Quando os americanos Larry
Page e Sergey Brin,
fundadores do Google,
resolveram, no início desta
década, fazer um Download da
internet, e baixar
praticamente todas as
informações disponíveis na
web, estavam a um passo de
criar uma empresa
revolucionária e inovadora,
que se tornaria a maior
referência do setor nos anos
seguintes. Mas o passo
decisivo foi a contratação
do iraniano Omid Kordestani,
que tinha a missão de
transformar a idéia
inovadora em um negócio
lucrativo. Kordestani criou
os “links patrocinados” e,
com isto, partindo
praticamente de um
investimento zero, criou as
condições necessárias para
tornar o Google uma empresa
bilionária em apenas sete
anos de existência.
Saindo da condição de uma
empresa de “fundo de
quintal”, a partir de um
pequeno grupo que se
amontoava em uma sala perto
da Universidade de Stanford,
nos EUA, o Google partiu de
um faturamento mensal zero
para faturar 16.6 bilhões de
dólares em 2007. Seu valor
de mercado, hoje, está
estimado em 139 bilhões de
dólares e ultrapassa o de
empresas como Coca-cola e
Boeing.
O Google é um caso clássico
de utilização da estratégia
do oceano azul para competir
no mercado. É possível
identificar pelo menos duas
idéias básicas desta
estratégia que foram
utilizadas com sucesso pelo
Google. A primeira é: “Torne
a concorrência irrelevante,
em vez de competir em
mercados altamente
concorridos”. A segunda
idéia foi: “Crie uma
inovação de valor”. A seguir
vamos detalhar melhor estes
dois aspectos que foram
utilizados com sucesso em
sua trajetória meteórica no
mundo dos negócios.
Torne a Concorrência
Irrelevante
Quando o Google
estabeleceu-se no mercado de
buscas na internet e criou
os “links patrocinados” como
uma mídia inovadora, este
mercado não existia,
portanto ele começou a
“nadar num oceano azul”, sem
concorrentes, deixando para
outras empresas da internet
a disputa no oceano vermelho
da competição já existente
na Web. Desta forma o Google
usou com maestria a máxima
da estratégia do oceano
azul: “Torne a concorrência
irrelevante”.
Diante do espetacular
sucesso do Google, gigantes
da internet como Microsoft e
Yahoo! tentam de todas as
formas conquistar uma fatia
deste lucrativo mercado.
Atualmente a divisão do
mercado de sites de busca
encontra-se dividido da
seguinte forma: Google
(62,4%), Yahoo! (12,8%),
Microsoft (2,9%), Outros
(21,95).
A Microsoft, em vão, tentou
competir neste lucrativo
filão de mercado lançando
sua própria ferramenta de
busca, o Live Search, mas
conquistou apenas 2,9% do
mercado.
Agora surgem rumores de uma
associação entre Microsoft e
Yahoo!, que estariam se
unindo para competir em
igualdade de condições com o
Google. Em fevereiro de 2008
foi divulgada a notícia de
que a Microsoft fez uma
oferta de 44,6 Bilhões para
a compra do Yahoo!, mas o
negócio ainda não foi
concretizado.
Existe uma velha máxima no
mundo dos negócios que diz:
“quem chega primeiro bebe
água limpa”, e é exatamente
isto que está ocorrendo no
mercado de links
patrocinados dominado pelo
Google. A empresa inventou
esta forma de ganhar
dinheiro na internet,
tornou-se o principal
utilizador deste tipo de
mídia e agora, com uma forte
âncora neste mercado,
dificilmente será
desbancada.
Crie uma Inovação de Valor
O outro importante conceito
da estratégia do oceano azul
utilizado pelo Google foi a
criação de uma “inovação de
valor”, que não deve ser
confundida com uma inovação
comum. Na inovação de valor
é preciso agregar os
seguintes conceitos:
• Atendimento de
necessidades não satisfeitas
de forma inovadora – através
do estudo de mercado e das
tendências sociais é
possível localizar nichos de
mercado que não estão sendo
atendidos de forma
satisfatória. São nestes
nichos de mercados que se
escondem os oceanos azuis.
No caso do Google, seus
fundadores perceberam que
existia uma demanda
crescente por informações na
internet, e que não estava
sendo atendida. O que eles
fizeram foi criar, de forma
inovadora, uma maneira de
fornecer estas informações.
• Criação de uma grande
demanda, suficiente para a
inauguração de um novo
mercado – para se criar um
oceano azul é preciso que
exista uma demanda contínua.
Uma inovação que atenda
apenas a um pequeno grupo de
pessoas não é suficiente
para o surgimento de um
oceano azul. O mercado de
buscas, criado pelo Google,
criou uma demanda que já
existia de forma latente, ou
seja, existia a necessidade,
mas não havia ferramentas
adequadas para
satisfazê-las.
• Viabilidade financeira da
inovação – finalmente a
inovação de valor precisa
ser lucrativa o suficiente
para permitir um grande
crescimento da empresa, mas
também viável para que os
consumidores possam
utilizá-las como uma demanda
sustentável. Os links
patrocinados, aqueles
pequenos anúncios de duas
linhas que aparecem quando
se está buscando uma
informação, criados pelo
Google, podem ser acionados
através de um simples “click”,
e são viáveis principalmente
porque o anunciante paga
apenas pelos acessos
efetivamente ocorridos,
maximizando seu investimento
em anúncios.
A idéia que se esconde por
trás do Google é tão
inovadora e criou uma
demanda tão fantástica que
ele se tornou um fenômeno
cultural. O nome da empresa
entrou para o dicionário de
língua inglesa no ano
passado como um verbete
sinônimo de buscas na
internet.
A história do Google
demonstra de forma eloqüente
o poder de uma estratégia
inovadora, possível de ser
utilizada não apenas por
grandes corporações, mas
principalmente por pequenas
empresas, permitindo que
companhias de menor porte
possam competir com sucesso
com as grandes organizações,
utilizando a metodologia da
estratégia do oceano azul.
Ari Lima é
empresário, engenheiro,
consultor em marketing
pessoal e gestão de
carreiras e especialista em
marketing e vendas.
Desenvolve treinamento em
marketing pessoal e
marketing jurídico para
profissionais liberais,
empresas, escritórios e
estudantes universitários.
Ministra cursos, seminários
e palestras realçando o lado
prático e funcional do
marketing e escreve artigos
diariamente para diversos
sites e revistas. Além de
uma sólida formação teórica,
possui 25 anos de
experiência prática em
gerenciamento e treinamento
de vendedores e de gerentes
de vendas, bem como
atendimento a clientes.

