Marketing de Relacionamento como Forma de ultrapassar a fronteira
do simples contato gerando fidelização
Por: Ertinho Ferreira e Rogério Tobias
25/11/2008
RESUMO
Até pouco tempo atrás as organizações não tinham como prioridade os clientes em
suas em suas necessidades e satisfações. A produção era o seu foco maior. Com o
início da mentalidade marketing o cliente passa a ser o foco principal. A ênfase
do relacionamento foi percebida como um instrumento fundamental para atração,
retenção, fidelização de clientes.
Este trabalho aborda os principais conceitos Marketing de Relacionamento, a
visão dos principais autores sobre o tema ainda a realidade vivida por algumas
empresas nas busca satisfação de seus clientes.
Palavras-chaves: Marketing Relacionamento, Marketing, CRM, Mix Marketing,
Relacionamento.
ABSTRACT
Until not long ago the organizations were not a priority greater emphasis on
customers on their satisfaction. The production was its biggest focus. With the
beginning of the marketing mentality client becomes the main focus. The emphasis
of the relationship was perceived as a fundamental instrument for attraction,
retention, loyalty of customers. This paper agrees the main concepts of
Relationship Marketing the vision of the principal authors on the subject yet
the reality experienced by some companies in search of satisfying their
customers.
Keyword: Relationship Marketing, Marketing, CRM, Marketing Mix, Relationship.
1 Introdução
No começo do século XX, as empresas basicamente eram orientadas para produção e
depois para os produtos. Os clientes não eram prioridade e alguns casos nem era
reconhecido pelas organizações. Numa fase adiante as organizações passaram a dar
atenção a atividade de vendas. Neste momento vender passou a ser a grande
preocupação.
Vencidas essas fases, a mentalidade do Marketing passou a ser uma referência
para as empresas e clientes. Os clientes então, passaram a receber uma grande
atenção por parte dos departamentos de Marketing, mas o cliente não era ainda o
do foco de todas as áreas empresariais. Existiam falhas nos contatos, pois elas
eram direcionadas a responsabilidade de pequeno grupo de funcionários.
O Marketing de Relacionamento ao ser introduzido inicia novo processo de
aumentar ainda mais a qualidade do atendimento aos clientes, pois toda
organização em tese passa a ter responsabilidade pela satisfação do cliente.
Esse trabalho avalia os principais conceitos dessa área de Marketing de
Relacionamento, registrando as idéias principais dos autores e ainda a
experiência vivida por algumas empresas da atualidade com forma de identificar
sua real contribuição nas organizações.
2 Fundamentação Teórica
Neste artigo é apresentada a fundamentação teórica, na qual primeiramente serão
levantados aspectos referentes ao processo da evolução do termo cliente nas
organizações. O surgimento das necessidades dos clientes através das práticas de
marketing. Ao entender e identificar o que são necessidades dos clientes
tornara-se um grande diferencial competitivo para as empresas, venderem mais.
As práticas do Marketing evoluíram conforme as diversidades de produtos e
serviços oferecidos pelas empresas. Um novo cenário fora apresentado no qual só
será possível a sobrevivência, através da prática do marketing de
relacionamento, por isso serão abordados alguns autores que são referência nesse
trabalho.
Em seguida apresentaram-se os conceitos históricos da orientação para o mercado,
assim como o estudo de caso da microempresa Onlinesites, que se utilizou dos
princípios do marketing de relacionamento para a satisfação do cliente.
2.1 Conceitos de Marketing.
Conforme (COBRA, 2007) o Marketing aparece historicamente na transição econômica
de produção para economia de consumo, quando o que é produzido não é consumido
na mesma proporção e vice-versa, surge um desequilíbrio. Com isso o Marketing
surge tentando estimular o consumo, reduzindo os preços ou oferecendo vantagens
nos produtos. (KOTLER, 2007) por sua vez apresenta que o Marketing deve
identificar e suprir as necessidades humanas da sociedade. Houve uma evolução
dos conceitos de Marketing
Segundo (KOTLER, 2007) as organizações devem precaver-se para não entrarem em
conflito com os seus próprios interesses, dos clientes e sociedade. Ambos
interesses podem se esbarrar, gerando atritos. Para que esses interesses não se
choquem existem cinco orientações concorrentes com base nas atividades que as
empresas exercem.
Orientação de produção, uma das mais velhas relações comerciais, nas quais são
privilegiadas pelos consumidores as preferências por preços baixos. As empresas
são voltadas exclusivamente para produção, tendo em vista o menor custo possível
para desenvolvimento do produto, que atingirá o mercado de massa. (KOTLER, 2007)
Orientação para produto, nessa empresa os produtos oferecem um valor de
qualidade para atender aos consumidores exigentes, que esperam características
inovadoras. O foco nesse momento é voltado para aperfeiçoar sempre o produto,
que procura estar distribuído e com preço adequado. (KOTLER, 2007)
Orientação de vendas parte da prática agressiva de vender produtos pouco
procurados para consumidores, porque as empresas vendem o que fabricam e não o
que o consumidor necessita. Essa prática é fundamentada na venda agressiva, que
apresenta para os consumidores abordados a adquirir o produto gostarão dele,
caso isso não de certo, os consumidores não devolveram o produto e não irão
expressar sua opinião sobre o fato ocorrido. (KOTLER, 2007)
Orientação de marketing está voltada para encontrar os produtos que atendam as
necessidades dos clientes. Essa abordagem contempla que as organizações sejam
mais eficazes que seus concorrentes no desenvolvimento do produto, na escolha
dos mercados a serem entregues, comunicação de altíssimo valor. (KOTLER, 2007)
A Venda esta voltada para as necessidades do vendedor em transformar o seu
produto em dinheiro enquanto o Marketing está voltado para as necessidades do
cliente. A idéia central do Marketing é satisfazer as necessidades do cliente
por meio de produto e todo o seu conjunto de atributos associados a ele na sua
criação e entrega. KLOTER (2007, apud Theodore Levitt p. 4)
Orientação Marketing Holístico parte do pressuposto que funcionários,
consumidores, fornecedores, sociedade como um todo, são importantes na relação
com empresa, através de um desenvolvimento de programas e processos que auxiliam
nas atividades de Marketing mais amplas e integradas para melhores resultados.
Existem quatros componentes Marketing Holístico que são: marketing de
relacionamento, marketing integrado, marketing interno e o marketing socialmente
responsável.
Percebe-se que o conceito de Marketing é muito amplo como se vê através da
definição da American Marketing Association.
O Marketing é uma função organizacional e um conjunto de processos que envolvem
a criação, a comunicação e a entrega de valor para os clientes, bem como a
administração do relacionamento com eles, de modo que beneficie a organização e
seu público interessado. American Marketing Association (Kotler 2006, p. 4 )
Por sua vez Druker apud (KOTLER 2007) apresenta que sempre terá a necessidade de
vender algo. O principal papel do Marketing é tornar o esforço da venda
supérfluo, a tal ponto irá conhecer, entender as necessidades de cada cliente em
seus produtos e serviços que se vendem sozinhos.
Sobe o ponto de vistas de Druker e Kloter citados o Marketing sofreu uma
evolução para entender, atender as necessidades dos clientes.
Na opinião de (KOTLER, 2007) as necessidades são requisitos básicos humanos para
nossa sobrevivência como, comer, beber, vestuário, abrigo, segurança,
necessidades sociais de bens e afeto, individuais de conhecimento e expressão.
São elementos básicos da condição humana.
Por sua vez, (KOTLER, 2007) apresenta que os desejos são a forma que as
necessidades humanas assumem quando são particularizadas em uma determinada
cultura e sociedade. Beber água é uma necessidade, o Marketing utiliza-se dessa
necessidade e proporciona o desejo junto com outros atributos que ao beber a
coca-cola a sua necessidade será saciada e desenvolvem-se outros atributos que
valorem o produto consumido. Então, o Marketing juntamente com outros fatores
sociais, influencia os desejos.
2.2 Os 4 Ps de Marketing
O Marketing utiliza-se de ferramentas para disponibilizar o produto para o
cliente, entre elas será apresentado os 4 Ps de Marketing.
As empresas passaram a utilizar essas estratégias para planejar e organizar-se
melhor em relação aos consumidores e concorrentes do mesmo segmento. O composto
de 4 P’s de Marketing está relacionado para as empresas e não para o cliente.
Segundo Kloter (apud, MCCARTHY 2006 p.17) definiu os 4 Ps como Mix Marketing
para as empresas: produto, preço, praça, promoção ou ponto de venda, conforme
esses quatros grupos qualquer empresa possui a condição de colocar o produto
disponível no mercado.
Produto: é uma combinação de bens tangíveis, ou serviços que são intangíveis que
a empresa oferece para o público-alvo, o produto pode ter características que
diferencia ele dos outros, qualidade, design da embalagem, tamanho, garantia.
Preço: é quantidade de dinheiro em troca do produto ou serviço. Sendo a vista,
desconto, crediário com financiamento, sem financiamento.
Praça: local no qual o produto será distribuído, como comercialização, estoque
do produto, meios de reposição desse produto.
Promoção: envolve como acontecerá a divulgação do produto com os seus,
atributos, locais de compra, preço do produto, preparação do ponto de venda para
recepção dos clientes ao encontrar o produto. Objetivo é saciar as necessidades
do cliente a ponto de adquirir o produto.” (KLOTER & ARMSTRONG 2005 p.48).
O modelo dos 4 Ps de Marketing não engloba tudo aquilo que o Marketing deve ser
para atingir a satisfação dos clientes a longo prazo. Obviamente é crítico para
uma empresa ter um produto impecável nos quesitos, preço atraente, campanhas
promocionais irresistíveis, tornando os produtos, serviços disponíveis de forma
que o cliente tenha acesso enorme conveniente às ofertas.
Com o amadurecimento do conceito de Marketing, teóricos, acadêmicos, gestores
perceberam que os 4 Ps não sanariam as necessidades dos clientes. Segundo
Lauterbon (KOTLER, 2007) contrapõem os 4 Ps de Marketing, perante ao cliente,
não que suas são insuficientes para analisar as demandas dos clientes. . Defende
a mudança de foco do produto para o cliente, propõe a teoria dos 4 Cs, Conforme
a figura abaixo:
4Ps 4Cs
Produto Cliente
Preço Custo
Praça Conveniência
Promoção Comunicação
2.3 Os 4 As de Raimar Richers
Segundo Cobra (2007 apud Richers) definiu um modelo que compreende as funções
básicas de uma Administração de Marketing. Para Richers, essas funções se
dividiriam em 4 fases: Análise, Adaptação, Ativação e Avaliação. Este modelo
batizado de Sistema Integrado de Marketing ficou mais conhecido como os 4 As do
Marketing, em contraposição aos 4 Ps de McCarthy (Produto, Preço, Praça e
Promoção).
Analise: Visa a identificar as forças vigentes no mercado e suas interações com
a empresa. Os meios utilizados para tal fim são: a pesquisa de mercado e o
sistema de informação em Marketing.
Adaptação: é o processo de adequação das linhas de produtos ou serviços da
empresa ao meio ambiente identificando através da análise. E isso ocorre através
da apresentação ou configuração básica do produto: design, embalagem e marca. E
ainda por meio do preço e da assistência ao cliente.
Ativação: Os elementos-chave da ativação são a distribuição (seleção dos
canais), a logística (a entrega e armazenagem de produtos), a venda pessoal (o
esforço para efetuar a transferência de posse o bem ou serviço) e o composto de
comunicação (publicidade, promoção de vendas, relações públicas e merchandising)
Avaliação: é o controle dos resultados do esforço de Marketing, isoladamente e
em conjuntos. Essa função é também chamada auditoria de Marketing. (COBRA 2007,
apud RAIMAR RICHERS, p. 31)
As abordagens de Cobra (2007 apud Richers) e Kotler (2007 apud Lauterbon)
possuem pontos em comuns, tendo o cliente como o centro das atenções para
atendê-lo da melhor forma possível, assim terá um cliente mais satisfeito.
Cobra (2007 apud Richers) propõe uma nova reconfiguração de fazer-se Marketing
desde o início, que seja analisado mais profundamente o ambiente que esse
cliente está. Adaptando o produto conforme as mudanças de hábitos do cliente,
ativação que por sua vez ganha uma nova roupagem à escolha do canal certo para o
cliente, que possui várias opções, de conectar-se, avaliação que mensurar o
esforço desprendido no cliente e satisfação dele por sua vez.
2.4 Segmentação de Mercado
Segundo (KLOTER, 2007) a segmentação de mercado acontece quando as empresas
começam a entender que os consumidores não são homogêneos. Isso quer dizer que
uma empresa não consegue suprir todas as necessidades dos clientes em mercados
tão amplos e diversificados. Dessa maneira os clientes são agrupados conforme
uma ou mais características. Portanto, o agrupamento possibilita identificar os
segmentos que as empresas poderão atender melhor cliente e com grande eficácia.
A segmentação de mercado possui quatro níveis que são: Marketing de massa,
Marketing de segmento, Marketing Nicho, Marketing local.
2.4.1 O Marketing de Segmento
KLOTER, (2007) aborda que a segmentação de marketing é maneira das empresas
descobrirem os seus mercados alvos, através de delimitações dos consumidores,
que desejam adquirir um determinado automóvel somente para lazer, e outro
consumidor um automóvel para trabalho e lazer. Dessa forma a empresa pode
planejar, definir preços, preferências de mercado, tamanho do mercado a ser
conquistado.
2.4.2 Marketing de massa
Implica na produção, distribuição, promoção do mesmo produto da mesma maneira
para todos os consumidores sem diferenciar as suas necessidades, através da
produção em série. Segundo (KLOTER, 2007) Henry Ford demonstrou a estratégia de
marketing de massa quando lançou Ford T com seguinte frase ‘Você pode ter um
carro desde que seja da cor preta’. O ponto principal do Marketing de massa é
criar um mercado potencial, com custos baixos, tornando os preços dos produtos
mais baixos para o consumidor.
2.4.3 Marketing Nicho
Segundo (KLOTER 2007) o nicho concentra-se em subgrupos dentro dos segmentos.
Porém nem todos os clientes têm potencial para esse mercado porque é um grupo
estreitamente restrito e custo alto para os consumidores. Pois se diferenciam
por estarem nesse nicho. As empresas que trabalham com marketing de nicho sabem
muito bem suprir as necessidades de seus clientes e quanto estão dispostos a
pagarem. Enquanto os segmentos atraem muitos concorrentes, os nichos são menores
atraem poucas empresas.
2.4.4 Marketing Local
Conforme (ARMSTRONG; KLOTER, 2005) procura desenvolver ações locais que
privilegiam as características locais, conforme a cultura local e estilo de
vida, através, dos bairros, cidades, personalizando as promoções para os
consumidores. Todo esse esforço é para conquistar aos clientes incrédulos da
marca ou a empresa.
2.5 Origem do relacionamento
Segundo (Don PEPPERS, 2005) o mais importante hoje não é simplesmente adquirir
novos clientes, mas manter os clientes existentes em seu portfólio. As empresas
vivem uma situação na qual precisam oferecer diferenciais entre as suas
concorrências, preço e qualidade são fatores imprescindíveis, mas não se pode
pensar que só esses fatores atendem aos clientes. O recurso mais escasso hoje
são os clientes, por causa da oferta excessiva de produtos e serviços no
mercado.
Os relacionamentos permitem que as empresas explorem ao máximo seus
conhecimentos sobre os clientes e necessidades, que antes não eram imaginadas. É
importante conhecer e entender essa nova ferramenta que auxiliará no
entendimento e aplicação dentro das empresas.
2.5.1 Nova visão do Marketing através das relações
Segundo (MCKENNA, 1992) apresenta as ferramentas Marketing Tradicional como
Jingle, Publicidade e Propaganda, posicionamento de marca, preços baixos são
insuficientes no novo cenário. Para sobreviver em mercados tão dinâmicos nos
tempos atuais não se permiti tais abordagens tradicionais.
Estamos testemunhando a absolescência da propaganda. No antigo modelo de
marketing, fazia sentido como parte de uma fórmula geral: vendem-se bens
produzidos em massa para um mercado de massa de através dos meios de comunicação
em massa. A tarefa do marketing era usar a publicidade para divulgar uma
mensagem ao cliente em comunicação unilateral: “Compre isso!” Essa mensagem não
funciona mais e a publicidade mostra esse efeito. (MACKENNA 1992, p. 13)
Através desse antigo modelo de marketing (MACKENNA 1992) mostra que a
publicidade deixa escapar o ponto fundamental do marketing que é adaptabilidade,
flexibilidade e capacidade de resposta. A nova abordagem de marketing exige um
clico de feedback que é o elemento que estava faltando no monólogo da
publicidade, mas que existe no diálogo do marketing. O ciclo do feedback conecta
a empresa e o cliente, papel fundamental para a administração orientada para o
cliente, que têm a possibilidade aprimorar, para atender as necessidades dos
clientes que estão constantemente em mudanças.
MCKENNA, (1992) defende que as empresar devem construir relações duradouras com
os clientes, para que eles parem trocar produtos, e fornecedores, a medida que
surgem novas marcas, opções tecnologias. O marketing de relações é essencial ao
desenvolvimento de liderança, fidelidade do consumidor e rápida aceitação de
novos produtos e serviços no mercado. A criação de relações sólidas e duradouras
é uma tarefa árdua, de difícil manutenção. A relação pessoal é a única forma de
manter a fidelidade do cliente.
2.5.2 Origem do Marketing Relacionamento
Conforme (MADRUGA, 2004) apresenta que Marketing relacionamento era aplicado
desde as mercearias de bairros, nas quais as compras eram feitas e anotadas nas
cadernetas, para pagamentos futuros. Utilizava-se o crediário, sem precisar de
comprovante de renda. Tudo isso era possível porque o proprietário do
estabelecimento conhece muito bem os seus clientes, pelo nome, sobrenome,
quantos filhos tem? E assim por diante, pois este relato mostra que o Marketing
de relacionamento já acontecia nessa época, por uma forma muito embrionária. A
Fidelidade dos clientes ao estabelecimento era uma certeza, todo mês, o cliente
irá fazer as compras da casa.
Com o crescimento exacerbado da economia mundial e a industrialização de novos
produtos, as mercearias de bairros começaram a enfraquecer, e esses
relacionamentos deixaram de existir.
O Marketing de Relacionamento é considerado uma evolução do Marketing e precisou
absorver diversas outras formas de conhecimento que afinal de contas, lhe foram
complementares. Um bom exemplo foi a qualidade total que emprestou ao Marketing
de relacionamento a sua preocupação com a gestão pela qualidade que dever
permear toda a organização e atingir todos os níveis hierárquicos como forma de
atender aos requisitos do cliente com processos de trabalho e indicadores de
produção bem definidos. (MADRUGA 2004, p. 35)
Conforme (MADRUGA, 2004) o Marketing de Relacionamento tem com objetivo, um
processo contínuo no qual o cliente, tenta ser compreendido nas suas
necessidades e passam a ser criado valor individualizado e relacionamentos
duradouros. O relacionamento está além da simples venda ou repetição da compra
pelo mesmo produto no mesmo estabelecimento. Sabe-se que manter um cliente no
portfólio da empresa é menos oneroso, e apresenta sinais de estabilidade para a
empresa.
Para que o Marketing de Relacionamento tenha êxito na implantação dentro das
empresas, (MADRUGA, 2004) apresenta pelo menos um desenvolvimento de seis
funções essências do processo, que são:
1.Elaboração conjunta de nova visão e cultura empresarial voltada para os
clientes e parceiros. A empresa deseja e age de forma integrada na busca da
excelência no relacionamento interno e externo.
2.Construção de objetivos de Marketing de relacionamento conectados à visão e
sempre de natureza límpida. Os objetivos são entendidos, negociados e
acompanhados por toda a organização.
3.Estabelecimento das estratégias de Marketing de relacionamento voltadas para a
criação de valores em conjunto com os clientes. As trocas relacionais de sucesso
e as estratégias são inúmeras, claras e focadas.
4.Implementação de ações táticas com o foco no relacionamento colaborativo com
clientes. Elas são apoiadas por uma infra-estrutura que traz segurança e
precisão para os funcionários que estão na linha de frente com o cliente.
5.Obtenção de benefícios mútuos, isto é, empresas e clientes tiram proveito da
cooperação ocorrida em vários momentos de contato. A empresa entende melhor as
necessidades do cliente, que se prontifica a fornecer informações valiosas a seu
respeito, produtos e serviços.
6.Direção da ação, capacitação e envolvimento dos colaboradores da empresa para
relacionamento superiores. A maior contribuição para gerar diferenciais
competitivos no contato com o cliente sempre é dada pelos colaboradores, desde
que treinados e encorajados e motivados. (MADRUGA 2004, p. 22)
Como pode ser visto pelos seis pontos demonstrados por (MADRUGA, 2004), o
relacionamento é uma maneira sofisticada de interagir com o cliente. Que por sua
vez permite a empresa satisfazer as necessidades dos clientes, agregando valores
aos produtos e serviços. As empresas devem entender que clientes são ativos a
longo prazo, que tem maior chance de ter sucesso. Isso quer dizer que esse
cliente voltará para comprar novamente.
2.5.3 4Rs nova visão Marketing de Relacionamento
(BARNES, 2002) defende que existem outros quatro conceitos que devem ser
considerados tão seriamente quanto os 4 P’s ou Mix de Marketing. Estes conceitos
representam uma visão atual do Marketing de Relacionamento.
O autor propõe o modelo dos 4 R’s que se referem ao relacionamento, retenção,
referência e recuperação. Essa nova abordagem permite estabelecer um programa de
Marketing mais efetivo. Esta visão requer que a empresa entenda que o sucesso
acontece há longo prazo aumentando o valor do cliente.
Retenção significa manter os clientes que a empresa deseja através de um
trabalho diferenciado que exceda as expectativas deles. A retenção custa bem
menos que a aquisição de novos clientes. O foco deve estar na retenção
voluntária através de ações de retenção de clientes, não baseadas na falta de
alternativa ou porque estão presos a um programa de premiação. A estratégia de
programas de premiação apresenta-se muito pobre e contribui pouco para o sucesso
no relacionamento em longo prazo. Muitas vezes tal estratégia resulta no oposto
do esperado. Assim que um cliente em um relacionamento tem a chance de abandonar
a empresa, ele irá quebrar a continuidade do relacionamento e transferir seus
negócios para outra empresa. Portanto, retenção é resultado de um conjunto de
ações continuadas e monitoradas as quais os clientes percebem mais valor que o
obtido em um relacionamento alternativo. (BARNES, 2002)
Relacionamento existe quando o cliente voluntariamente dispõe a trabalhar com a
empresa por um período longo de tempo e continua entusiasmado por causa da
maneira como é tratado. Construir relacionamentos significa estar próximo dos
clientes em uma tentativa de entender e servi-los bem podendo ir além da suas
expectativas. A natureza do relacionamento requer confiança e os elementos que
alimentam a confiança, tais como: comprometimento, comunicação e entendimento. E
por esta razão, é necessário atribuir o mesmo caráter de prioridade a que
atribuímos a outros aspectos do negócio. (BARNES, 2002)
A Referência diz respeito ao poderoso efeito da propagação de uma satisfação
resultante de um trabalho bem feito com um cliente específico. Lembre-se que a
impressão deixada por cliente satisfeito, levará outros a se tornarem clientes.
Quando os clientes estão completamente satisfeitos com um serviço ou produto,
eles estarão mais propensos a disseminar a notícia. As pessoas têm a tendência
de realizar algo que foi altamente recomendada por aqueles que elas confiam,
amigos ou familiares. Os clientes irão voltar como também irão trazer amigos e
influenciar muito outros. (BARNES, 2002)
Recuperação de um cliente que recebeu um tratamento fraco deve ser parte da
administração de uma carteira de clientes. Obviamente que falhas acontecem e
sempre existirá a necessidade de recuperar clientes. Este é um aspecto dos
negócios, porque nenhuma empresa é impecável. O imprevisível irá destruir o que
foi de melhor feito e planejado. Entretanto, erros podem se tornar oportunidades
de impressionar o cliente e recuperar a lealdade dele. O fato não é só de
recuperar o cliente, mas mostrar para ele que é importante dentro do contexto da
empresa. Esse restabelecimento possibilita a lealdade ao comprometimento do
cliente. Também apresentam ao futuro cliente (prospect) o empenho da empresa com
a sua satisfação. (BARNES, 2002)
(BARNES, 2002) apresenta um dos fatores importantes a destacar é que os
funcionários estejam treinados para esses imprevistos e tenham autonomia para
resolver o problema no momento que aconteceu, a hora da verdade no momento
presente é fator decisivo para o encantamento. Caso isso não ocorra o cliente se
frustrará, porque terá que passar por diversos níveis dentro da empresa e
esperar retornos e feedback através do sistema burocrático, antes que o problema
seja resolvido.
(BARNES, 2002) evidencia que o Marketing Relacionamento tem que proporcionar
emoções ao cliente tem dentro da empresa, gerando uma satisfação e fidelidade,
essa experiência que cliente tem muitas vezes não esta nas técnicas, nem inclusa
no planejamento.
Os autores (BARNES, 2002) e (MADRUGA, 2004) possuem pontos em comum em sobre
Marketing de Relacionamento que por sua vez deve ser aplicado com uma visão de
ter ativos a longo prazo, mas sabendo-se que esses relacionamentos devem ser
sempre monitorados e revistos constantemente.
2.5.4 Origem do CRM
(MADRUGA, 2004) apresenta que o CRM é uma ferramenta tecnológica que nasceu das
empresas de softwares para gerenciar custos de previsão de vendas. Outros com
uma filosofia para auxiliar o departamento Marketing.
Os softwares de CRM (Customer Relationship Management) surgiram no início dos
anos 90 como uma ferramenta baseada na evolução da tecnologia da informação.
CRM é a integração de tecnologia e processos de negócios, usada para satisfazer
às necessidades dos clientes durante qualquer interação. Especificamente, CRM
envolve aquisição, analise e uso do conhecimento de clientes para venda mais
eficiente de produtos e serviços. (MADRUGA 2004, p. 105 )
Segundo (BARNES, 2002) o CRM tem como objetivo a mecânica da formação de
relacionamento, através da captação de dados, através da freqüência de compras,
análise de dados, que estão voltadas para funcionalidade das vendas. Através do
seu perfil e histórico do consumidor. Dessa maneira o CRM, apresenta uma ênfase
em vender mais produtos ou serviços para o mesmo cliente. As empresas que
utilizam o CRM tem capacidade de saber qual estratégia adotar para o perfil
desejado. Percebe-se que o relacionamento através do CRM é inteiramente
determinado por comportamentos históricos de compras. È um risco muito grande
quando a empresa não possui a consciência que o relacionamento tem outros
pilares, mais importantes para desenvolvimento do relacionamento genuíno.
O CRM, não se restringe somente ao cliente, a empresa consegue mensurar os
investimentos em ações de publicidade, ponto de venda, Marketing direto, e
outras formas. A ênfase maior nessa abordagem foi é compreensão e entendimento
que o Marketing de Relacionamento e CRM andam juntos, pois em determinado
momento eles possuem características diferentes mais possuem sinergias, que são
atender ao cliente, em sua totalidade. A tecnologia por si só é estéril, caso
não tenha uma finalidade existência útil e objetivo especifico.
O marketing de relacionamento aliado ao CRM, é uma ferramenta que busca criar
valor pela disciplina de intimidade com o cliente tornando a tão adequada que o
cliente prefira manter-se fiel a mesma empresa (BARNES, 2002)
2.6 A realidade da Micro empresa Onlinesites
A Onlinesites Ltda, situada em Divinópolis, teve as suas atividades iniciadas em
2001. A empresa começou de maneira tímida na qual o mercado local ainda estava
embrionário no segmento de Websites. O proprietário Erivelton de Moura Cabral
demonstrou que o fator importante da empresa sempre é atender seus clientes de
forma bem peculiar, que é identificar suas necessidades. Através dessa filosofia
a empresa conquistou a confiança de seus clientes, e participação do mercado.
A empresa não utilizou-se de métodos de propaganda convencional, como jingle,
spots, tv, flyers e outros. Todos os clientes foram através de indicações de
outros clientes que ficaram extremamente satisfeitos com o resultado do serviço
prestado.
Nesse contexto apresenta-se o R Relacionamento (BARNES, 2002) que gerou outro R
que é a Referência para a empresa.
Segundo o proprietário Erivelton Moura Cabral o objetivo da empresa é “prestar
um atendimento diferenciado aos clientes, sempre superando as expectativas.”,
oferecer algo a mais ao cliente. Para isso propôs–se a monitorar os clientes
através de um de pequeno “Banco Dados Access” que tinham informações com data de
nascimento, nome da esposa, aniversário, preferência pelo time futebol, e
outros.
Próxima a data de aniversário dos clientes encaminhava um presente. Em relação a
preferência do time futebol, mandava o mascote do time do cliente.
Percebe-se que a empresa Onlinesites utilizava-se do R relacionamento proposto
pelo (BARNES, 2002), que significa estar próximo dos clientes em uma tentativa
de entender e servi-los bem, podendo ir além da suas expectativas, que o serviço
já fora executado. Desta maneira também estimulava o outro R que é Referência,
(BARNES, 2002) que a propaganda boca a boca é a satisfação resultante de um
trabalho bem feito com o cliente. Lembre-se que a impressão deixada por cliente
satisfeito, levará outros a se tornarem clientes. O foco da análise não está no
ato de presentear com o brinde, mas a intenção de trabalhar os relacionamentos
com os seus clientes.
A estratégia da empresa Onlinesites é gerar relacionamentos duradouros conforme
(MCKENNA, 1992) apresenta que os clientes não troquem de fornecedores, produtos,
prestadores de serviços.
Com essa estratégia voltada para relacionamentos duradouros e edificar as
necessidades dos clientes, a Onlinesites percebeu que sua prestação de serviço
precisava ser modificada. Desenvolveu uma ferramenta para Internet que
possibilita a alterações de conteúdo do site, sem gerar custos para os clientes.
Através dessa necessidade de soluções a necessidades do cliente a empresa criou
o OnlineFlex que um Sistema de Gerenciador de Conteúdo de páginas de Internet.
Esse sistema possibilita que o usuário tem os conhecimentos básicos de
informática para a sua utilização.
O Sistema OnlineFlex, no primeiro momento proporcionaria uma queda nos
rendimentos da empresa. Que tinha como receita a também as atualizações de
conteúdo das páginas de seus clientes.
Entender as necessidades realmente dos clientes era oferecer-lhes uma solução na
qual eles mesmos poderiam atualizar suas próprias páginas, não ficando
aprisionado a empresa que desenvolveu. Esse foi o maior diferencial da empresa
em relação ao mercado e seus concorrentes.
Dessa maneira a Onlinesites, conquistou a confiança e satisfação dos clientes
que indicaram e indicam os serviços da empresa.
Atualmente a empresa implementou uma gestão de relacionamento através das
tecnologias da informação, automatizando inúmeros procedimentos. Existem
clientes que continuam no portfólio da empresa há 7 anos.
Conclusão:
Após as abordagens apresentadas pelos autores constata-se que marketing sofreu
alterações em suas práticas de abordagem aos produtos, serviços prestados aos
clientes. Entre eles algumas das ferramentas, publicidade, promoção de fim de
mês. O 4P’s de marketing não foram suficientes para compreender as necessidades
dos clientes.
Por fim, pode-se concluir que o presente estudo possibilitou diante dos autores,
que as empresas precisam desenvolver relacionamentos duradouros com seus
clientes para que tenha fidelidade, ou que passem maior tempo dentro da empresa.
Pode se concluir que o Marketing de Relacionamento ultrapassa a fronteira do
simples contato que proporciona a fidelização.
REFERÊNCIAS
BARNES, James G. Segredos da Gestão pelo Relacionamento com os Clientes CRM. Rio
de Janeiro: Qualitymark, 2002.
COBRA, Marcos. Marketing Básico. 4.ed. São Paulo: Atlas, 2007
PEPPERS, Don, ROGERS, Martha tradução: VIERA, Bastos Ricardo. Retorno Sobre
Clientes. Rio Janeiro: Elsevier, Campus 2005.
KOTLER, Philip.; ARMSTRONG, Gary. Princípios de Marketing. 9.ed. São Paulo:
Pearson, 2005.
KOTLER, Philip. e KELLER, Kevin, Lane. Administração de Marketing. 12.ed. São
Paulo: Pearson, 2007.
MADRUGA, Roberto. Guia de Implementação de Marketing de Relacionamento e CRM.
São Paulo: Atlas, 2004.
MCKENNA, Regis. Marketing de Relacionamento, Estratégias bem-sucedidas para a
era do cliente. Rio de Janeiro: Campus 1992.