Desenvolver sua
competência retórica deve
ser um dos principais
objetivos do advogado que
almeja o sucesso
“Seja um bom ouvinte.
Incentive os outros a falar
sobre eles mesmos”. Dale
Carnegie, no livro Como
fazer amigos e influenciar
pessoas
A capacidade de influenciar
pessoas sempre foi um dos
fatores de sucesso na
advocacia. Desde os mais
remotos tempos, os juristas
com grande capacidade
retórica se sobressaíam nos
tribunais apelando para o
poder da oratória, ora
vencendo causas difíceis,
ora construindo
relacionamentos e
influenciando a sociedade.
Grande parte dos advogados
consagrados têm em comum uma
grande capacidade de
persuasão.
Dada a importância
estratégica da persuasão
para alcançar o sucesso no
setor jurídico, cabe aos
advogados conhecer melhor
esta ciência e procurar
aperfeiçoá-la, tornando-a
uma ferramenta útil tanto no
exercício da profissão
quanto na conquista e
fidelização de clientes.
Embora seja um termo pouco
usado no dia a dia, e
conceito raramente difundido
na literatura, a persuasão
tem um poder incalculável, e
pode ser utilizada tanto
para realizações nobres
quanto para enganar as
pessoas. Profissionais como
médicos, advogados,
engenheiros, sacerdotes e
políticos podem praticá-la
para influenciar
positivamente seus clientes
ou seguidores, assim como
vigaristas, maus políticos e
comerciantes inescrupulosos
utilizam-na para ludibriar
pessoas de boa fé.
A origem da palavra
persuasão vem do latim, “persuadere”,
que significa aconselhar, ou
numa tradução livre,
“aconselhar alguém até que
este concorde em fazer o que
queremos”. Muitos confundem
persuadir com convencer, mas
é um engano, pois são
conceitos bem diferentes.
Enquanto convencer é
derivado da palavra
“vencer”, e significa que o
convencido foi, antes de
tudo, “vencido” pela
argumentação oposta,
persuadir, ao contrário,
significa aconselhar,
levando a pessoa a realizar
alguma ação.
Uma pessoa pode estar
convencida da importância de
realizar alguma atividade,
e, no entanto, não fazer
nada a respeito. O advogado
pode tentar convencer o
cliente de que seu
escritório tem as melhores
condições para atender as
necessidades dele, no
entanto, de nada valerão
todos os argumentos
apresentados, pois o cliente
só contratará o serviço se
for persuadido a fazê-lo.
Ao contrário do
convencimento e da imposição
pela autoridade ou força
física, a persuasão lida com
a vontade das pessoas. Ela
se estabelece através de uma
comunicação suave e
elegante. A pessoa
persuadida age de acordo com
a vontade do persuasor,
mesmo que seu intelecto não
esteja convencido da verdade
ou da importância do
assunto. Por isto, a
persuasão é uma arma
poderosa e ao mesmo tempo
perigosa. Quem não conhece
inúmeros exemplos de
políticos que, mesmo sendo
reconhecidamente corruptos e
mal intencionados, ainda
assim vencem eleições sobre
candidatos íntegros e
honestos?
A persuasão é uma técnica
que pode ser aprendida por
qualquer pessoa através de
treinamento. Assim, podemos
afirmar que a persuasão é
uma ciência, pois seus
conceitos acompanham uma
lógica, têm uma estrutura e,
portanto, pode ser
desenvolvida. Na verdade
praticamente todas as
pessoas têm alguma
capacidade de persuasão, e a
utilizam diariamente para
tentar conseguir algo
daqueles com quem convivem.
Claro que alguns têm esta
habilidade inata bem mais
desenvolvida que outros.
Podemos dizer que a
persuasão tem também um lado
artístico, pois quando
aprendemos a utilizá-la de
maneira natural, graciosa e
inconsciente, sem mesmo
pensarmos que estamos
persuadindo alguém, ela se
torna uma arte. Todos nós
conhecemos inúmeros exemplos
de comerciantes, vendedores,
líderes religiosos,
políticos e, porque não
dizer, vigaristas, que tem
uma “lábia”, muito eficaz.
São pessoas que possuem uma
comunicação poderosa, que
envolvem os interlocutores
com seus “conselhos”, e
acabam conseguindo
exatamente o que querem.
O velho golpe do “bilhete
premiado”, aplicado por
vigaristas há décadas, é um
exemplo clássico do poder
nefasto da persuasão. Mas
também podemos citar
inúmeros casos de líderes
que, com seu carisma e poder
de persuasão, conseguem
motivar as pessoas,
mobilizando-as para
realizarem feitos e superar
dificuldades em momentos
difíceis.
Dois exemplos clássicos são
os lideres Martin Luther
King e Mahatma Gandhi que
operaram revoluções
pacificas em seus países,
sem utilização de qualquer
poder ou força, apenas
usando a palavra falada.
Os maiores persuasores são,
antes de tudo, grandes
conhecedores da alma humana.
Eles conseguem fazer uma
“leitura” do pensamento e
dos sentimentos das pessoas,
descobrindo seus desejos e
necessidades, muitas vezes
ocultos, e baseados neste
entendimento utilizam
argumentos que irão
influenciá-los.
O presidente Getúlio Vargas,
foi um mestre na arte de
persuadir. Existem varias
histórias a seu respeito,
mostrando sua arte de
influenciar as pessoas.
Getúlio conhecia
profundamente a natureza
humana. Ele sabia que era
inútil criticar e
contradizer os outros. Era
hábito seu prestar atenção
às pessoas, interessar-se
pelos seus problemas, dar
razão a todos e, no final,
as pessoas fazerem o que ele
queria.
Quais são as principais
técnicas para tornar-se
persuasivo?
Aristóteles, que no capítulo
II de seu livro Arte
Retórica, definia a retórica
como “a arte de descobrir o
que há de persuasivo em cada
assunto”, nos mostra três
caminhos para a persuasão:
primeiro devemos apelar para
a vontade das pessoas,
depois para a sensibilidade
e por último para a
inteligência. Determinadas
pessoas se guiam mais pela
vontade, outras pela
sensibilidade e algumas
predominantemente pela razão
e inteligência.
Ele defendia que devemos
sempre apelar para os três
aspectos da psicologia
humana, mas dar ênfase
àquele em que a pessoa for
mais influenciável.
Para nos tornarmos
persuasivos, é preciso,
também, observar dois
aspectos principais da
comunicação interpessoal: A
forma e o tipo de
linguagem.
A forma como nos comunicamos
desempenha papel fundamental
no
processo, pois é importante,
desde o início,
conquistarmos a simpatia de
quem vai ser persuadido.
Através da postura corporal,
dos gestos e
do tom de voz, é possível
conquistarmos confiança e
credibilidade.
Já o conteúdo da persuasão
deve ser comunicado numa
linguagem adequada ao tipo
de pesoa que estamos
tentando persuadir. Por
exemplo, pessoas humildes
preferem que falemos numa
linguagem simples, e pessoas
cultas são mais sensíveis a
uma linguagem intelectual.
Alem disto, é preciso
atingir o lado emocional
destas pessoas, falando de
coisas agradáveis e
estimulando suas paixões.
Cada pessoa é mais bem
influenciada por
determinados aspectos
num processo de persuasão.
Fazendo uma generalização,
com o objetivo de demonstrar
este processo, diríamos, por
exemplo, que as mulheres
tendem a ser mais
influenciadas por argumentos
que demonstram beleza e
sensibilidade, enquanto que,
para persuadir comerciantes,
devemos apelar para
argumentos práticos como
ganho financeiro, por
exemplo. No caso dos
magistrados, a melhor forma
de persuadi-los é apelar
para argumentos que envolvam
justiça, credibilidade,
honra, o bem comum e as
leis.
A persuasão nos tribunais
É conhecida a fama de
grandes juristas que
utilizam a dramatização no
tribunal do júri para
influenciar jurados e até os
juízes em suas
alegações. O que eles fazem,
essencialmente, é apelar
para o lado
emocional das pessoas. É o
caso de um dos mais famosos
advogados criminalistas do
Brasil, o falecido jurista
Dr. Evandro Lins e Silva,
que chegou a ser ministro do
Supremo Tribunal Federal.
Era famosa sua capacidade
oratória nos tribunais.
A importância da persuasão
para juízes e promotores
A persuasão é cada vez mais
importante em praticamente
todas
as áreas do Direito. Hoje em
dia não é mais possível
conseguir cooperação das
pessoas através da força, da
imposição ou fazendo valer a
hierarquia; esta época está
superada. O termo “manda
quem pode,
obedece quem tem juízo”, não
encontra mais espaço nos
dias atuais.
Juízes e promotores, que
criarem o hábito de utilizar
o poder da persuasão para
conseguir a cooperação das
pessoas, obterão melhores
resultados e terão menos
atritos de relacionamento,
sem
prejudicar sua autoridade. A
capacidade de persuasão de
promotores e juízes pode,
por exemplo, facilitar muito
a conciliação entre as
partes de um processo,
evitando demandas longas e
custosas para o serviço
público e para todos os
envolvidos.
A importância da persuasão
no relacionamento com o
cliente
O relacionamento adequado
com os clientes pode ser uma
das principais táticas de
marketing jurídico para um
advogado. Uma comunicação
persuasiva promove
relacionamentos excelentes e
duradouros, e possibilita
que o profissional consolide
sua marca e obtenha
continuamente indicação de
novos clientes. Além disto,
a persuasão ajuda o advogado
a obter maior cooperação de
seus contratantes durante o
processo, evitando eventuais
atritos ou estresse gerados
por determinados processos.
Que argumentos evitar
durante a persuasão
Uma das maneiras de um
orador tornar-se eloqüente e
persuasivo é transmitir
sinceridade. Sob nenhum
pretexto o advogado deve
utilizar falsos argumentos,
mentiras e termos
excessivamente técnicos, que
fujam à compreensão de seus
interlocutores.
Sugestões para advogados
tornarem-se mais persuasivos
Apesar de perceber que esta
tendência está começando a
mudar, em nosso trabalho de
consultoria em marketing
jurídico percebemos que
ainda existe no setor uma
cultura voltada mais para os
embates do que
para a negociação e o bom
relacionamento interpessoal.
A sugestão é que os
operadores do direito
comecem a desenvolver, além
dos aspectos técnicos de sua
profissão, as competências
comportamentais relacionadas
à inteligência emocional
como: empatia, comunicação
interpessoal, motivação,
liderança e
capacidade de negociação.
Dicas práticas que poderão
ser úteis:
• Procure fazer elogios
sinceros
• Dê atenção, demonstre
interesse e ouça de fato as
pessoas
• Evite criticar e condenar
quem quer que seja
• Sorria sempre que possível
• Trate todos pelo nome
• Evite discussões
• Evite queixar-se
demasiadamente.
Estas são algumas regras de
relações humanas que, se
utilizadas
habitualmente, farão com que
nossa capacidade de
persuasão seja
naturalmente melhorada.
Acreditamos que desta forma,
o desenvolvimento da
capacidade persuasiva será
um fator da maior
importância para o sucesso
dos operadores do Direito,
sejam eles juízes,
promotores ou advogados. Nos
escritórios de advocacia, a
persuasão pode tornar-se,
também, um fator decisivo na
consolidação do escritório,
no futuro dos negócios e nas
relações com sócios,
colaboradores e clientes.
Ari Lima é
empresário, engenheiro,
consultor em marketing
pessoal e gestão de
carreiras e especialista em
marketing e vendas.
Desenvolve treinamento em
marketing pessoal e
marketing jurídico para
profissionais liberais,
empresas, escritórios e
estudantes universitários.
Ministra cursos, seminários
e palestras realçando o lado
prático e funcional do
marketing e escreve artigos
diariamente para diversos
sites e revistas. Além de
uma sólida formação teórica,
possui 25 anos de
experiência prática em
gerenciamento e treinamento
de vendedores e de gerentes
de vendas, bem como
atendimento a clientes.

