Neste momento em que está
surgindo, timidamente, uma
nova cultura no meio
jurídico sobre a necessidade
da gestão de marketing nos
escritórios e na carreira de
advogados, com a implantação
do chamado “marketing
jurídico”, levanta-se uma
questão crucial: como
conciliar a implantação de
um programa de marketing com
as limitações impostas pelo
Código de Ética da Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB)?
Esta questão torna-se
bastante pertinente neste
momento, pois o movimento
que nós, os consultores de
marketing jurídico, fazemos
no sentido de levar esta
filosofia do marketing para
dentro dos escritórios de
advocacia e dos cursos de
Direito, desperta também uma
reação, até certo ponto, em
sentido contrário de alguns
setores jurídicos
preocupados que este
marketing não venha a ferir
o Código de Ética da OAB.
De maneira geral, tenho
percebido um grande cuidado,
por parte dos consultores,
de trabalhar dentro dos
limites impostos pelo
Código, e mais recentemente
com a flexibilização de
muitas ações, permitidas
através do Provimento 94/00,
comentadas no livro
“MARKETING JURÍDICO – A Nova
Guerra dos Advogados“,
Editora Juruá (2003), do
consultor Rodrigo D.
Bertozzi.
Não pretendo apressar
nenhuma conclusão, como
também não me cabe contrapor
argumentos àqueles que se
preocupam com a novidade da
chegada da gestão do
marketing aos escritórios de
advocacia, gerando o
surgimento de uma nova era
para o setor jurídico. Mas
pretendo opinar na matéria,
em função de minha
experiência de tantos anos
trabalhando com marketing e
vendas no setor comercial.
Acredito que é perfeitamente
possível utilizar todas ou
quase todas as ferramentas
do marketing tradicional no
setor jurídico. Mais do que
possível, neste momento é
especialmente necessário
fazermos esta adaptação,
conciliando as
possibilidades de promoção
de carreira e dos
escritórios com os limites
éticos impostos pelo Código
da OAB.
As ferramentas de marketing
são como um bisturi nas mãos
de um médico, podem ser
utilizadas de maneira útil e
benéfica ajudando o
paciente, ou de forma
inadequada ferindo e
prejudicando o mesmo.
Um escritório de advocacia
precisa de ferramentas para
se promover, precisa
aprender a utilizar o
marketing de maneira útil e
ética, como ocorre em outras
profissões. Mas qual a
função dos consultores neste
contexto? Ensinar apenas o
marketing aos advogados, ou
não seria uma tarefa
conjunta para adequarem as
ferramentas do marketing ao
código de ética?
Será que neste momento não é
necessário explorar todas as
possibilidades do marketing
no setor jurídico, em
conjunto com os advogados,
buscando e descobrindo os
limites e as possibilidades
que este marketing poderá
trazer em benefício da
carreira de tantos milhares
de novos advogados e da
sobrevivência comercial de
escritórios?
Tenho visto muita discussão
sobre se é ético ou não a
utilização do telemarketing,
da correspondência e de
algumas outras ferramentas
de marketing no setor
jurídico. Mas, é bom lembrar
que o marketing é muito mais
do que isto. O marketing é
uma forma de atender
necessidades, é uma maneira
de se relacionar melhor com
os clientes, é o
desenvolvimento de
competências, de produtos e
serviços com o objetivo de
servir melhor e encantar
pessoas.
Por outro lado, acredito que
é possível também utilizar
ferramentas de marketing
como correspondência e
telemarketing de maneira
harmônica com os interesses
destes clientes, de forma a
criar comodidade, de
informá-los, de prestar-lhes
serviço, sendo mais uma
questão de bom senso e de
criatividade.
Por tudo isto entendo que
esta discussão pode ser
benéfica e esclarecedora.
Advogados precisam conhecer
melhor o que significa
marketing, assim como nós
consultores de marketing
precisamos aprender mais
sobre o contexto jurídico, e
a partir deste debate
construir uma nova maneira
de lidar com estas questões.
Ari Lima é
empresário, engenheiro,
consultor em marketing
pessoal e gestão de
carreiras e especialista em
marketing e vendas.
Desenvolve treinamento em
marketing pessoal e
marketing jurídico para
profissionais liberais,
empresas, escritórios e
estudantes universitários.
Ministra cursos, seminários
e palestras realçando o lado
prático e funcional do
marketing e escreve artigos
diariamente para diversos
sites e revistas. Além de
uma sólida formação teórica,
possui 25 anos de
experiência prática em
gerenciamento e treinamento
de vendedores e de gerentes
de vendas, bem como
atendimento a clientes.

