Compreender o conceito de
táticas e estratégias, e a
melhor forma de utilizá-lo,
deveria ser a principal
prioridade de todo
“comandante” que esteja num
campo de batalha. No
entanto, percebemos que, na
verdade, estes termos são
usados num sentido mais
retórico do que propriamente
como parte de um plano para
vencer os adversários.
Seja numa guerra
convencional urbana, em que
policiais enfrentam
quadrilhas de traficantes;
seja no esporte, onde
equipes adversárias se
enfrentam para conquistar
troféus; seja no mundo
empresarial, em que existem
acirradas disputas de
mercado, a utilização
adequada destes conceitos
poderá ser a diferença entre
a vitória ou a derrota na
guerra disputada.
Marketing é uma guerra entre
empresas, queiramos ou não.
E certamente é uma disputa
em que haverá sempre os
vencedores e os perdedores.
Vejamos algumas das atuais
batalhas empresariais que
estão sendo travadas neste
exato momento:
· guerra das cervejarias,
AMBEV ( Brahma, Skol,
Antarctica) contra Kaiser,
Skin, Bavária, e outras
cervejarias menores, além
das importadas;
· guerra das montadoras,
Fiat, Chevrolet, Ford,
Volkswagem, e os importados,
Honda, Toyota, Nissan, etc.;
· guerra dos supermercados,
Carrefour, Smart, Epa, Pão
de Açúcar, e dezenas de
outros menores;
· guerra dos jornais – Folha
de São Paulo, Estadão,
Jornal do Brasil, O globo, e
os principais jornais de
cada estado;
· guerra das revistas –
Veja, Istoé, Época, Carta
Capital, e muitas outras
especializadas;
· guerra das tvs – Globo,
Record, Bandeirantes,
Cultura, e todos os canais a
cabo, etc.;
· guerra dos distribuidores
de combustíveis, BR
Distribuidora, Texaco, Esso,
Shell, ALÉ, etc.;
· e muitos outras guerras
como dos cursinhos, das
faculdades, das lojas de
departamentos, dos Shopping
Center, etc..
Quase que invariavelmente em
cada setor temos um líder,
ou uma liderança senda
disputada palmo a palmo por
duas ou três grandes
empresas, e na outra ponta,
um contingente enorme de
médias e pequenas empresas
(os guerrilheiros) tentando
abocanhar uma pequena fatia
deste mercado.
Em nosso artigo anterior
mostramos que dependendo do
porte da empresa e da
posição que ela ocupa frente
à concorrência, esta
organização deverá utilizar
um dos quatro princípios de
guerra, como forma de melhor
se posicionar diante de uma
disputa. São os princípios
de guerra defensiva,
ofensiva, de flanqueamento e
de guerrilha.
Por exemplo: a Fiat
atualmente é líder de
mercado, portanto, deverá
desenvolver uma guerra
defensiva, usando de todos
os meios para manter sua
posição de líder. As
montadoras que estão em
segundo e terceiro lugar têm
de utilizar a guerra
ofensiva, atacar a líder
para tentar tomar-lhe a
liderança de mercado. E o
restante das empresas do
setor deveria travar ou uma
guerra de flanqueamento, ou
para aquelas com menor fatia
de mercado uma guerra de
guerrilha.
As empresas de todos os
setores econômicos, que
estão envolvidas em
acirradas disputas de
mercado, deveriam se
posicionar, entender qual
sua real situação frente à
concorrência, e agir
conforme esta posição, e não
de acordo com alguma idéia
exótica ou “ tradicional” de
alguns de seus executivos.
A questão atual é que o
marketing deve ser feito
levando-se principalmente em
conta a concorrência.
Desenvolver ótimos produtos
é muito bom, valorizar seus
clientes também é algo
fundamental, ter um belo
plano de carreira para seus
funcionários é excelente,
mas se não ficar de olho na
concorrência, se não souber
lidar adequadamente com os
ataques de seus concorrentes
e neutralizar suas ações,
nada disso terá valor para
uma empresa.
Diante desta realidade
resta-nos uma pergunta. Como
enfrentar a concorrência?
Como vencer esta guerra de
marketing que está
ocorrendo? A primeira tarefa
é desenvolver um plano
tático e estratégico para
enfrentar esta guerra.
Defendemos aqui a tese do
livro “MARKETING DE GUERRA 2
– A AÇÃO“, dos americanos Al
Ries e Jack Trout, que
propõem o abandono do modelo
tradicional de utilização do
conceito de tática e
estratégia, que eles chamam
de marketing “Top dow”, onde
a estratégia é criada de
cima para baixo, e pregam o
marketing “Bottom-up”,
aquele que surge de baixo
para cima nas organizações.
No marketing tradicional, do
tipo Top-dow, a empresa
decide o que fazer
(estratégia), e depois sai
para tentar descobrir como
fazê-lo (que tática vai
usar). Primeiro estabelecem
o que querem fazer, definem
a estratégia, para depois
procurar táticas que possam
realizar seu plano
estratégico.
Acontece que se este tipo de
plano estratégico não for
bom, e normalmente não é,
pois nascem de uma decisão
de cúpula e fora da
realidade do mercado, ele
não poderá ser executado
taticamente. Isto não seria
tão desastroso, se não
custasse uma grande soma de
recursos financeiros, de
tempo e de energia do
pessoal da empresa.
Já no marketing Bottom-up o
processo é invertido. A
empresa manda seu pessoal
buscar novas táticas de
mercado para enfrentar a
concorrência. Táticas de
mercado são novas idéias,
novos produtos, novas
maneiras de atender e
encantar os clientes, novas
formas de distribuição,
enfim, algo novo e que tenha
um impacto positivo junto ao
cliente.
A partir daí, encontrando
uma tática que realmente
valha a pena, a cúpula da
empresa poderá desenvolver
toda uma estratégia de
mercado, traçando objetivos
e metas, elaborando uma
campanha e investindo
recursos humanos,
financeiros e de produção.
Voltemos a questão da tática
e da estratégia. O objetivo
do marketing de qualidade é
“encontre uma tática que
funcione e depois a
transforme numa estratégia”.
Mas ainda poderíamos
questionar: o que é mais
importante, a tática ou a
estratégia? Nenhuma das
duas, o relacionamento entre
ambas que é mais importante.
O que cada empresa deveria
fazer é o seguinte:
pesquisar e reconhecer
verdadeiramente qual a sua
posição no mercado, deixando
a vaidade de lado, pois não
adianta uma empresa achar
que é líder se ela não é de
fato. Nem acreditar que tem
o melhor produto se não é
isso que o cliente acha.
Descubra sua real posição
frente aos concorrentes, e
desenvolva um plano tático e
estratégico baseado nesta
realidade. Se sua empresa é
um segundo lugar na
hierarquia da concorrência,
então busque uma tática
realmente boa que possa
levá-lo a conquistar o
primeiro lugar. Esta tática
pode ser uma campanha
baseada em um novo produto
ou em uma nova maneira de
atender o cliente, enfim,
algo significativo para
gerar um impacto positivo na
visão do cliente. Transforme
sua tática em uma
estratégia, e ataque seu
concorrente da melhor forma
possível.
Sempre lembrando que vencer
uma guerra de marketing tem
um significado diferente
para cada tipo de empresa. A
empresa líder vence
simplesmente mantendo sua
posição, as empresas que
estão em segundo e terceiro
lugar, vencem tomando o
lugar da líder, e as
pequenas empresas vencem
apenas mantendo-se
lucrativas ou com pequenos
crescimentos de mercado.
Toda empresa tem
oportunidade de vencer uma
guerra de marketing.
Todavia, para isso precisa
entender os princípios
gerais da guerra
convencional, principalmente
o conceito de tática e
estratégia, e implementá-los
de maneira inteligente e
muita vezes audaciosa frente
à concorrência.
Concluímos o presente artigo
com um preceito do general
prussiano Karl Von
Clausewitz, que escreveu o
tratado sobre a guerra “On
War“ (1832), fonte
inspiradora dos autores do
livro Marketing de Guerra,
que um ataque para ser bem
sucedido deve sempre levar
em conta o princípio
ofensivo que diz: “ataque
sempre com sua maior força
no ponto mais fraco do
inimigo”.
Ari Lima é empresário, engenheiro, consultor em marketing pessoal e gestão de carreiras e especialista em marketing e vendas. Desenvolve treinamento em marketing pessoal e marketing jurídico para profissionais liberais, empresas, escritórios e estudantes universitários. Ministra cursos, seminários e palestras realçando o lado prático e funcional do marketing e escreve artigos diariamente para diversos sites e revistas. Além de uma sólida formação teórica, possui 25 anos de experiência prática em gerenciamento e treinamento de vendedores e de gerentes de vendas, bem como atendimento a clientes.

