrando que
o acesso à internet modifica
o cérebro e faz com que os
usuários mais freqüentes
tenham uma atividade maior
na área de raciocínio
complexo e mais velocidade
na tomada de decisões. Uma
iniciativa interessante é da
Fundação Edge, criada nos
anos 80 para estimular o
debate entre grandes nomes
da ciência, que em estudo
recente trata de como a web
está mudando o processo de
pensamento. Dentre suas
análises fica claro que
embora a internet tenha
trazido maior capacidade de
acesso ao conhecimento,
também ampliou a incerteza
com relação à informação.
A mudança de opinião é
freqüente e os interesses
sobre inúmeros assuntos se
multiplicam. Essa
experiência todos nós
estamos passando, é fato.
Nessa pesquisa utiliza-se um
termo adequado para
descrever isso, “liquidez
mental”, pois os pensamentos
se tornaram fluidos.
Se somem a isso todas as
preocupações recentes com
relação à privacidade, como
no caso do Facebook, os
problemas de direitos
autorais, entre outros, fica
claro que é impossível
prever os resultados de toda
essa transformação.
Por outro lado é também
fascinante verificar que o
acesso a esse novo mundo tem
trazido melhorias para a
vida de muita gente. Em
reportagem recente em um
grande veículo de
comunicação foram
apresentados casos com
pessoas de locais remotos do
Brasil, com acesso
extremamente rudimentar e
que, mesmo assim, se
beneficiam do universo
digital, como a garota
indígena do Pará que compra
livros e aguarda duas
semanas pela sua chegada,
pois é seu único meio, visto
que não há livrarias nem
bibliotecas na sua cidade.
Ou então a agricultora
pernambucana que usa a web
para obter informações sobre
previsão do tempo para saber
quando é a melhor época para
plantar, bem como fazer
coleta de água da chuva.
Há o caso de novos
empreendedores investindo na
criação de Lan houses e que
têm visto seu faturamento
crescer, como a cabeleireira
que comprou computadores
para suas clientes navegarem
enquanto aguardam o efeito
da tintura para cabelo. Não
estamos falando de inovações
num bairro nobre dos
Jardins, e sim da maior
favela de São Paulo.
Para concluir, há ainda um
rapaz, Bruno Barreto, que
criou sozinho o sistema
chamado SACSP, para a cidade
de SP, captando diversas
reclamações postadas por
cidadãos paulistanos sobre
problemas da cidade e
gerando, através de várias
análises, um novo olhar para
essas reclamações, com
interpretações que antes
ficavam invisíveis. O site
chamou a atenção da
prefeitura e hoje Bruno dá
consultoria para novos
projetos de dados públicos.
Esses são apenas alguns
sinais dos novos tempos que
vem por aí.
Sandra Turchi é graduada pela FEA-USP, pós-graduada pela FGV-EAESP e MBA pela Business School São Paulo com especialização pela Toronto University e em empreendedorismo pelo Babson College em Boston. É superintendente de Marketing da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) instituição que administra o SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). Site: www.sandraturchi.com.br - Twitter: http://twitter.com/SandraTurchi