Marketing de Relacionamentos
Por Wagner Herrera
01/11/2006
Carinho antes, é interesse; depois é relacionamento”.
Gosto muito desta frase! Ela sintetiza a essência do marketing de
relacionamentos, posto que dentre as estratégias de marketing para obter a
vantagem competitiva num cenário de alta competitividade, a sedução constitui-se
na tática central.
Há cem anos Frederick W. Taylor já pregava: “Devemos recordar sempre que o mais
importante em qualquer negócio são as boas relações” e Peter Drucker
corroborava: “No século XXI, os relacionamentos serão a maior geração de
riquezas”.
Há alguns anos atrás quando ainda não existiam super-mercados e magazines os
comerciantes praticavam o marketing de relacionamentos de forma intuitiva e
espontânea. Conheciam e sabiam das preferências de sua clientela e a tratava de
forma personalizada, com isso conseguiam clientes fiéis por uma vida toda.
Presenciei outro dia um fato que me fez sentir a força do marketing: um amigo
recebeu uma mensagem de um motel parabenizando-o pelo aniversário e presenteando
com uma estadia gratuita sem restrição de dia ou horário. Percebi duas coisas: a
satisfação do amigo por ter o aniversário lembrado e a ausência de
condicionantes por parte da empresa.
Vemos muitas ações iguais a esta, porém com restrições! Em determinados
segmentos de mercado, a benesse só tem validade para determinados dias da semana
ou em determinadas condições. Isso não é carinho! Presentear é um ato
incondicional, sem pretensões, diferente das ações de fidelização dos programas
de milhagem como, após a compra da décima pizza, temos direito à décima-primeira
grátis, que será entregue no próximo , pois o estabelecimento não que arcar com
o ônus do frete. Mesquinhez é pensar pequeno e pode redundar em efeito contrário
ao pretendido.
Fatores que promovem ou reforçam os relacionamentos são derivados de atitudes
que atingem o emocional das pessoas, não o bolso. Este é foco do cliente, não no
cliente, é perceber o que o contenta e o que o torna fiel à marca ou a empresa.
Toda manifestação de consumo tem caráter emocional por isto, quando falamos em
marketing, estamos falando de ações que falam ao emocional dos cliente e,
relacionamentos são pontes para chegar lá, são imãs que atraem clientes á
fornecedores, são as algemas que os retém.
As táticas ganha-ganha estabelecem relacionamentos, senão vejamos o que ocorre
nos processo de simbiose na sábia natureza: a flor empresta o néctar à abelha e
em contrapartida esta a poliniza; algumas aves se fartam do frutos das árvores e
para compensar espalham suas sementes pelo solo; o esquilo esconde as nozes e
esquece algumas, realizando um plantio involuntário, promovendo a perpetuação da
espécie.
Em tudo, “a primeira impressão é a que fica”, portanto não podemos
desperdiçá-la! Excelência no atendimento, cumprimento das obrigações contratuais
(ou promessas) na entrega, aceitação das reclamações como uma oportunidade de
correção e melhora do serviço ou produto, pois são oportunidades por vezes,
únicas de o fornecedor mostrar seu desempenho, de agregar valor. Clientes fiéis
reclamam quando têm uma experiência ruim porque querem ver seu problema
resolvido, acreditam na marca/empresa e querem melhorá-la, já os clientes
infiéis vão embora sem o menor remorso e pior - ainda falam mal da empresa.
É imperativo que tratemos os clientes de forma diferenciada, pois para o
consumidor a percepção é a verdade e não justificamos, discutimos ou criticamos
percepções – simplesmente orientamo-nos por elas!
Nosso dia-a-dia com fornecedores mostra-nos exemplos de como ferir
relacionamentos: os “Fale Conosco, que não dão retorno ou mandam mensagens
automáticas sem direito a respostas! Os “0800...” que deixam o cliente esperando
vários de minutos e ainda temos que ouvir uma gravação eletrônica sobre as
"qualidades" da empresa!
Quando você se tornar um profissional de marketing, não esqueça do gap de como
era tratado e de como gostaria de sê-lo! Pois necessidades, interesses e desejos
derivam das emoções - emoção são manifestação de gente - gente é cliente e
cliente é o objeto do marketing... há que ser ter empatia.
Wagner Herrera é Graduado em Ciência da Computação e Engenharia de Producao na
Universidade Mackenzie (SP) e pós-graduação em Administração Estratégica no IESC-
Instituto de Ensino Superior Camões (Ctba-PR)