Contrate pelo talento, não apenas pela
experiência
Por Ivan Postigo
08/01/2011
Dizia um amigo, em uma conversa na hora do almoço: - O mercado está carente de
profissionais qualificados!
Da mesa ao lado, ouvimos: - Sempre esteve!
Viramos para ver quem falava. Lá estava um sorriso simpático, cabelos brancos,
camisa azul sem gravata e paletó marinho.
- Terminaram o almoço? – perguntou
Em face da afirmativa, sorriu: - Posso me juntar a vocês?
Levantou-se, puxou uma cadeira e se acomodou com um copo d’água na mão. -
Desculpe a intromissão, não pude resistir, os anos passam, os argumentos não!
Uma grata conversa, ratificou muitos pontos de vista que defendo.
Meus conhecimentos profissionais e as oportunidades que tive de trabalhar e
aprender em todos os departamentos, de muitas empresas, do chão de fábrica à
área de vendas, passando pela administração e gestão financeira, não se deveu
apenas à minha prévia experiência, mas à confiança que depositaram em minha
capacidade de resposta.
Uma lição que pede apenas uma forma de agradecimento: Ensiná-la!
Notamos a falta de profissionais qualificados, com maior frequência, em momentos
inovação e exaustão, contudo a questão é mais complexa do que se mostra.
A empresa que perde um colaborador experiente e não tem tradição na formação de
substitutos – backup como também são chamados – sempre enfrenta dificuldades
para contratação.
No decorrer de minha carreira, fiz muitas seleções e contratações, por essa
razão trabalhei ombro a ombro com empresas de recrutamento e seleção em todo o
país, e as dificuldades sempre existiram.
Para os cargos de comando, as barreiras para desenvolvimento interno são
maiores. Não dependemos apenas da capacidade de aprendizado e aplicação do
conhecimento. É necessário facilidade de relacionamento, um pouco de liderança e
gosto por condução de pessoas e esforços.
Quando contratamos pelo talento, procuramos também essas qualidades no
candidato; quando o fazemos apenas pela experiência, as luzes que iluminam em
demasia um ponto colocam outros sob as sombras.
Houve um período na história empresarial, motivado pela disseminação dos
carentes recursos de informatização, que a palavra de ordem era: Colaborador
multitarefas, multifunções.
O foco não era o conhecimento restrito, mas sua ampliação. O objetivo era ter
cada colaborador preparado para exercer variadas tarefas, substituir pares e
assumir posições de maior relevância.
A própria informatização, que agiu como alavanca impulsionando o processo, se
tornou pá, enterrando-o.
Muitos trabalhos, ainda que complexos, não demandam conhecimentos teóricos
profundos para sua execução – embora importantes.
Para um cálculo financeiro você precisa saber deduzir fórmulas? Não, com uma
calculadora financeira e atendendo algumas regras de uso das teclas “i, n, PV,
PMT, FV”, realiza proezas.
Muitos lembram que FV=PV*(1+i/100)^n? Hum, será que está certo? Alguém, que
realmente sabe, dirá!
Se estiver certo, como calcular o “i”?
O que é esse “i”, mesmo?
Nossa vida ficou mais prática, mas está mais simples? De forma nenhuma!
Reunidos, debatendo sobre empréstimos, onde as fórmulas para cálculo de juros
consideravam em um contrato o método hamburguês e em outro juros compostos e
pagamentos postecipados, os gerentes da instituição financeira, com suas
calculadoras e computadores portáteis, com fórmulas prontas, nos diziam: -
Usamos estas planilhas e na calculadoras estas teclas. As fórmulas não sabemos
como são!
Para aquele momento, nem precisavam...
Quantos profissionais, lotados em departamentos contábeis, conhecem todos os
métodos e sistemas para apuração de custos e suas variantes. Muitos dominam
apenas aquele que a lei estabelece como regra: Custeio por absorção.
Isso os impediria de aprender rapidamente os conceitos de custeio variável?
Claro que não, principalmente se a tônica estiver no preenchimento de campos,
simples digitação e emissão de relatórios de programas super, hiper,
informatizados.
A escola da vida ensina na mão inversa do mundo acadêmico.
No segundo recebemos primeiro a teoria e depois fazemos as provas. Na escola da
vida recebemos algumas dicas, fazemos a provas e daí sim seguimos para o
aprendizado.
Os Mestres do Universo partem do pressuposto que somos todos capazes. Nosso
entusiasmo vem do poder que possuímos por termos um deus dentro de nós - do
grego “en” dentro, “theos” Deus e “asm” ação, Deus dentro de nós em ação.
Ensinam e nos cobram até que mostremos nossas limitações, nunca desistindo de
seus eternos alunos.
Na vida – uma aventura para titãs- somos multitarefas e multifunções, sempre,
por que nas empresas não?
Simplesmente porque somos recrutados pelos Mestres do Universo pelos nossos
talentos e não pela nossa experiência.
Para estes jamais faltarão colaboradores qualificados.
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
Empresarial - Fones (11) 4526 1197 / ( 11 ) 9645 4652
www.postigoconsultoria.com.br - ipostigo@terra.com.br
Falar de mudança dentro de algumas organizações
é um hábito já implantado na cultura
organizacional, com uma percepção de que
adquirir conhecimento permite dar novos passos,
buscar novas soluções e produtos realmente
diferenciados da concorrência.
Mas a mudança é vista por muitos como um terreno
desconhecido, talvez porque falte uma pesquisa
sobre o assunto em questão, talvez por
imaginarem que mudar não é necessário.
É fato que as pessoas tendem a resistir um pouco
a qualquer mudança, seja na sua vida, em sua
própria casa ou na empresa, e não são todas as
mudanças que podem ser traumáticas, mas a forma
como serão implantadas é que faz com que cada um
tenha uma reação em defender o ambiente como
está.
Também é interessante perceber que se alguém
tende a impor uma mudança ela não será bem
aceita, não pela mudança em si, mas é necessário
ter um planejamento para implantar uma mudança
na organização, para que as pessoas se acostumem
com a idéia, que recebam todas as informações
necessárias sobre as alterações e que participem
realmente do processo.
Então é possível reduzir o impacto de uma
mudança, que em certas empresas é uma forma de
se esquecer das pessoas, mas que em outras é a
mudança que dará mais valor a cada um dos
talentos humanos.
Talvez a maior resistência das pessoas esteja
ligada diretamente à sua maneira de lidar com
tudo, é bem provável que a organização esteja,
para muitas pessoas, muito distante da mudança,
mas é possível unir as duas coisas, ter
organização pode levar a encontrar mais
facilmente o que se procura, e também não há uma
necessidade de mudar tudo a todo momento, mas em
um processo gradual.
Você pode iniciar uma mudança leve em sua
própria casa, como mudar o local de leitura
diário, o que poderá tornar-se um hábito, pois
há dias em que é necessário observar um mesmo
assunto de outro ângulo.
Só não há uma necessidade de mudar de forma
radical tudo o que vê pela frente,
principalmente porque antes de correr todos
tiveram que aprender a se equilibrar e andar, o
que demonstra o planejamento que o corpo exige
para se adaptar às novas situações, e também
funciona assim com a mente, pois uma leve
mudança no início faz com que as pessoas achem
que estão esquecendo.
Mas se mudar algo do ambiente que o cerca for
difícil, é evidente que a mudança deve ser na
própria pessoa, e que pode ser mais fácil de
controlar, pois você tem total controle sobre a
forma de pensar, agir e ganhará mais
conhecimento sobre si.
Só que dentro das organizações o tempo parece
estar contra todos, e é porque uma pessoa que
não sabe planejar acaba passando para as outras
algo que não entende.
Diariamente é possível ver inúmeros exemplos
onde a falta do planejamento traz perdas grandes
para as pessoas e para a organização, como
reflexo do que é deixado de lado, ou seja,
pensar e pesquisar sobre o que será importante
para a organização.
A mudança tem como objetivo trazer a melhoria
das pessoas, das organizações e deve ser parte
da cultura da empresa, sem que esta cultura
prejudique o funcionamento e desempenho da
organização, pois tudo o que é feito dentro de
uma empresa é iniciado com o planejamento, que é
baseado no conhecimento sobre um objeto, uma
ação e todas as variáveis que estão conectadas.
Mudar não é apenas trocar algo de lugar, é
melhorar seu conhecimento, aprender novas
técnicas, compartilhar um conhecimento e ter
dentro de si o desejo de estar sempre fazendo o
seu melhor no momento presente, para que no
futuro não hajam dificuldades.