A Internet é Democracia
Por Sandra Turchi
08/06/2010

A internet é mesmo democrática. Cada vez mais se percebe que ela invade os lares contagiando a todos. Os mais jovens, pela facilidade que têm com essas inovações, as pessoas de mais idade, pelo desafio que representa e pela dificuldade em entender como funciona.

Um dia desses demonstrei ao meu pai, um senhor de setenta anos que nunca tinha navegado, algumas das utilidades da rede. Desde como acessar informações com grande velocidade, até postar fotos em sites de ´content sharing´ como o Flickr. Além disso, acessamos o Youtube para ver vídeos corriqueiros, bem como verificamos caminhos alternativos no GoogleMaps, via celular.

Sua expressão foi de fascínio. Além de ficar curioso, ele simplesmente achou incrível e até me parabenizou, como se eu fosse responsável por aquilo, ou como se fosse algo que eu tivesse alguma responsabilidade, sem saber que sou também mais uma fascinada, como ele, pois quando se trata de internet, a única coisa que tenho certeza é que somos todos aprendizes.

Por isso digo que a web é democrática, pois além de não haver restrições por idade, observa-se um crescimento vertiginoso no acesso vindo de todas as classes sociais.

Outro ponto é a acessibilidade gerada pela popularização do celular, com o qual se pode navegar de qualquer lugar, a qualquer hora. Se por um lado isso é fabuloso, por outro nos traz uma sensação de total dependência, pois quando esquecemos esse aparelhinho em algum lugar, logo surge uma perturbação, como se tivéssemos nos esquecido de alguém, ou como se faltasse uma parte de nós. A verdade é que ficamos com a percepção de que se perde alguma informação, só pelo fato de não estarmos conectados por alguns momentos.

Falando nisso, o celular ocupa cada vez mais um espaço interessante por viabilizar muitas atividades como acessar vídeos na web, email, consultar mapas, temperatura, checar a cotação da bolsa de valores, fotografar e até para falar!

Outra ferramenta, ainda mais veloz e de grande poder de disseminação, o Twitter, aumenta essa democracia, pois ele pode ser considerado um medidor de tendências, ou um termômetro útil para as empresas acompanharem suas marcas, ou suas crises. No mundo empresarial, algumas companhias que já fazem acompanhamento sobre o que as comunidades falam a respeito dos seus produtos ou serviços, hoje incluíram também esse microblog nessas análises.

Voltando a falar na democracia gerada pela internet, creio que o principal ponto observado atualmente é a possibilidade de cada ser humano publicar aquilo que bem entende e disseminar esse conteúdo. A web trouxe um poder às mãos dos consumidores nunca antes visto, dada a possibilidade de influenciar outras pessoas e, portanto, seu consumo, suas opiniões, seus interesses.

Levando isso para o contexto político, já que estamos falando sobre democracia, percebe-se que mesmo o governo querendo proibir o uso de redes sociais durante a campanha eleitoral ele simplesmente não conseguirá, isso seria completamente inviável, visto que a liberdade é inerente ao funcionamento da internet.

Por sua vez, tanto as empresas como os políticos não podem mais se esquivar ou ficar distantes desse meio de comunicação. O que deve ser feito, tanto em se tratando de consumidores, como de eleitores, é usar esse caminho como uma plataforma para interagir com total transparência com cada um desses públicos e com isso atingir seu objetivo, seja ele qual for.


Sandra Turchi é graduada pela FEA-USP, pós-graduada pela FGV-EAESP e MBA pela Business School São Paulo com especialização pela Toronto University e em empreendedorismo pelo Babson College em Boston. É superintendente de Marketing da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) instituição que administra o SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). Site: www.sandraturchi.com.br - Twitter: http://twitter.com/SandraTurchi