Encontrar uma estratégia
competitiva eficaz no
mercado é um grande desafio
sobre muitos aspectos. Não
apenas porque a competição
entre empresas é cada vez
mais acirrada, mas também
porque fatores como
globalização, competição de
produtos importados como os
Chineses, aumento constante
de produtos genéricos,
comodites, avanço da
tecnologia, entre outros
aspectos, apontam para um
cenário cada vez mais
disputado. É o chamado
“Oceano Vermelho”, onde
modelos de competição muito
parecidos acabam por
diminuir as margens de
lucratividade da maioria das
corporações.
Na prática, existem algumas
questões cruciais que
incomodam as empresas: Como
é possível ser mais
produtivos em termos de
vendas? Que novas
oportunidades não estão
sendo exploradas? Será que
nossos principais
concorrentes estão
preparando algumas
“surpresas”, para dominar o
mercado que já é nosso?
Porque alguns dos nossos
produtos têm dificuldade de
penetração? Como podemos
convencer os clientes de que
nossos produtos são mais
vantajosos do que os de
nossos concorrentes?
A estratégia do oceano azul
ajuda a responder estas
questões de forma inovadora,
possibilitando um
posicionando vantajoso
frente à concorrência. Em
geral, as empresas que
fizeram movimentos
estratégicos vencedores não
recorreram à concorrência
como paradigma. Alinharam
inovação com utilidade,
preços e ganhos de custo, em
vez de se esforçar para
vencer o concorrente. Ao
contrario das empresas do
“Oceano Vermelho”, que
apenas trabalham com
mercados conhecidos e com
commodities. Como adotam as
mesmas estratégias, todas as
empresas estão se afogando
na competição sem fim,
tentando vencer a
concorrência a qualquer
custo.
Gol - A mais veloz da
história
Quando Constantino Júnior,
presidente da Gol, fundou
sua empresa em janeiro de
2001, estava entrando num
dos mercados mais complexos
e competitivos que existem.
Mercado famoso por provocar
grandes prejuízos e falência
de empresas tradicionais. No
entanto ele e seu grupo de
dirigentes vinham com outro
paradigma. Oriundos do setor
de transportes terrestres,
eles perceberam que era
inútil entrar na briga
existente entre as
principais companhias
aéreas, e trataram de
explorar os segmentos de
mercado que estavam sendo
negligenciados pelas
grandes: Varig, Vasp e TAM.
Começaram a seduzir clientes
com a estratégia “preço
baixo e nenhum luxo”. Para
isto, viabilizaram táticas
inovadoras para o segmento.
Custos operacionais 60%
abaixo do da concorrência,
comercialização de passagens
pela internet, e promoções
de viagens noturnas, entre
outras ações. Resultado:
conseguiram conquistar não
apenas clientes das grandes
companhias que optaram por
passagens mais econômicas,
mas também muitos
passageiros das companhias
de transporte terrestre.
Neste período a companhia
cresceu 17 vezes em cinco
anos, saindo de um
faturamento inicial de 230
milhões de reais (5% do
mercado), para 3,8 bilhões
de reais (37% do mercado).
Este é um exemplo clássico
de uma estratégia vitoriosa.
O coreano Chan Kim e a
professora francesa Renée
Mauborgne, conseguiram
sistematizar estratégias
competitivas como esta,
chamando-as de “A Estratégia
do Oceano Azul”, título do
seu livro, lançado há poucos
anos e que teve grande
sucesso mundial. Eles
ensinam: “Não concorra com
os rivais — torne-os
irrelevantes”. Ao invés da
luta sangrenta no “Oceano
Vermelho” da competição nos
moldes conhecidos, devem-se
criar estratégias inovadoras
para desbravar os “Oceanos
Azuis” de espaços
inexplorados de mercado.
Marketing de guerra –
Táticas e Estratégias
Para conhecer melhor como
funciona este método
competitivo, é preciso
entender o relacionamento
fundamental existente entre
Tática e Estratégia. A
maioria das empresas do
“Oceano Vermelho” utiliza a
estratégia de marketing “Top-Down”,
ou seja, decidem o que
fazer, e depois saem á caça
de idéias (táticas), para
realizar seus objetivos.
Este é o modo de trabalhar
da maioria das companhias do
mercado. Já as empresas que
nadam em “Oceanos Azuis”,
utilizam outra formula: a
estratégia de marketing “Bottom-Up”,
ou seja, primeiro buscam
encontrar táticas (idéias
inovadoras) de mercado que
sejam realmente eficazes,
para só então formatar sua
estratégia.
Fazendo uma metáfora, se a
estratégia é um avião, as
táticas são as turbinas. Não
adianta construir um grande
avião se você só consegue
produzir turbinas para
aviões menores. Neste caso,
é preferível primeiro buscar
táticas eficazes (idéias
inovadoras), e em seguida
desenvolver uma estratégia
para apoiar a execução
destas idéias. A proposta da
estratégia do oceano azul é
justamente esta, encontrar
novos ângulos competitivos,
mercados inexplorados,
necessidades não satisfeitas
e oferecer soluções em forma
de produtos ou serviços ao
mercado de forma única.
Assim a empresa nadará em um
“Oceano Azul”, ou mercado
altamente lucrativo, livre
da concorrência predatória.
Quebrando Paradigmas
Para iniciar este processo é
preciso primeiramente
quebrar paradigmas. Ampliar
seu ângulo de visão
mercadológica, e enxergar no
mercado aquilo que seus
concorrentes não estão
acostumados a observar. A
pergunta: que oportunidades
de mercado existem que podem
alavancar nossas tecnologias
e nos ajudar a alcançar os
objetivos de médio e longo
prazo? É uma questão cuja
resposta pode abrir caminho
para vários ”Oceanos Azuis”.
A inovação salvou esta
empresa
HÁ cinco anos, o laboratório
Eli Lilly definhava junto
com suas marcas
tradicionais, pressionados
pela concorrência e pela
entrada dos medicamentos
genéricos, um verdadeiro
“Oceano Vermelho”. Foi
quando resolveu inovar.
Vendeu 21 marcas
tradicionais, que
representavam um terço do
faturamento da Lilly no
Brasil. Desfez-se de nomes
consagrados, mas com margens
de lucro cadentes, como o
cicatrizante Merthiolate. No
lugar deles investiu em
pesquisas e lançou
medicamentos novos, com
tecnologia de ponta, e mais
rentáveis. Um dos
lançamentos foi o do Cialis,
que se tornou o principal
concorrente do Viagra. As
vendas da empresa dobraram
nos últimos cinco anos.
Assim a companhia voltou a
figurar entre as maiores do
país no setor.
Os quatro passos de
visualização da estratégia
Para Cham Kim, tudo começa
com uma mudança de foco. É
preciso parar de olhar para
empresas concorrentes e
pensar em novas
oportunidades. Busque
competências alternativas às
que tem atualmente, pesquise
as empresas estratégicas que
estão se saindo bem no
mercado, inclusive em outras
áreas, examine sua cadeia de
clientes, pois o seu futuro
cliente pode estar
atualmente em um mercado
complementar ao seu. Examine
a oferta de competências
complementares e observe as
tendências de mercado e não
apenas os modismos.
A seguir os quatro passos de
visualização desta
estratégia:
· O despertar visual -
analisar suas competências,
suas qualidades positivas e
negativas.
· A exploração visual -
descobrir como está sendo
percebido no mercado.
· Visualize a estratégia -
montar seu plano tático
estratégico.
· Faça a comunicação visual
- comunicar este plano ao
mercado.
Um dos exemplos preferidos
de Kim vem do Cirque du
Soleil, o circo canadense
que “arrasou” em sua
passagem pelo Brasil em
2006. Guy Laliberté criou
seu “Oceano Azul” ao
eliminar atributos do
espetáculo tradicional, como
os animais, e em seu lugar
ofereceu a vibração do circo
aliada à sofisticação
intelectual do teatro. Ao
estudar movimentos
estratégicos como este Kim e
a co-autora de Oceano Azul,
Renée Mauborgne, descobriram
fatores em comum que podem
ser copiados por qualquer
empresa ou profissional.
Havaianas um ícone de moda
mundial
A Alpargatas nos dá outro
exemplo de uma engenhosa
estratégia que tornou as
Havaianas um ícone de moda
mundial, ao conquistar o
prêmio Empresa do Ano, da
Revista EXAME. Seu grande
mérito foi ter conseguido o
que nenhuma outra empresa
nacional obteve até hoje —
estabelecer com sucesso no
mercado mundial uma marca
brasileira de consumo de
massa. As sandálias
havaianas, antes sinônimo de
produto barato, e até como
símbolo de baixo status
social, não poderia
concorrer com fabricantes de
produtos populares, como os
Chineses, se não tivesse
conseguido posicionar seu
produto como uma grife no
mercado mundial.
Principais critérios para
definir um Oceano Azul
Existem três critérios
principais que definem os
“Oceanos Azuis”
comercialmente atraentes.
Estes critérios determinam
se as idéias de novos
negócios de uma empresa – e
a tecnologia que sustenta
esses projetos – são capazes
de criar um crescimento
forte e rentável:
· É preciso que a empresa, o
produto ou o serviço tenha
uma utilidade excepcional
para o consumidor.
· O preço precisa ser
estratégico, ou seja,
atrativo o suficiente para
provocar alto consumo,
criando assim um novo
mercado consumidor, ou uma
nova fronteira para um
antigo mercado.
· Precisa ser um modelo de
negócio que agregue os dois
conceitos anteriores e
garanta uma margem de lucro
confortável.
Cafés especiais – o Oceano
azul do segmento de café
Um exemplo de um novo
mercado que surgiu é o de
cafés especiais – o “Oceano
Azul” do segmento de café. O
setor do qual marcas como
Orfeu, Spress e Astro fazem
parte, é considerado hoje o
mais promissor da
cafeicultura. O Brasil é
líder mundial na produção
deste café detendo um terço
da produção, e ainda existe
muito espaço para
crescimento. Apenas 0,1% dos
cafeicultores produzem cafés
especiais. Enquanto o
mercado tradicional cresce a
taxa de 4% ao ano, o de
cafés nobres cresce a 20%,
segundo a Associação
Brasileira da Indústria de
Café. O quilo do café
tradicional é vendido a 9
reais no supermercado,
enquanto o especial pode
chegar até a 100 reais.
A fazenda Ipanema, sediada
no sul de Minas está nadando
num verdadeiro “Oceano
Azul”, pois é a única
fornecedora brasileira da
Starbucks, a rede de
cafeterias que conta com 13
000 lojas espalhadas por 40
paises, e faturou 7,8
bilhões de dólares em 2006.
Uma verdadeira grife do café
a nível mundial.
Mas quando fazer a
estratégia do oceano azul?
Segundo Chan Kim, não se
deve esperar pela crise.
Faça isso enquanto está
produzindo bons números e o
acionista está feliz. Mesmo
que você pense que sua
estratégia atual está indo
bem, quando utilizar a
metodologia e fizer os
quatro passos sugeridos na
estratégia, verá que está
nadando num mar vermelho.
A Taurus dá adeus às armas
A Taurus é um exemplo. Há
poucos anos, na época do
plebiscito sobre a proibição
das armas, a empresa
pressentiu que o mercado de
armas, em franco declínio,
os levaria a bancarrota.
Tomou-se, então, a decisão
de aplicar toda a capacidade
da companhia num processo de
diversificação, que incluiu
a fabricação de novos
produtos e a aquisição de
outras companhias. A empresa
deixou de lado seu maior
mercado e entrou em
segmentos inexplorados. O
adeus às armas foi saudado
pelos investidores. Suas
ações tiveram uma
valorização de 200% em 2006,
e continuam crescendo
exponencialmente.
Nos últimos três anos, a
participação das pistolas e
revólveres no faturamento da
Taurus caiu de 80% para 58%.
Alem de reduzir a
dependência de um só
produto, a mudança de rumo
da Taurus refletiu-se na sua
lucratividade. O lucro, em
2006, superior a 30 milhões
de reais, foi quase 70%
superior ao do ano anterior,
e a empresa que estava
estagnada voltou a crescer.
A inovação e a quebra de
paradigmas são os grandes
aliados da estratégia do
oceano azul. Mas é preciso
não confundir inovação de
valor com inovação
tecnológica ou de tecnologia
de ultíssima geração; eles
não são sinônimos. A
estratégia do “Oceano Azul”
deriva da inovação de valor
– ou seja, da associação da
inovação a fatores
valorizados pela maioria dos
consumidores – e não apenas
da inovação tecnológica em
si.
Para saber se suas idéias
estão de acordo com
inovações de valor, faça um
teste: como o seu produto
pode tornar a vida dos
consumidores bem mais
produtiva, simples,
conveniente, segura,
divertida e em dia com as
tendências do mercado? Se
você não conseguir responder
a essa questão com frases
simples e decisivas, então
não está no caminho para a
criação de “Oceanos Azuis”.
A fábrica de usinas
encontrou seu Oceano Azul
Um interessante exemplo de
empresa que conseguiu sair
do “Oceano Vermelho” em que
vivia e encontrar seu
“Oceano Azul”, e que sempre
foi marcada por sua atuação
em um setor ligado a
commodities — açúcar e
álcool –, a Dedini tinha
sido historicamente uma
empresa vulnerável a fatores
externos. A companhia
cresceu exponencialmente
quando o setor estava bem, e
afundou retumbantemente após
o fracasso do Proálcool.
Impulsionada pelo entusiasmo
internacional com o etanol e
pela popularidade dos carros
flex no país, a Dedini
ressurgiu nos últimos anos
como um dos mais
impressionantes casos de
sucesso. Nos últimos três
anos, o faturamento da
Dedini mais que dobrou, indo
de 450 milhões para 1 bilhão
de reais. Neste ano, é
esperado um novo salto,
daqueles que nem em seu
sonho mais colorido o
presidente da companhia,
Dovílio Ometto, poderia
imaginar. Num cenário
modesto, a previsão é que as
vendas aumentem 80%,
chegando a 1,8 bilhões de
reais.
Nos últimos dez anos, antes
da recuperação do etanol, a
empresa tomou uma série de
atitudes para prevenir-se
contra novas oscilações.
Passou a atuar no mercado de
bens de capital — máquinas e
equipamentos de grande porte
— e a fornecer para setores
tão diversos quanto
mineração e siderurgia, e
também passou a produzir
equipamentos para a
indústria cervejeira. No
momento certo, a empresa
soube posicionar-se como o
principal fornecedor de
usinas de álcool,
conquistando inacreditáveis
25% do mercado mundial deste
segmento.
Uma estratégia para superar
desafios
A Estratégia do Oceano Azul
exige uma postura pró-ativa,
exige disposição para
superar desafios, exige
quebra de paradigmas e exige
uma estratégia competitiva
de marketing tipo
“Bottom-Up” (primeiro
encontre táticas eficazes
para conquistar mercados,
persuadir clientes, vender
produtos, para depois
procurar alcançar as metas).
As idéias inovadoras devem
ser buscadas com audácia e
inteligência, e com
sensibilidade em relação aos
desejos, interesses e
necessidades dos clientes.
A Estratégia do Oceano Azul
nos permite sonhar com o
impossível e nos dá
ferramentas para alcançá-lo.
Portanto, chega de ficar
apenas competindo por
migalhas de mercado com os
concorrentes. O grande
desafio agora é ter visão de
futuro, e não apenas pensar
em cumprir metas
estipuladas, mas encontrar
fórmulas de superá-las. O
desafio que se impõe para
organizações e para seus
profissionais é desbravar
novos mercados até encontrar
o seu “Oceano Azul”.
Ari Lima é
empresário, engenheiro,
consultor em marketing
pessoal e gestão de
carreiras e especialista em
marketing e vendas.
Desenvolve treinamento em
marketing pessoal e
marketing jurídico para
profissionais liberais,
empresas, escritórios e
estudantes universitários.
Ministra cursos, seminários
e palestras realçando o lado
prático e funcional do
marketing e escreve artigos
diariamente para diversos
sites e revistas. Além de
uma sólida formação teórica,
possui 25 anos de
experiência prática em
gerenciamento e treinamento
de vendedores e de gerentes
de vendas, bem como
atendimento a clientes.

