Para quem
atua em marketing sempre foi
imprescindível a definição
do público-alvo, mas agora,
na era da internet e das
estratégias digitais de
marketing, isso é mais que
uma regra, é um fator
crítico de sucesso. A web
permite ‘como nunca antes na
história do marketing’, uma
total segmentação, através
da qual é possível ofertar
produtos diretamente a
públicos que os demandam.
Isso é possível por que há
inúmeras ferramentas
disponíveis para que a
empresa seja encontrada por
quem busca determinado
produto.
Há casos, para exemplificar,
como citados pela consultora
Beth Furtado, como a loja
Freitag, que vende bolsas
feitas com produtos
recicláveis, a loja Uneven
feet, para quem tem pés com
tamanhos diferentes, a
Ex-boyfriend, onde a pessoa
pode revender jóias que não
deseja mais! Esses são
alguns exemplos de fora do
país, mas temos por aqui
também alguns modelos como
lojas que focam no público
de luxo, como a Privalia, a
Brandsclub, a Coquelux e a
Superexclusivo, todas são
clubes que revendem marcas
de grife com até 90% de
desconto e que juntas já
somam mais de 1,3 milhões de
pessoas cadastradas!
Falando sobre o público
feminino, que não é nicho,
mas que é super importante
para o mundo das compras,
visto que representa mais de
51% dos e-consumidores e, em
alguns casos, sua influência
vai muito além, como no
setor imobiliário, em que
93% dos compradores de
imóveis visitam antes a
internet sendo que dentre as
mulheres esse número se
eleva a 96%, segundo a
Tecnisa. Além disso, as
mulheres também são a
maioria em algumas redes
sociais, como o Facebook,
com 63% de participação e no
portal de moda BymK em que
são 96% do público.
A internet viabiliza
negócios específicos para o
mercado de gordinhos, por
exemplo, oferecendo roupas
exclusivas, ou produtos para
dietas, com links para
SPAs’e tudo isso pode ser
atrelado a uma rede social,
onde se discutem temas
pertinentes a esse público,
como no caso da empresa
americana Lane Bryant.
Há uma loja de presentes de
casamento em que os
convidados escolhem
normalmente o que desejam
dar, mas os noivos podem
trocar tudo por dinheiro
vivo. Ou então negócios para
quem é sozinho, como pacotes
turísticos, baladas
organizadas, sites de
paquera, comidas prontas em
quantidades reduzidas, e
assim por diante.
Há uma loja alemã que aluga
roupas para grávidas e
bebês, visto que terão mesmo
pouco tempo de utilização,
pelo caráter de
transitoriedade dessas
fases. São diversos os casos
aplicados ao público
evangélico, por exemplo, que
precisa se vestir de
determinada maneira, ou
outros grupos religiosos,
como os judeus, que seguem
uma alimentação
diferenciada.
Há também exemplos de
campanhas voltadas a
determinados públicos, como
os gays. Nesse caso, a
construtora Tecnisa procurou
desenvolver não apenas uma
comunicação especial,
estando presente em sites
direcionados com uma
linguagem adequada, mas
também procurou desenvolver
diversos aspectos para se
tornar uma empresa
gay-friendly, inclusive
treinando suas equipes de
obra. A estratégia com
certeza foi válida, pois
conforme a empresa, este
público costuma investir até
20% a mais na customização
de imóveis.
Para criar algo voltado para
um determinado nicho é
necessário estar antenado e
ter muito conhecimento sobre
o perfil da demanda que se
deseja atender. Em geral,
esses grupos são experts em
determinado assunto,
portanto, não é recomendável
se aventurar a investir em
um negócio, ou mesmo, a
fazer ações de comunicação e
marketing sem estar
devidamente envolvido com o
tema.
Sandra Turchi é graduada
pela FEA-USP, pós-graduada
pela FGV-EAESP e MBA pela
Business School São Paulo
com especialização pela
Toronto University e em
empreendedorismo pelo Babson
College em Boston. É
superintendente de Marketing
da Associação Comercial de
São Paulo (ACSP) instituição
que administra o SCPC
(Serviço Central de Proteção
ao Crédito). Site:
www.sandraturchi.com.br -
Twitter: http://twitter.com/SandraTurchi

