Atualmente, o turismo é
reconhecido como uma
importante atividade
econômica para diversos
países, e a sociedade está
cada vez mais consciente do
seu significado para o
incremento da economia.
Hoje, não é possível pensar
em desenvolvimento de um
país, estado ou cidade, sem
voltar à atenção para a
questão do turismo, uma vez
que este possui uma devida
relevância para a economia,
sendo fonte de renda e de
divisas, além de exercer
impactos significativos
sobre a cultura e o espaço
(natural e social) da área
receptora. Com todas as
transformações ocorridas ao
longo dos anos (incremento
da tecnologia, globalização,
etc.) e à medida que o
turismo vem evoluindo, o
perfil do turista também vem
sofrendo mudanças, e este
fica cada vez mais
consciente e exigente em
relação ao produto que lhe é
oferecido, seja comparando
outros destinos já
visitados, ou seja, pelas
informações que já possui.
Por isso, que os destinos e
produtos turísticos devem
estar alinhados com as
exigências que o mercado
atual vem impondo, e neste
sentido, as autoridades e
empresários do ramo
turístico de São Luís, devem
tomar atitudes para que os
produtos possam competir de
maneira uniforme com outros
mercados, a fim de
direcionar ações
qualitativas e estratégicas
de forma equivalente ou
similar ao que o mercado vem
exigindo. Apesar de não
receberem a atenção que
merecem, muitos pontos da
cidade, mesmo sem os devidos
investimentos, encantam por
sua imponência arquitetônica
e fatos históricos ali
presentes. Neste contexto,
encontra-se a Casa das
Tulhas ou Mercado da Praia
Grande. Construída em meados
do século XIX, a Casa das
Tulhas se tornou um dos
mercados mais movimentados
de São Luís, fato que até
hoje permanece. Porém,
apesar dos anos de
existência, nem todo
maranhense tem conhecimento
dos produtos e artefatos que
o Mercado da Praia Grande
oferece, pois lá, pode ser
encontrado desde a cachaça
ou peixe seco, até o cofo de
palha, farinha de mandioca
torrada, doce de bacuri,
camarão, frutas típicas da
região, galinha caipira,
artesanatos em madeiras e
demais utensílios da cultura
do povo maranhense. Dotada
de um grande potencial
turístico, apresentando em
sua estrutura um belo
conjunto de edificações, a
Casa das Tulhas, desempenha
hoje, um papel fundamental
no processo de
diversificação da oferta
turística do centro
histórico de São Luís, sendo
local de visitação de vários
turistas e da própria
sociedade. Portanto,
objetiva-se identificar como
a Casa das Tulhas pode ser
um produto turístico
competitivo para o centro
histórico de São Luís do
Maranhão. Utiliza-se de
pesquisa bibliográfica e
documental, coletando
informações em livros,
revistas, artigos,
monografias, teses e
dissertações. Como resultado
tem-se que turismo é o
“conjunto de atividades
realizadas pelas pessoas
durante suas viagens e
estadas em lugares distintos
do seu ambiente habitual,
por um tempo consecutivo
inferior a um ano, com
finalidade de lazer,
negócios ou outros motivos”
(OMT, 2001, p. 11). De
acordo com as motivações, o
turismo se subdivide, entre:
“o turismo religioso,
turismo de negócios, turismo
cultural, entre outras
modalidades, sendo que
sempre poderão surgir outras
ramificações”, no entanto,
concentra-se o presente
trabalho no turismo cultural
(OMT, 2001, p. 15). O
turismo cultural é aquele em
que as pessoas buscam
conhecimentos e informações
como encontros científicos e
artísticos. Além disso,
estas buscam um contato
maior com a comunidade local
em busca de aprofundar-se na
cultura do lugar visitado,
onde há um intercâmbio
cultural. A atividade
turística é alavancadora de
investimentos e
multiplicadora de empregos
diretos e indiretos, sendo
uma atividade que demonstra
possuir sua própria dinâmica
e justificativa social, por
isso não pode ser concebida
como uma coisa passageira. O
turismo vem evoluindo
constantemente, sendo
considerado o segmento que
exibe as maiores taxas de
crescimento no mundo dos
negócios, sendo de grande
importância para a economia
de uma região, pois
interfere positivamente no
seu processo de
desenvolvimento. Mas a
atividade turística é
formada por produtos
turísticos, que se
caracterizam por sua
diferenciação em relação a
outros produtos existentes
no mercado, sendo que é
composta por itens e
percepções intangíveis, onde
o consumidor o sente como
forma de experiência.
Mediante pesquisa realizada
pelo Instituto Brasileiro de
Turismo (EMBRATUR), no ano
de 2006, o turista, ao
escolher seu destino de
viagem leva em consideração
muitos aspectos que no geral
são verificados previamente
(MINISTÉRIO DO TURISMO,
2006). Os elementos que
despertam o interesse do
turista são chamados de
atrativos turísticos. Dentre
os principais atrativos,
destacam-se: a) recursos
naturais – montanha,
planalto e planícies, costa
ou litoral, terras
insulares, hidrografia,
pântanos, quedas d’ água,
fontes hidrominerais ou
termais, parques e reservas,
grutas, cavernas, áreas de
pesca; b) recursos
histórico-culturais -
monumentos, sítios
arqueológicos, instituições
culturais, pesquisa e lazer
(museus, bibliotecas),
festas, comemorações,
gastronomia, artesanato,
folclore, música, danças,
feiras, compras etc,
incluindo todos os recursos
relacionados à
hospitalidade; c)
realizações técnicas e
científico-contemporâneas –
exploração de minério,
exploração industrial, obras
arquitetônicas e técnicas
(usinas, barragens), centros
científicos e tecnológicos
(zoológicos, jardins
botânicos); d)
acontecimentos programados –
congressos e convenções,
feiras e exposições,
realizações diversas
(desportivas, artísticas,
culturais, sociais,
gastronômicas e científicas)
(OMT, 2001). Qualquer
produto ou serviço deve ter
preocupações com o
marketing, ocorrendo o mesmo
com o produto turístico. É
preciso definir o que
produzir e qual o tipo de
clientela envolvida. Além
disso, os produtos
turísticos apresentam
características próprias e
podem ser divididos em: a)
bens turísticos – todos
aqueles que proporcionam ao
homem a satisfação de
exigência filosóficas
(repouso, lazer),
espirituais (peregrinações),
culturais (estudo, pesquisa)
e morais (mudança de
comportamento. Quase todos
os bens turísticos, ao
contrário da grande maioria
dos bens (artigos), não
podem ser transformados. Os
bens turísticos podem ser
materiais (mares, praias,
parques naturais), culturais
(arte, folclore, imagens),
livres (elementos climáticos
e apropriáveis ( coleção de
arte, campos de esporte); b)
serviços turísticos – todas
as ações que permitem ao
turista usufruir dos bens
turísticos. Quanto à
definição de serviços, estes
podem ser considerados como
as realizações econômicas
que consistem não na
produção de bens materiais,
mas nas prestações pessoais.
A prestação de serviço
significa a execução de um
serviço, isto é, a
satisfação de uma
necessidade por meio da
troca, de conhecimentos,
ajudas mútuas ou
competências. Quando os bens
turísticos são aliados aos
serviços turísticos,
consequentemente ocorrerá
uma satisfação do cliente,
pois há um aumento no número
de vantagens para o destino
turístico, pois o mesmo tem
maiores valores agregados
que irão satisfazer o
visitante. Entretanto
configura-se como um grande
desafio aliar os bens
turísticos aos bons serviços
turísticos. Esta é uma busca
constante que deve ser
alcançada o quanto antes.
Portanto, o produto
turístico é representado por
bens e serviços que estão
diretamente relacionados com
as mais variadas atividades
de turismo. O conjunto de
atrações naturais e
artificiais de uma região e
o produto turístico, ou
seja, tudo que visa atender
às necessidades e satisfação
do turista define a oferta
turística. Neste caso, a
qualidade é essencial para a
vantagem competitiva do
produto turístico. Portanto,
qualidade é o conjunto de
traços e características de
um produto ou serviço para
satisfazer as necessidades
específicas ou implícitas do
consumidor. A partir dessa
definição, pode-se inferir
que “qualquer produto pode
ser visto como um produto de
qualidade se satisfizer as
necessidades do consumidor”
(SWARBROOKE, 2000, p. 58).
Nesse sentido Ruschmann e
Solha (2004, p. 85) afirma
que “a qualidade não é
resultado de uma única ação
isolada, ela está ligada a
todos os aspectos do ciclo
da produção e do consumo,
bem como da percepção do
cliente quanto a esse
produto como um todo”.
Então, a qualidade é um
conjunto de todas as ações
dos serviços prestados por
todos os funcionários do
local e da percepção que os
clientes vão ter destes
serviços. Cabe ressaltar que
para suprir as necessidades
dos clientes, os
empresários, em especial
aqueles que exploram os
segmentos turísticos devem
investir em pesquisas
voltadas para detectar as
necessidades de seus
clientes. Frente aos
resultados, devem buscar a
melhor estratégia para
atender o diagnóstico e
assim surpreender os
clientes visando também à
fidelização dos mesmos. O
setor de prestação de
serviço, que envolve o
turismo, focaliza um modo de
servir e satisfazer
plenamente o consumidor.
Para competir no mercado
turístico, o empreendedor
deve ser inovador,
elaborando planos de
desenvolvimento e
acompanhamento. Neste caso,
deve-se aliar ao marketing,
que “é antes de tudo um
estado de espírito do que
uma ciência exata” (LAS
CASAS, p. 80). Na verdade, é
este estado de espírito que
será capaz de renovar, de
inovar, de adaptar-se, de
convencer-se de que nada é
imutável, que sempre se está
em busca de novas vitórias.
Este estado de espírito fará
com que “o homem de
marketing compreenda mais
facilmente o mundo que o
rodeia, os clientes que
estão em contínua evolução e
a concorrência que nunca
deve ser menosprezada.
Imbuído deste estado de
espírito, o homem de
marketing saberá colocar-se
na situação do cliente, isto
é, sairá de si mesmo, do
mundo que o rodeia para
viver como o cliente vive,
sente, quer” (CASTELLI,
1984, p. 51-52). Além disso,
o marketing através do
planejamento ajudará de
forma que a Casa das Tulhas
possa agregar valor através
da imagem, da marca, da
posição de mercado, etc.,
fazendo com que a Casa das
Tulhas ocupe uma posição
privilegiada no cenário
turístico da cidade de São
Luís. Beni (2001, p. 43)
esclarece que “é preciso
definir estratégias de
marketing para promoção dos
produtos turísticos”, isto
sem esquecer a qualidade do
produto. De nada adiantaria
ter divulgação sem oferecer
qualidade nos serviços
prestados. A Casa das
Tulhas, de certa forma
encontra-se inserida no
mercado competitivo como um
produto turístico que
desperta interesse, sua
história é tão
significativa, que nem mesmo
o descaso nesse sentido de
investimento e promoção,
apagam os encantos
encontrados em cada beco, em
cada parede, em fim, em tudo
que o cerca. O produto
turístico para mostrar-se
competitivo necessita de
constante fiscalização,
investimento e de
estratégias de promoção. O
Mercado da Praia Grande
precisa ser visto com maior
interesse, a sua importância
é grande demais para
encontrar-se em estado de
estagnação, deixando a
desejar aos demais mercados
com semelhante valor.
Cidades como São Luís, com
grandes atrativos turísticos
está sendo cada vez mais
procurada por turistas em
busca de belas paisagens,
história, cultura,
gastronomia, dentre outros
interesses. Porém, para uma
região ser um destino
turístico importante, não
basta possuir atrativos, é
necessário possuir
infra-estrutura básica e de
apoio à população local e
dos visitantes, pois caso
contrário, o poder de
atração fica comprometido.
De acordo com os resultados
obtidos pela pesquisa,
pode-se concluir que toda a
área do Projeto Reviver e em
especial algumas localidades
como a Casa das Tulhas,
precisam de maior atenção,
uma vez que representam
parte da história da cidade.
Com o turismo crescendo no
Maranhão, é necessário que
órgãos competentes tomem
medidas eficientes, com o
propósito de beneficiar e
ampliar a imagem de um dos
pontos turísticos que é
marco para historia do
comércio naquele local, por
que são vendidos os mais
diversos produtos regionais
que só o mercado oferece com
tanta variedade, que vai
desde as ervas medicinais,
até os licores, a cachaça
tiquira, o camarão e peixe
seco, a farinha, os bombons
de cupuaçu e bacuri, e uma
infinidade de outros
produtos, mas que não tem
muita divulgação dentro do
próprio estado. A Casa das
Tulhas, poderia se manter
competitiva com outros
mercados do gênero de
maneira mais consistente, se
os investimentos devidos
fossem realmente presentes.
Através deste estudo, foi
possível verificar que os
problemas encontrados e as
deficiências verificadas
pelos proprietários estão
relacionados à falta de
incentivos do poder público
e falta de sensibilização
dos próprios trabalhadores
da Feira em adotar medidas
inovadoras. Essas medidas
podem ser tomadas a partir
de parcerias com a
Prefeitura Municipal de São
Luís que pode angariar
subsídios para melhorar a
estrutura da feira e também
realizar parceria com a
Secretaria Municipal de
Turismo no que se refere a
cursos de qualificação
profissional. Contudo, é
importante ressaltar que a
participação e
comprometimento dos
proprietários e funcionários
são fundamentais para a
resolução destes problemas.
A partir da inserção dessas
propostas, a Feira da Praia
Grande, terá o potencial
turístico desta mais elevado
contribuindo então, para o
aumento do fluxo de
consumidores e
conseqüentemente para um
grau maior de satisfação da
clientela. Somente com a
inserção de políticas
públicas, qualidade nos
serviços oferecidos e um
plano de marketing
estratégico, a Casa das
Tulhas, poderia ser
considerada como um produto
turístico competitivo para o
Centro Histórico de São
Luís.
Palavras-chave: Casa das
Tulhas. Produto turístico.
Qualidade.
REFERÊNCIAS
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estrutural do turismo. 6.
ed. São Paulo: SENAC, 2001.
CASTELLI, Geraldo.
Administração hoteleira.
Caxias do Sul: EDUCS, 2000.
LAS CASAS, Alexandre Luzzi.
Marketing: conceitos,
exercícios e casos. 7. ed.
São Paulo: Atlas, 2005.
MINISTÉRIO DO TURISMO.
Destinos turísticos. 2006.
Disponível em:
<www.turismo.gov.br>. Acesso
em: 05 de ago. de 2008.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO
TURISMO (OMT). Introdução ao
turismo. São Paulo: Roca,
2001.
RUSCHMANN, Doris; TOLEDO,
Karina. Turismo: uma visão
empresarial. São Paulo:
Manole, 2004.
SWARBROOKE, John. Turismo
sustentável: turismo
cultural, ecoturismo e
ética. São Paulo: Aleph,
2000.

