A Gestão do Conhecimento e a padronização
Por Carlos Alberto de Faria
03/07/2008
Um dos assuntos que causa mais comoção é a padronização, o pessoal fica olhando
de lado. Esta palavra PADRONIZAÇÃO traz junto com ela, pela nossa cultura, o
conceito de amarras, de algo imutável, de uma estrutura rígida, de falta de
flexibilidade. Afinal nós somos e nos vangloriamos de ser o país do jeitinho,
não é?
Este é um conceito deturpado da padronização, pois a padronização exige sim o
rigor de se estabelecer como as coisas precisam ser feitas. Mas embutido na
padronização está também o conceito de que se deve aplicar a melhoria contínua:
enxergando formas melhores ou mais efetivas de se fazer, o que quer que seja.
Então essa nova forma de fazer é testada, e se aprovada, torna-se o novo padrão.
A padronização traz consigo a liberdade de criar, deixa para trás o receio e o
medo de errar, pois indica exatamente o que deve ser feito e como deve ser
feito, possibilita o desenvolvimento das pessoas e dos processos e,
conseqüentemente, das empresas.
Vejamos cada um destes itens em separado:
1. O Fim Do Receio E Do Medo
A padronização exige que se escreva o que se produz, como se produz e para quem
se produz. Este conjunto de descrições informa, aos que executam as atividades
de produção desse bem ou serviço padronizado, exatamente o que tem que ser
feito, ou seja, informa o que se espera que ele faça e como devem fazer. Sem
dubiedade e sem mudanças de humor de chefes e supervisores.
Com a padronização o resultado esperado do empregado é descrito de forma a não
haver dúvidas, eliminando os receios e mal entendidos tão comuns em nossas
empresas.
O empregado sabe e conhece o que deve fazer, e pelo que será cobrado, eliminando
ansiedade, receio e o medo.
2. O Desenvolvimento Da Pessoa
Como o empregado sabe perfeitamente o que se espera dele e sabe elaborar ou
executar a sua atividade, ele pode e deve ser investir o seu tempo e
capacidades, não somente na sua atividade, mas também no aprimoramento do
processo de produção ou elaboração.
Com isto o empregado deixa de ser mão de obra, e age com mais inteireza, mais
ativamente, questionando o processo, propondo e testando melhorias. Isto coloca
cada empregado mais próximo da sua realização profissional, ele é um ser humano
pleno em uma atividade produtiva, onde ele pode fazer a diferença.
3. O Desenvolvimento Dos Processos
Com o questionamento do processo, a proposição e teste de alterações que
possibilitem ganhos, os processos também evoluem, aprimoram-se. Este
aprimoramento tem o nome de melhoria contínua. Este aprimoramento de processos
tem um único caminho e um único nome: aumento de produtividade.
4. O Desenvolvimento Da Empresa
A empresa também melhora como reflexo:
- dos empregados plenos e ativos;
- dos empregados que sabem o que se espera deles;
- dos processos padronizados e em constante otimização;
- da produtividade crescente; e
- dos "benchmarkings" internos, ou disseminação de melhores práticas.
Mas até agora você só falou de padronização, e a gestão do conhecimento? O que
tem uma a ver com a outra?
Pois é, a padronização é uma das ferramentas básicas da gestão do onhecimento.
A padronização garante, que na ausência de qualquer empregado, por qualquer
motivo, haja um padrão que define o que deve ser feito e como deve ser feito.
Com isto o conhecimento permanece na empresa, e não somente na cabeça de uns
poucos empregados, servindo também de base para o treinamento de novos
empregados. Ajuda e alavanca a comparaçãao e a disseminação do conhecimento,
internamente à empresa.
O histórico da padronização, registrando a evolução de como as coisas foram
sendo feitas, ajudam a dar uma visão da evolução do processo de elaboração ou
confecção, não permitindo que se volte atrás, com proposições já testadas e
abandonadas.
Portanto a padronização é um dos instrumentos básicos da Gestão do Conhecimento:
a padronização ajuda a tornar perene e disponível o conhecimento testado e
aprovado na empresa, registra a sua evolução, dissemina o conhecimento e
alavanca comparações, ajudando a estabelecer melhores práticas ("benchmarking").
Carlos Alberto de Faria é sócio diretor da Merkatus - Fonte: Merkatus