O marketing jurídico surgiu
com a necessidade de
profissionalizar a gestão
dos escritórios
advocatícios. Antes
prevalecia o voluntarismo
administrativo nos
escritórios, bastava apenas
ser competente para se
destacar. Era a “primeira
onda” para a venda dos
serviços dos escritórios
jurídicos. Esta postura
funcionava bem em uma época
em que somente precisava
montar uma “banca” numa
pequena sala, com telefone e
secretária, esperando os
clientes chegarem. Mas hoje
isto não funciona mais,
apesar de ainda ser a forma
de atuação de grande número
dos profissionais de
Direito.
Marketing Jurídico – “a
segunda onda”
Na verdade o marketing
jurídico sempre foi
praticado, em maior ou menor
escala, pelos escritórios de
destaque, que tiveram a
“visão” de aliar conceitos
de gestão administrativa,
incluindo o marketing, ao
desenvolvimento de seus
escritórios.
Em nossa opinião, foi esta
postura profissional, aliada
à competência técnica de
ótimos advogados, que
consolidou a maioria dos
grandes escritórios do país.
Copiando o modelo de atuação
destes destacados
escritórios, e também o
modelo de atuação de
escritórios estrangeiros que
começaram a proliferar no
país, surgiu o conceito de
“Marketing Jurídico”.
O marketing jurídico inovou
ao adaptar as ferramentas do
marketing comercial à
realidade jurídica,
principalmente ao buscar
conciliar estas ferramentas
com o código de ética do
setor.
Marketing Jurídico de
Estratégia – “a terceira
onda”
Agora estamos iniciando uma
nova era para o marketing no
setor jurídico. A “terceira
onda”, o Marketing Jurídico
de Estratégia. Uma nova
visão que agrega as modernas
ferramentas de marketing
(como Internet, Call Center,
Contact Centers, CRM, e
outras) às ferramentas
tradicionais (folders,
cartão de visita,
correspondência,
telemarketing, parcerias,
etc.) com um conceito
extremamente fundamental
hoje, a aplicação de táticas
e estratégias frente à
concorrência.
Unindo estes três conceitos:
marketing tradicional,
marketing moderno em
conjunto com táticas e
estratégias, criamos a nova
geração do marketing
jurídico: Marketing Jurídico
de Estratégia.
Defendemos aqui a inclusão
da tese do livro “MARKETING
DE GUERRA 2 – A AÇÃO“
(Editora McGraw-Hill, 1989),
dos americanos Al Ries e
Jack Trout, no setor
jurídico. Eles propõem o
abandono do modelo
tradicional de elaboração de
estratégias de marketing
coorporativas, que chamam de
marketing “Top dow”, onde a
estratégia é criada de cima
para baixo, e pregam o
marketing “Bottom-up”,
aquele que surge de baixo
para cima nas organizações.
Para entendermos melhor o
conceito de tática e
estratégia, imaginemos um
jogo de xadrez. Um bom
jogador precisa antecipar os
passos de seu adversário, e
antever suas jogadas, suas
ameaças, suas artimanhas.
Muitas vezes é preciso
sacrificar uma Torre ou um
Bispo para defender a Rainha
e se manter no jogo,
impedindo o Xeque-Mate.
Contra-atacar com
inteligência, e tendo em
vista a situação do jogo (a
disputa), evitando realizar
uma reação puramente
emocional.
Antecipar os passos da
concorrência, lançar
produtos diferenciados,
buscar áreas não exploradas,
criar formas de atendimentos
inovadoras serão os novos
desafios do setor jurídico.
Descobrir as principais
“jogadas” dos escritórios de
sucesso e copiá-las. Esta
vai ser a regra.
Também na disputa por uma
posição de mercado no setor
jurídico, o advogado ou
escritório precisa pensar
estrategicamente. Muitas
vezes o atendimento a
determinado grupo de
clientes pode não estar
sendo lucrativo, ou mesmo
pode estar desviando suas
energias, recursos
financeiros e de tempo que
poderiam estar sendo
canalizados para clientes
mais importantes do ponto de
vista tático e estratégico.
Segundo a lei de “Pareto”, a
qual afirma que 80% dos
efeitos de toda ação são
realizados por 20% das
causas, podemos concluir que
provavelmente 80% dos lucros
de um escritório vêm de 20%
de seus clientes. Será que o
advogado está dando a
atenção devida a esta
minoria de clientes mais
lucrativos e relevantes para
seu escritório? O mais
provável é que eles estejam
sendo negligenciados em
função do acúmulo de serviço
para atender aos 80% dos
clientes restantes.
Esta é uma visão geral. Um
certo perfil de cliente pode
não ser importante no
contexto de um determinado
tipo de escritório, e ser o
grupo mais importante e
estratégico de um outro tipo
de escritório de advocacia.
Vai depender do foco de
mercado e dos objetivos
estratégicos traçados pelo
advogado para sua carreira e
para seu escritório.
Existem algumas perguntas
interessantes nesta disputa
de mercado no setor
jurídico:
· Como um grande escritório
pode se defender do ataque
de centenas ou milhares de
outros escritórios atuando
em seu setor?
· Como um escritório pequeno
poderia atacar o mercado de
escritórios já
estabelecidos?
· Como manter seus clientes
a salvos do assédio de
tantos outros escritórios?
· É possível disputar o
mercado jurídico com os
grandes escritórios já
estabelecidos?
· Como conquistar os
clientes “fiéis” de outros
escritórios?
Todas estas questões podem
ser respondidas com o
Marketing Jurídico de
Estratégia, que engloba
diversas ações de marketing
como:
· parcerias;
· novas competências;
· novos serviços e novos
produtos;
· sites com serviços e
benefícios agregados;
· exploração do potencial da
Internet;
· táticas de mercado
diferenciadas e inovadoras;
· estratégias competitivas
de ataque, defesa,
flanqueamento ou de
guerrilha;
· projeto diferenciado de
relações públicas;
· além de muitas outras
ações e possibilidades que
podem ser implementadas, e
que certamente farão uma
grande diferença na disputa
pelo mercado no setor
jurídico.
Algumas destas ações
apresentadas são conhecidas,
outras podem parecer
inovadoras demais, “malucas”
até. No entanto, um
observador atento notará
coisas formidáveis
acontecendo com relação a
novos procedimentos e
maneiras de atuar de alguns
escritórios e advogados.
É possível constatar os dois
extremos da concorrência no
setor jurídico. De um lado,
os “tradicionais”
escritórios fazendo a mesma
coisa que se fazia há meio
século atrás para conquistar
clientes, de outro, uma nova
geração buscando espaço,
inovando, criando,
utilizando métodos,
equipamentos modernos, e a
Internet com força total.
Estes estão criando sites,
blogs, comunidades virtuais,
interagindo com milhares de
pessoas todos os dias, sem
sair de casa. Enquanto
aqueles que se acomodaram
estão sentindo que é cada
vez mais difícil desempenhar
sua profissão e satisfazer
plenamente seus clientes.
Existem hoje diversas
empresas no mercado que
oferecem modernos sistemas
de gestão a um custo
satisfatório para um
escritório de advocacia. Por
exemplo, em recente evento
ocorrido em Belo Horizonte,
patrocinado pela Ordem dos
Advogados do Brasil
(OAB/Jovem), o I Encontro de
Soluções Tecnológicas para
Escritórios de Advocacia, a
empresa de software PROLINK,
apresentou um sistema de
gestão o CP-Pro (Controle de
Processos Prolink) que
gerencia por completo um
escritório nas seguintes
áreas:
· controle processual,
agenda, financeiro e
recebimento automático de
publicações;
· auxilia o advogado desde o
seu primeiro contato com o
cliente e a causa que irá
defender, até a emissão de
relatórios e controle
financeiro e serviços
realizados;
· acompanha processos em
centenas de órgãos
judiciais;
· sistema integrado com o
site do advogado.
A tendência é que a geração
que evoluir conseguirá cada
vez mais estar próxima de
seus clientes, ainda que
virtualmente, e
satisfazer-lhes as
necessidades bem melhor do
que pelo método tradicional.
Esta evolução passa
necessariamente pela
profissionalização dos
escritórios de advocacia;
pela profissionalização dos
advogados na gestão de suas
carreiras; pela utilização
cada vez mais presente do
marketing como ferramenta e
alavanca para projeção da
carreira de um advogado; e
finalmente pela implantação
de um plano de Marketing
Jurídico de Estratégia.
Ari Lima é
empresário, engenheiro,
consultor em marketing
pessoal e gestão de
carreiras e especialista em
marketing e vendas.
Desenvolve treinamento em
marketing pessoal e
marketing jurídico para
profissionais liberais,
empresas, escritórios e
estudantes universitários.
Ministra cursos, seminários
e palestras realçando o lado
prático e funcional do
marketing e escreve artigos
diariamente para diversos
sites e revistas. Além de
uma sólida formação teórica,
possui 25 anos de
experiência prática em
gerenciamento e treinamento
de vendedores e de gerentes
de vendas, bem como
atendimento a clientes.

