Em um mundo
empresarial cada vez mais
interconectado e exigente,
aprender a gerenciar as
redes sociais que subjazem
ao organograma formal é
fundamental para tornar as
organizações mais
cooperativas e inovadoras no
meio interno, e competitivas
e adaptáveis ao meio
externo, adicionando valor a
suas marcas.
Esta visão estratégica sobre
a importância do
conhecimento das redes
sociais dentro do universo
empresarial se torna ainda
mais relevante em contextos
de turbulências econômicas,
como o atual.
Das redes sociais as redes
organizacionais.
Por mais de um século, a
metáfora de "rede social"
vem sendo utilizada sob
diversas conotações para
caracterizar as complexas
relações entre indivíduos de
um determinado sistema
social. Nos últimos seis
anos, por exemplo, com a
popularização das
plataformas de
relacionamento Web 2.0, tais
como Facebook ou LinkedIn, o
conceito passou a
vincular-se fortemente a
este tipo particular de rede
social.
É importante destacar que
por trás de algumas destas
aplicações, existe uma
sólida disciplina científica
denominada Análise de Redes
Sociais, que analisa visual
e quantitativamente as
estruturas e padrões
emergentes das relações
entre indivíduos.
No campo dos estudos
organizacionais,
aproximadamente na última
década, surge nos Estados
Unidos uma sub-disciplina
conhecida como Análise de
Redes Organizacionais - do
acrônimo em inglês ONA -,
que vem sendo exitosamente
utilizada pelas empresas do
ranking Fortune 500, tais
como: IBM, HP, Microsoft, 3M
e Intel.
No âmbito empresarial
brasileiro, no entanto, esta
ferramenta ainda é pouco
difundida, apesar da
crescente sofisticação deste
mercado.
Desvendando a comunicação
informal
Se por um lado, as
organizações se baseiam nas
estruturas formais como
instrumento de planificação
e tomada de decisões, são as
redes sociais de comunicação
informal que "fazem o
trabalho acontecer no dia a
dia", daí a importância em
saber se ambas as estruturas
(formal e informal) se
complementam ou, pelo
contrario, geram conflito
entre si.
Através de questionários -
web-based ou impressos - é
possível mapear dimensões
vinculadas ao valioso
capital relacional ou
Capital Social
organizacional, entendido
aqui como as redes de: fluxo
de troca de informações,
confiança e aconselhamento,
inovação e aprimoramento de
processos de trabalho,
motivação e energia ,
compartilhamento de valores
e do conhecimento do
cliente.
Como complemento, para uma
devida contextualização dos
dados analisados, é
recomendável a aplicação de
ferramentas próprias da
Antropologia Organizacional
tais como: entrevistas em
profundidade com os
colaboradores que se
destacam nas redes - e que
muitas vezes não ocupam
posições hierárquicas de
destaque - e a observação da
cultura organizacional, uma
vez que a comunicação é o
seu componente central.
Um processo típico de ONA é
realizado num período de 15
a 20 dias, dependendo dos
objetivos e do número de
indivíduos a serem mapeados.
Finalmente, o diagnóstico
das redes organizacionais
representa um conhecimento
essencial para o subseqüente
desenvolvimento de ações
estratégicas como:
. a retenção de
colaboradores chaves,
. a integração
comunicacional em processos
de fusões e aquisições e
grandes mudanças
estruturais,
. o aprimoramento da
interconectividade entre
departamentos e com os
stakeholders,
. a identificação de
comunidades de prática para
gerir o conhecimento
existente e gerar novo
conhecimento.
De tais ações resulta o
desenvolvimento de
organizações mais saudáveis,
eficientes e flexíveis.
Ignacio
García é antropólogo
organizacional e sócio
fundador da Tree Branding,
consultoria que integra
branding e desenvolvimento
organizacional através do
enfoque das redes sociais.

