Estamos Juntos nisso?
Por Ivan Postigo
09/01/2011
Em um restaurante, vi um pai dando uma bronca no filho pequeno e os irmãos
tentando defendê-lo. Quando viram que não tinha jeito de tirá-lo da encrenca
assumiram a culpa também.
As mesas eram muito próximas e todos acabaram ouvindo a história toda.
O pai meio sem jeito olhou para a platéia e perguntou: - Que faço com eles?
Pensei que fosse um só, mas estão juntos nisso!
Um senhor ao nosso lado respondeu: - Explique com calma porque não deveriam ter
feito o que fizeram e orgulhe-se, afinal sabem o que é solidariedade e
comprometimento.
Na infância fazemos muitas traquinagens, então há momentos bons e ruins.
Quer ver um momento excitante? Aprontar em grupo.
E um terrível? Apanhar sozinho!
Quando aprontamos e escapamos somos heróis, mas quando nos pegam e levamos uma
surra, e sozinhos, pagamos o maior mico. Ficamos até em dúvida se a pior parte é
apanhar ou encarar os amigos depois.
Amigos? Crianças esquecem a amizade e partem para a provocação! Interessante é
que na infância os laços são muito fortes e não se rompem com facilidade. Nessa
idade, sabemos que sempre haverá o amanhã e a vez do outro. Ninguém perde por
esperar.
Ora, crescemos e daí?
Quando nos perguntarem “estamos juntos nisso”, o que responderemos?
Depende da questão? Claro que sim, mas esta não é uma pergunta tão fácil como
parece.
Também não é uma pergunta para se fazer a qualquer hora, concorda? Afinal a
concordância será depois cobrada!
Raciocinemos:
Vai se casar? Um bom momento para perguntar: - Estamos, realmente, juntos nisso?
Até que a morte nos separe tem se mostrado muito tempo na era moderna, mas que
tal um comprometimento de verdade enquanto durar a relação?
Quer ver outro momento especial?
A decisão de ter filhos. Bom, pode ser que não de tempo para planos, mas já que
a cegonha virá mesmo que tal refletir um pouco e descobrir o que falta e
perguntar: - Estamos juntos nisso?
Foi assim que começamos, mas vai continuar?
Casamentos podem não ser para a vida toda, mas filhos com certeza são. Estamos
comprometidos com sua “criação” e educação?
Que tal este?
Você vem tentando convencer seu pai a lhe pagar um curso no exterior. Ele não
está animado, afinal seu comprometimento com os estudos não é dos maiores.
Depois de refletir bastante ele diz: - Eu pago, mas vou estabelecer algumas
condições, se não forem cumpridas você me dará seu carro e só poderá ter um
quando você o comprar com seu esforços. Estamos juntos nisso?
Quando você está cuidando de algumas tarefas, comandando uma equipe ou vai
contratar alguém, depois de explicar o que espera do grupo ou da pessoa, não
gostaria de ter uma resposta franca quando perguntasse: - Estamos juntos nisso?
Imagine que seu chefe está em uma enrascada, convenceu os colegas e obteve apoio
para um projeto e agora as coisas não se mostram nada bem. Os trabalhos não
evoluem, ele acha que está correndo sério risco e resolveu pedir sua ajuda.
Para você as implicações seriam menores em caso de fracasso, mas isso não
evitará que tenha que se expor defendendo algumas idéias e indicações de
soluções.
Depois de uma conversa franca, ele lhe diz: - Fico feliz que você possa me
ajudar, mas como este trabalho envolve riscos, gostaria que refletisse e só
dissesse sim quando tivesse certeza que pode responder positivamente que estamos
juntos nisso.
Neste momento está seguro que estamos juntos nisso ou quer mais tempo para
pensar?
Há um bilhete na minha mesa, com várias rubricas, me provocando por causa dessa
frase.
Está escrito o seguinte: Estamos juntos nisso. O que você propõe?
Simples: Vamos fazer deste um grande país?
E você, está conosco?
Estamos juntos nisso?
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
Empresarial - Fones (11) 4526 1197 / ( 11 ) 9645 4652
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