A Lógica e a Emoção
Por Carlos Alberto de Faria
02/07/2008
Este artigo, originalmente, estava previsto para ser um Boletim Eletrônico
Semanal. No entatanto, dado o seu cunho e abordagem técnica ser um pouco
hermético e pouco digerível, optei por colocá-lo como um artigo.
Mas não se enganem! O conteúdo altera, ou melhor, define ações do marketing. Por
exemplo, este artigo mostra porque a emoção é básica nas decisões,
diferentemente alguns que achavam ser a lógica... Aos que se interessarem, ao
artigo!
Eu me deparo, freqüentemente, com opiniões e asserções colocando a lógica como
algo a ser perseguido e a emoção, bem... a emoção... a emoção como “algo não
muito bem visto”.
Esta perspectiva me deixa preocupado, pois já faz algum tempo, o livro “O Erro
de Descartes”, de Antonio Damásio, neurocirurgião português, radicado nos EUA,
chefe do Departamento de Neurocirurgia da Universidade de Yowa, PhD, informa que
Descartes, com sua frase:
“Penso, logo existo.”
representou um progresso dentro da construção da cultura ocidental e humana, no
entanto, os seus estudos o conduziram para uma outra frase, mais precisa e
correta, à luz do que hoje conhecemos dos mecanismos de funcionamento do
cérebro:
“Existo e sinto, logo penso.”
Esta afirmação derivou-se de algumas constatações de que pessoas que, por
quaisquer traumatismos ou doenças, tiveram a sua amígdala cerebral perdida.
Estas pessoas não perdem o seu senso de lógica, resolvem problemas matemáticos
complexos, mas são desprovidos de todas e quaisquer emoções. Estas pessoas, que
não perderam a capacidade de resolver problemas matemáticos complexos, na hora
de decidir qual camisa colocar, não sabem decidir, e ficam estagnados, parados,
sem saber o que fazer.
A constatação de Damásio poderia ser simplificada da seguinte forma: o bebê só
possui sensações, e o trato destas sensações, com o mundo que o cerca, é que
produz uma lógica, segundo a qual ele começa a estabelecer contato e relações
com o mundo que o cerca. Na ausência do sentimento, a lógica perde a valia, pois
ela é que ajuda a tomar as grandes, pequenas e corriqueiras decisões, tal como
qual camisa usar agora!
A lógica, então tão necessária ao aprendizado, é derivada e constrói-se sobre as
emoções, sobre as sensações e sobre o amadurecimento dos sentimentos.
As crianças, que não possuem um amadurecimento afetivo, têm comprometido sua
possibilidade de diálogo com o mundo, sua vivência de sentimentos ainda não
possibilita a absorção do conhecimento, pela falta da lógica que é derivada da
pouca vivência emocional e parca troca de sentimentos e afetividade.
Desta forma, mais uma vez, o que se imaginava serem pólos opostos (lógica ou
emoção) são na realidade integrados (lógica e emoção), fazem parte indivisível
de um todo. Ou seja, toda decisão tem o seu componente lógico, mas este
componente lógico tem base e origem nas emoções e nos sentimentos.
O conhecimento atual mostra que toda decisão humana tem um caráter lógico, mas
esta lógica é construída fortemente pela vivência das emoções e sentimentos;
enfim, todas e quaisquer decisões humanas têm um componente emocional e lógico,
nesta ordem. E mais, que sem emoção e sentimentos, não há decisão!
Desta constatação há inúmeras mudanças possíveis de serem trabalhadas:
- no ensino infantil de alfabetização: a afetividade ajuda a construir o
arcabouço da lógica, o que confere uma importância crescente do domínio afetivo
do professor para ajudar as crianças a se desenvolverem;
- nas organizações: sentir-se pertencente a uma empresa, que participa da
construção de uma sociedade melhor, alavanca, a princípio, melhores desempenhos;
- no marketing: como construir a apresentação de um produto ou serviço, como
conduzir um processo de compra, pelas características específicas (decisões
lógicas) ou pela emoção (decisões emocionais)?
A resposta, a estas últimas indagações, está na frase de um dos meus “gurus”,
Alan Weiss:
“A emoção faz as pessoas agirem,
a lógica faz as pessoas pensarem.”
As implicações desta confirmação científica, da intuição de Alan Weiss, exercem
uma verdadeira re-evolução nos conceitos de marketing.
Qual é esta re-evolução? Você tem idéia?
O seu jeito de fazer o seu negócio é extremamente afetado por esta descoberta.
Carlos Alberto de Faria é sócio diretor da Merkatus - Fonte: Merkatus