Desde os primórdios da
civilização, o homem vem
aperfeiçoando sua capacidade
de processar informações,
por conta de sua necessidade
de representar, tratar e
guardar dados, sobre tudo
que o cerca a milhares de
anos. Sendo que
paralelamente a esse
processo, possibilitou-se
também a construção do
conhecimento, que se tornou
mais elaborado,
sistematizado e metódico, ao
ponto de adquirir o status
de científico. Atualmente, a
questão do conhecimento tem
obtido uma centralidade
relevante para a sociedade
ocidental, denominada por
muitos ideólogos da
pós-modernidade de sociedade
do conhecimento. Esta
situação se observa
marcadamente nas
organizações empresariais,
que se deparam com o desafio
de se manterem competitivas
e atraentes para o mercado
globalizado exigente e
diversificado na oferta de
serviços, destacando-se
várias estratégias para
demarcar diferenciais
específicos entre
organizações empresariais
nesse processo. Dentre as
estratégias que objetivam
atender a essas demandas do
mercado, destacam-se dois
grandes aliados: a gestão do
conhecimento e o marketing,
que configuram o objeto de
investigação do presente
trabalho científico, o qual
busca compreender de que
forma ambos podem se
constituir um novo
diferencial competitivo para
as organizações empresariais
contemporâneas, evidenciando
a pertinência e relevância
da temática pesquisada.
Ademais, entende-se que a
gestão do conhecimento não
seja algo que se possa
comparar, mas sim uma ação
estratégica competitiva
aliada ao marketing, a qual
as empresas buscam, com
objetivo de obterem um
diferencial competitivo.
Portanto, objetiva-se
conhecer de que forma a
gestão do conhecimento
aliada ao marketing pode ser
um diferencial competitivo
para as empresas
contemporâneas. Para tanto,
realizou-se uma pesquisa
bibliográfica, onde as
fontes de informações foram
coletadas em livros,
revistas especializadas e
periódicos, além do acesso a
sites disponibilizados pela
Internet. Além disso,
caracteriza-se como pesquisa
descritiva. Os resultados
apontam que há muitos
milênios, o homem vem
aperfeiçoando sua capacidade
de processar e armazenar
informações, tendo exercido
um papel marcante nesse
aspecto, o advento da
escrita, cuja civilização
fenícia consta sendo a
pioneira na invenção de um
sistema de desenhos que
representava sua linguagem,
utilizando para cada palavra
um símbolo. Desde então, a
humanidade vem se
transformando sob os mais
variados aspectos (SMOLE,
1999). Contudo, deve-se
considerar que tal processo
é possível devido a uma
característica fundante do
homem: sua inteligência – a
capacidade de pensar
teleologicamente, ou seja, o
homem é o único ser capaz de
refletir sobre sua ação. O
que implica na capacidade
deste homem (humanidade) de
compreender o mundo e suas
mudanças de hoje, do passado
fazendo prospectivas acerca
do futuro (SMOLE, 1999). E
tanto é verdade a afirmação
acima que, atualmente o
produto científico tem tido
um peso tremendo no
cotidiano das pessoas,
apesar de que a ciência
(conhecimento sistematizado,
metódico e deliberado) é uma
instância relativamente
recente na história, já que
seu processo de superação do
mundo mitológico se deu
paulatinamente, pois a
modalidade de conhecimento
científico no ocidente tem
pouco mais de 2.500 anos (CORTELLA,
2001; ROCHA NETO, 2003).
Pode-se então, afirmar que o
termo conhecimento, pode ser
definido da seguinte forma
“[...] o ato ou efeito de
conhecer; a idéia, noção; a
informação, notícia,
ciência; a prática da vida;
experiência; o
discernimento, critério,
apreciação; a consciência de
si mesmo; acordo; a pessoa
com quem travamos relações;
o documento escrito,
declaração ou recibo de que
consta ter alguém em seu
poder certas mercadorias; a
nota de despacho de
mercadorias entregues para
transporte; o recibo de
parcela de contribuição
direta; o sentido mais
amplo, atributo geral que
têm os seres vivos de reagir
ativamente ao mundo
circundante, na medida de
sua organização biológica e
no sentido de sua
sobrevivência; a posição,
pelo pensamento, de um
objeto como objeto, variando
o grau de passividade ou de
atividade que admitam nessa
posição; a apropriação do
objeto pelo pensamento, como
quer que se conceba essa
apropriação; como definição,
como percepção clara,
apreensão completa, análise.
(SHIGUNOV NETO; TEIXEIRA,
2006, p. 223)”. A idéia de
formas diferentes de
conhecimento foi introduzida
no mundo dos negócios por
dois grandes pensadores da
arena de gestão do
conhecimento, a saber:
Ikujiro Nonaka e Hirotaka
Takeuchi no início da década
de 1990, onde destacaram a
distinção entre o
conhecimento explícito e o
tácito. O primeiro é aquele
capaz de ser expresso
facilmente pelos indivíduos,
utilizando as diversas
formas de linguagem e de
comunicação. Já o tácito é
aquele difícil de converter
em informação, sendo
necessário que se torne
explícito para que seja mais
útil para um sistema
organizacional (BUKOWITZ;
WILLIAMS 2002). Segundo
Shigunov Neto e Teixeira
(2006) o que se pretende com
a gestão do conhecimento é
tirar proveito da melhor
maneira do conhecimento
tácito e o conhecimento
explícito de uma
organização. Esse
aproveitamento do
conhecimento explícito nas
organizações é mais fácil,
pelo seu caráter codificável,
transitando de forma
relativamente clara nas
organizações. A
possibilidade de administrar
conhecimentos, competências
e mudanças vêm sendo
discutida, no entanto, com
maior intensidade na última
década, tanto por
instituições de pesquisa e
desenvolvimento, quanto em
empresas ou em outras formas
organizacionais, tendo
gerado um novo vocabulário e
muitas polêmicas. A
maturidade organizacional, a
estrutura hierárquica e de
responsabilidade, a cultura,
os valores e a missão do
negócio são aspectos
importantes para as empresas
direcionarem suas ações de
manutenção do capital
intelectual, definindo sua
prioridade. De forma geral,
pode-se conceituar gestão
conhecimento nesta seguinte
definição, ou seja, a gestão
do conhecimento diz respeito
ao processo pelo qual a
organização gera riqueza, a
partir do seu conhecimento
ou capital intelectual. Tal
riqueza ocorre quando uma
organização utiliza o
conhecimento para criar
processos eficientes e
efetivos, tendo impacto nos
resultados financeiros. Para
Rocha Neto (2003), a gestão
do conhecimento inclui a
prospecção sobre o futuro,
organização do saber
explícito, administração de
programas de qualidade,
gestão da tecnologia, além
de cuidar da desaprendizagem/aprendizagem
organizacional, que se
referem ao desuso de
práticas obsoletas e
incorporação de novos
conhecimentos. Destaca-se
ainda que a gestão do
conhecimento envolve a
proteção dos direitos de
propriedade intelectual, uso
de patentes e outros
aspectos legais. O referido
autor se refere ainda ao
termo gestão estratégica do
conhecimento enquanto um
processo de administrar, que
compreende: a identificação
de ativos especiais –
portfólio de competências,
que conferem identidade à
organização; relação de
estratégias de aprendizagem
organizacional; mobilização
e complemento dos recursos
disponíveis, para a
realização de objetivos
coletivos. Desse modo,
pode-se verificar que a
implantação coordenada da
Gestão do Conhecimento pode
criar uma vantagem
competitiva sustentável e de
difícil imitação, pois está
enraizada nas pessoas que
trabalham na empresa, e não
em recursos físicos,
facilmente imitáveis pelos
concorrentes e menos
flexíveis para reagir às
incertezas do ambiente
(SILVA, 2004). Para Kotler
(1998) o conceito de
marketing é uma filosofia
empresarial que para atingir
as metas organizacionais
consiste em ser mais eficaz
do que a concorrência para
integrar as atividades de
marketing, satisfazendo
necessidades e desejos do
mercado-alvo, que se
constitui em um dos quatro
pilares de fundamentação do
marketing, sendo os outros
três: necessidades dos
consumidores, marketing
integrado e rentabilidade.
Desse modo que relações se
estabelecem entre o
marketing e o conhecimento e
sua respectiva gestão? Para
Rodriguez y Rodriguez
(2001), a resposta a essa
questão passa pela
observância de que os
profissionais do marketing
precisam de informações
sobre seu ambiente, e de
forma especial de
informações sobre seus
clientes e concorrentes,
necessitando saber também de
que forma o mercado atual
tem respondido a um composto
de marketing atual e quais
seriam as supostas reações
às suas mudanças. Surge, no
bojo dessa discussão, a
evidência de que os gestores
têm admitido com mais
freqüência o apoio da gestão
do conhecimento ao
marketing, porém poucos
reconhecem que a primeira
possa se beneficiar das
atividades de marketing, que
emerge sendo não apenas de
produto, mas, sobretudo de
conhecimento, caracterizando
no entanto, uma tendência
incipiente, mas crescente,
que se configura num novo
desafio aos profissionais.
Trata-se do marketing do
conhecimento, que é
incorporado à área de
marketing, se envolvendo e
se comprometendo com a
gestão do conhecimento,
auxiliando as estratégias
dessa última nas empresas,
que são motivadas por
pressões competitivas. Dessa
forma, as empresas que
trabalham nessa perspectiva
vêm relacionando trabalhos
relevantes à gestão do
conhecimento (gestão da
demanda e oferta do
conhecimento), procurando
estruturar e organizar as
entregas de conhecimento aos
clientes, elaborando
estratégias mercadológicas
para o conhecimento, visando
tornar visível o diferencial
por competências e por
capital intelectual aos
serviços executados pela
área de marketing. Diante do
exposto pode-se, somente a
título de norteamento,
definir marketing de
conhecimento como “atividade
que considera a venda não só
do resultado do saber
(produtos e serviços), mas a
‘venda’ do ‘próprio’
conhecimento e do modo como
ele é criado, alavancado,
produzido, compartilhado,
utilizado, embalado e
entregue pelas empresas,
extraindo proveito dos
possíveis diferenciais que
cercam sua gestão e do modo
como eles são percebidos e
valorizados pelo mercado.
Este marketing de
competências (se preferir),
acima de tudo, seguirá a
tendência de valor do saber.
Ao contrário dos produtos e
serviços, o marketing do
conhecimento em seus
trabalhos considerará e
enfatizará o conhecimento e
o capital intelectual e se
empenhará em torná-los
evidentes e transparentes ao
público alvo de interesse
(FIGUEIREDO, 2003, p. 02)”.
Outrossim, a definição
confirma que a área de
marketing além de se
beneficiar da gestão do
conhecimento pode também
ajudá-la e que, marketing
não é só de produto, mas
também de conhecimento,
caracterizando este último,
uma tendência incipiente,
mas crescente, tornando-se
um novo desafio aos
profissionais, o marketing
do conhecimento, também
incorporado pela área de
marketing, passará a se
envolver e comprometer-se
com a gestão do
conhecimento. Ademais, o
marketing de conhecimento
deve tornar visível ao
público-alvo quais os ativos
intelectuais mais
valorizados pelo mercado e
clientes ou que fariam a
diferença entre eles,
divulgando e publicando os
diferenciais competitivos
baseados na competência e no
conhecimento dos talentos da
empresa que poderiam
despertar a atenção do
mercado, tornando visível a
esse último o valor
associado às competências
essenciais da empresa. Deve
ainda enfatizar o
conhecimento coletivo
organizacional admirável e
de alto valor requerido pelo
mercado, tornando evidente
para o mesmo a contribuição
do capital intelectual das
pessoas ao sucesso da
empresa, devendo também
vincular e comunicar ao
público externo a real
contribuição dos ativos
intangíveis no alcance dos
resultados financeiros, na
obtenção das melhorias de
processos, na satisfação e
fidelização de clientes, no
desenvolvimento de soluções
de vanguarda e da inovação,
na obtenção da criatividade,
na retenção e atração dos
recursos humanos, mostrando
aos compradores potenciais,
investidores e talentos que
se querem atrair,
indicadores relacionados a
qualidade do capital
intelectual da empresa
ligado à idéia de
eficiência, competência,
crescimento, alcance de
resultados, capacidade de
invenção e criatividade,
satisfação dos clientes,
transferência e uso do
conhecimento, qualidade das
soluções, intensidade de
relacionamentos, registro de
patentes, intensidade de
pesquisas e aplicação,
eficácia, desenvolvimento
técnico, adaptação,
qualidade de produtos e
serviços, capacidade de
aprendizado e inovação,
criação de novos produtos,
valorização da companhia no
mercado, capacidade
lucrativa e de negócios.
Pode-se concluir que o
marketing do conhecimento é
por si um programa, que se
soma ao programa de gestão
do conhecimento e com ele
deve crescer alinhado e
coerente, uma vez que a
competência na empresa é
colocada a prova a todo
instante e neste sentido,
tudo precisa ser e estar
completamente coeso aos
anúncios e campanhas que
venham promover. Ele
continua exercendo
influência positiva nos
resultados da companhia de
maneira indireta, pela
produção e percepção de seu
valor, o que é um desafio a
ser atingido pelo marketing
do conhecimento que, por sua
vez, torna evidente o
capital intelectual da
empresa e quando confirmado
na prática por todos, pode
desempenhar um papel muito
importante e produzir
efeitos ainda maiores,
influenciando e formando
opinião favorável, que
normalmente resultam na
percepção de alto valor da
companhia e de suas ofertas,
possibilitando,
concretizando o objetivo da
construção do diferencial
competitivo pautado no
incentivo, na promoção e
divulgação deste ativo
intangível, tornando-o capaz
de atrair público.
REFERÊNCIAS
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WILLIAMS, Ruth L. Manual de
gestão do conhecimento.
Porto Alegre: Bookman, 2002.
CORTELLA, Márcio Ségio.
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conhecimento. In.: A escola
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Paulo: Cortez; Instituto
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2003. (Disponível em: <http://www.kmol.online.pt/artigos/200301/fig02_1.html>).
Acesso em: 3 out. 2007.
KOTLER, P. Administração de
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ROCHA NETO, Ivan. Gestão do
conhecimento e competências:
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ABIPTI, UCB/Universa, 2003.
RODRIGUEZ Y RODRIGUEZ,
Vicente Martins Rodriguez y.
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