A Cruz e a Estrela
Por Ivan Postigo
09/01/2011
Depois de bons e intensos anos trabalhando com gestão empresarial eu poderia
contar muitas histórias, mas poucos teriam paciência para ouvir.
Diz um ditado que quando a gente começa a repetir muito o mesmo fato é sinal que
estamos ficando velhos. Vou disfarçando enquanto for possível!
Há um aspecto interessante com o qual eu, você e todos que de alguma forma estão
expostos a cargos de chefia já notaram: Praticamente todos nós almejamos estar
no lugar mais alto do pódium.
Essa posição nos dá destaque, visibilidade, importância, nos investe de
autoridade e proporciona maiores recompensas financeiras.
Para quem gosta de exercitar sua parcela de comportamento ditatorial é uma
grande oportunidade, pode aplicar alguns lemas: “Manda quem pode, obedece quem
tem juízo”.
Poderia ser também: “Eu mando e você obedece”.
Tem uma terrível. Felizmente há muito tempo não ouço ninguém exercitado: ”Faça o
que eu mando. Você é pago para fazer, não para pensar”.
Apesar da agressividade que vemos nas ruas, me alegra o fato de que as relações
de comando nas empresas estão mais leves e os gestores estão mais abertos ao
debate.
A necessidade de agilidade para tomada de decisão obriga os gestores a serem
mais receptivos. A educação para comando e os conceitos de chefia melhoraram
muito.
Todos esses fatores não impedem que nossa tendência a acomodação e omissão sejam
extirpadas de vez com movimentos motivacionais.
Um gestor em posição diretiva e gerencial precisa ter consciência que quando um
problema entra em sua sala tende a ser complexo.
Em tese sua equipe já tentou resolve-lo e não conseguiu. Poucos comandados
gostam de se expor, quando o procuram é porque precisam realmente de ajuda.
Quero crer que você já se livrou daqueles que não contribuem e tomam seu tempo
desnecessariamente e no lugar colocou pessoas interessadas e comprometidas.
É verdade que encontramos gestores que não agem por terem uma filosofia
particular e classificam os problemas em duas classes:
1) Aqueles que não têm solução;
2) Aqueles que se resolvem sozinhos.
Nas empresas há momentos de maior ou menor pressão.
Não precisamos necessariamente tratar de uma situação falimentar, podemos
considerar o esforço para crescimento, o lançamento de um produto. Fatos
positivos também consomem brutalmente nossas energias.
Não acredita nisso? Vamos ver então:
Você marcou uma reunião sobre planejamento com sua equipe e preparou uma
apresentação para tratar de algumas questões complexas. Os convidados você
encontra todos os dias, está bastante seguro da forma como conduzirá os
trabalhos.
O CEO tinha um compromisso próximo e resolveu passar na empresa.
Ele tem grande respeito por você, gosta do seu trabalho, o considera
extremamente competente, ao saber da reunião lhe diz: - Gostaria que você me
convidasse para participar desse encontro. Não tenho muito tempo normalmente,
vou aproveitar que estou aqui para ouvi-los. É gratificante estar com vocês.
Isso vai destruí-lo? Claro que não, mas provocará umas gotas a mais de suor!
Você não? Que bom, as pessoas de modo geral costumam transpirar um pouco mais
nessas horas.
Já vivenciei momentos de fusão, cisão, venda e fechamento de empresas, onde
muitos gestores estavam envolvidos no processo, doze, quatorze, dezesseis horas,
tratando de questões que não podiam delegar.
Numa noite dessas, tratando de um plano para superar um duro concorrente,
cansados e movidos a café e biscoitos, alguém solta uma pérola: - Não sei o que
pesa mais, a cruz do anonimato ou a estrela do sucesso.
Do outro lado da mesa vem a resposta:- Se é para ser infeliz que seja em Paris!
Tenha certeza de uma coisa: Na vida você só carregará a estrela cujo peso
suportar!
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
Empresarial - Fones (11) 4526 1197 / ( 11 ) 9645 4652
www.postigoconsultoria.com.br - ipostigo@terra.com.br
Falar de mudança dentro de algumas organizações
é um hábito já implantado na cultura
organizacional, com uma percepção de que
adquirir conhecimento permite dar novos passos,
buscar novas soluções e produtos realmente
diferenciados da concorrência.
Mas a mudança é vista por muitos como um terreno
desconhecido, talvez porque falte uma pesquisa
sobre o assunto em questão, talvez por
imaginarem que mudar não é necessário.
É fato que as pessoas tendem a resistir um pouco
a qualquer mudança, seja na sua vida, em sua
própria casa ou na empresa, e não são todas as
mudanças que podem ser traumáticas, mas a forma
como serão implantadas é que faz com que cada um
tenha uma reação em defender o ambiente como
está.
Também é interessante perceber que se alguém
tende a impor uma mudança ela não será bem
aceita, não pela mudança em si, mas é necessário
ter um planejamento para implantar uma mudança
na organização, para que as pessoas se acostumem
com a idéia, que recebam todas as informações
necessárias sobre as alterações e que participem
realmente do processo.
Então é possível reduzir o impacto de uma
mudança, que em certas empresas é uma forma de
se esquecer das pessoas, mas que em outras é a
mudança que dará mais valor a cada um dos
talentos humanos.
Talvez a maior resistência das pessoas esteja
ligada diretamente à sua maneira de lidar com
tudo, é bem provável que a organização esteja,
para muitas pessoas, muito distante da mudança,
mas é possível unir as duas coisas, ter
organização pode levar a encontrar mais
facilmente o que se procura, e também não há uma
necessidade de mudar tudo a todo momento, mas em
um processo gradual.
Você pode iniciar uma mudança leve em sua
própria casa, como mudar o local de leitura
diário, o que poderá tornar-se um hábito, pois
há dias em que é necessário observar um mesmo
assunto de outro ângulo.
Só não há uma necessidade de mudar de forma
radical tudo o que vê pela frente,
principalmente porque antes de correr todos
tiveram que aprender a se equilibrar e andar, o
que demonstra o planejamento que o corpo exige
para se adaptar às novas situações, e também
funciona assim com a mente, pois uma leve
mudança no início faz com que as pessoas achem
que estão esquecendo.
Mas se mudar algo do ambiente que o cerca for
difícil, é evidente que a mudança deve ser na
própria pessoa, e que pode ser mais fácil de
controlar, pois você tem total controle sobre a
forma de pensar, agir e ganhará mais
conhecimento sobre si.
Só que dentro das organizações o tempo parece
estar contra todos, e é porque uma pessoa que
não sabe planejar acaba passando para as outras
algo que não entende.
Diariamente é possível ver inúmeros exemplos
onde a falta do planejamento traz perdas grandes
para as pessoas e para a organização, como
reflexo do que é deixado de lado, ou seja,
pensar e pesquisar sobre o que será importante
para a organização.
A mudança tem como objetivo trazer a melhoria
das pessoas, das organizações e deve ser parte
da cultura da empresa, sem que esta cultura
prejudique o funcionamento e desempenho da
organização, pois tudo o que é feito dentro de
uma empresa é iniciado com o planejamento, que é
baseado no conhecimento sobre um objeto, uma
ação e todas as variáveis que estão conectadas.
Mudar não é apenas trocar algo de lugar, é
melhorar seu conhecimento, aprender novas
técnicas, compartilhar um conhecimento e ter
dentro de si o desejo de estar sempre fazendo o
seu melhor no momento presente, para que no
futuro não hajam dificuldades.