Marketing Experiencial no PDV
Por Sandra Turchi
10/06/2010
Como já se sabe, muitas decisões de compras são tomadas pelos consumidores
diante das gôndolas, dentro das lojas. Há diversos estudos sobre isso, sendo um
mais recente sobre pesquisa feita pelo grupo Ogilvy, em 700 lojas de 24 países,
com 14 mil entrevistas, que afirma que 30% só definem a marca do produto que
comprarão na própria loja, 10% dos consumidores mudam de idéia e compram uma
marca diferente da que planejavam e 20% compram categorias que nem tinham a
intenção de comprar antes de chegar ao ponto de venda.
Isso comprova a necessidade de se trabalhar as ações que são realizadas nas
lojas, bem como se criar experiências de compra memoráveis para o consumidor, de
todas as classes econômicas.
Hoje em dia podemos observar que as lojas estão se transformando em verdadeiros
parques de diversões, pois, para muitos consumidores, a possibilidade de
consumir é motivo de orgulho e inclusão social, principalmente em se tratando da
baixa renda, fazendo com que esse momento seja desfrutado por toda a família.
As pessoas vêem no consumo muito mais do que a aquisição de bens. Está
relacionado a diversos fatores, desde a satisfação de necessidades básicas, até
a realização de sonhos. Assim como as classes de baixa renda buscam inclusão e a
alta renda busca exclusividade, todos usam o consumo para adquirir “algo”,
tangível ou não, e isso deve ser conduzido pelos especialistas do varejo no
sentido de fidelizar seus consumidores.
Com esse objetivo tem-se lançado mão de diversos recursos do chamado “Marketing
Experiencial”, que leva em consideração todos os sentidos que os seres humanos
utilizam no momento da compra, ou seja, visão, olfato, audição, tato e paladar.
A visão tem na cor um de seus principais componentes, portanto é fundamental sua
adequação quanto à exposição e uso do produto. As cores também são fontes de
informação, sensação e lembranças para o consumidor. Outro cuidado importante
quanto à visão se dá com relação à iluminação, pois, dependendo de cada tipo de
varejo, deve-se adequar a quantidade de luminosidade, para que esta colabore e
não desestimule o consumo. Um dado importante está relacionado à quantidade de
espelhos, principalmente em lojas de vestuário, pois espelhos demais intimidam,
e de menos, geram certa ansiedade. Deve-se atentar muito para a questão das
etiquetas de preços, que não podem dificultar a visualização dos mesmos. Por
último, mas sem dúvida muito importante, são as vitrines, que, se bem
trabalhadas, podem ser as responsáveis por gerar um grande tráfego nas lojas.
O tato é outro fator especialmente importante quanto se fala de apresentar
produtos que o consumidor tem a necessidade de tocar antes de decidir, como
lençóis e toalhas, por exemplo, mas também para produtos como fraldas, em que a
mãe deseja testar o que estará em contato com a pele do seu bebe, por isso,
muitos supermercados expõem esse produto com um exemplar exposto. O tato também
é relevante para produtos menos óbvios, como o caso de ferramentas, pois em
geral, quem está comprando gosta de sentir o “peso” do martelo, por exemplo, sem
dizer que o mesmo se aplica na compra de alguns eletrodomésticos, como o ferro
de passar roupa, pois os consumidores citam que quanto mais pesado, melhor ele
passa. Ou seja, é fundamental conhecer o processo de decisão de compra de cada
categoria de produto para que se possa adequar melhor sua exposição nas lojas.
Outro sentido fundamental é o olfato. Cada vez mais observamos lojas que
utilizam recursos para gerar no cliente uma sensação positiva que conduzirá a
uma boa recordação. As mulheres, principalmente, já devem ter notado lojas de
roupas e lingeries que possuem aromas bastante agradáveis. Além disso, muitas
lojas de alimentos utilizam-se de essências para atrair clientes, como aroma de
café ou pão assado na hora. O mundo dos aromas também invadiu diversos outros
segmentos, como eventos, cinemas, entre outras atividades.
A audição é um sentido que o varejo deve se preocupar, pois quando entramos numa
loja com muito ruído, ou quando a demonstração de um produto invade os outros
departamentos, cria-se uma sensação de rejeição. O cuidado deve ser focado na
manutenção de um ambiente agradável e aconchegante, para não desestimular o
cliente a continuar suas compras. Há algumas experiências interessantes por aí,
como em um hipermercado que, quando o cliente se aproximava do setor da
peixaria, ouvia sons de mar, navios e gaivotas, para demonstrar a “frescura”
desse tipo de produto.
Paladar – como estimulá-lo em segmentos que nada tem a ver com alimentos? A loja
pode lançar mão de artifícios simples, mas acolhedores, como servir o
tradicional cafezinho, ou um chá, para que o cliente se sinta muito bem-vindo. E
no varejo de alimentos, há uma grande variedade de ações que podem ser
implementadas, como degustação de vinhos, entre outros produtos e também pode
oferecer aulas práticas de culinária, ou então ensinar o público infantil a
elaborar algumas guloseimas, enquanto suas mães fazem as compras. Por outro
lado, já ouvi um caso de uma rede de varejo de materiais de construção que nem
sequer água disponibilizava aos seus clientes, com a desculpa de que isso seria
revertido em preços mais baixos, vejam só!!
Além dos cinco sentidos a serem bem cuidados, como descrito acima, não podemos
esquecer o velho e bom atendimento, pois cortesia cai bem em todo e qualquer
segmento.
(artigo publicado na Revista Carreira e Negócios – outubro / 2008)
Sandra Turchi é graduada
pela FEA-USP, pós-graduada
pela FGV-EAESP e MBA pela
Business School São Paulo
com especialização pela
Toronto University e em
empreendedorismo pelo Babson
College em Boston.É
superintendente de Marketing
da Associação Comercial de
São Paulo (ACSP) instituição
que administra o SCPC
(Serviço Central de Proteção
ao Crédito). Site:
www.sandraturchi.com.br -
Twitter:
http://twitter.com/SandraTurchi