Existem dois momentos do ano em que todo mundo pára
para repensar sua vida. Alguns de maneira mais
rápida e superficial, outros de forma mais profunda.
Mas não há como fugir: tanto na virada do ano quanto
no seu aniversário, é impossível não dar um suspiro,
pensar em como o tempo passa rápido, em tudo o que
aconteceu e no que ainda está por vir. Essa também é
uma boa hora de estabelecer metas e ver se atingimos
aquelas que havíamos dito que atingiríamos no ano
passado. Gosto muito de uma frase de Earl
Nightingale, que diz que a felicidade é a realização
progressiva de uma meta valiosa. Vou aproveitar para
falar sobre metas, porque não acredito que exista
sucesso sem metas.
Metas sempre foram importantes, mas a comprovação
mais radical disso foi publicada por Mark McCormack,
no seu livro O que Não Ensinam em Harvard. Posso já
ter falado sobre isso antes, mas sempre vale a pena
repetir. Perguntaram a todos os MBAs de Harvard que
estavam se formando: “Você tem objetivos claros e
definidos, colocados no papel, com um planejamento
para atingi-los?”. 3% dos graduandos tinham metas,
haviam colocado no papel e se planejado para
alcançá-las. 13% tinham metas, mas não haviam
colocado no papel. 84% não tinham meta alguma. Dez
anos depois, os pesquisadores foram verificar como
estava a vida profissional dos entrevistados. Veja
que interessante: descobriu-se que os 13% com
objetivos ganhavam, em média, duas vezes mais do que
os 84% sem objetivos. Mas o mais impressionante é
que os 3% com objetivos no papel (e planejamento)
ganhavam dez vezes mais do que os outros 97% juntos.
Mesmo assim, continuamos vendo profissionais de
vendas “brincando” de metas e gerentes “brincando”
de cobrá-las. Exemplo típico: outro dia eu estava
dando uma palestra em uma empresa cuja meta para o
ano é faturar X milhões. O presidente da empresa
abriu o encontro falando sobre a meta. O diretor
comercial abriu minha palestra falando sobre a meta.
No meio da palestra, fiz uma dinâmica rápida sobre
estabelecimento de metas. Pedi que os vendedores
fizessem uma lista de suas metas para o ano. Todo
mundo olhou como se estivesse falando grego (em
janeiro, em uma empresa-líder no Brasil no seu ramo
e ninguém tem meta?). Expliquei rapidamente como
estabelecer algumas metas e dei cinco minutos para
fazerem sua lista. Ao final do tempo, pedi que
lessem a lista. Nenhum deles colocou “ajudar minha
empresa a faturar x milhões” – que era o único
motivo pelo qual estavam todos ali. Ao cobrar isso
da turma, um dos vendedores mais veteranos ainda
teve o descaramento de dizer: “Mas eu coloquei na
minha lista”. “É mesmo?”, perguntei – “deixe-me
ver”. E fui até sua mesa. O papel estava em branco.
O vendedor ficou vermelho, lógico, porque não
esperava que eu fosse conferir. Os amigos e colegas
tirando sarro e rindo. E o gerente dele ali, na
frente. Vendedor mal-educado é como criança
mal-educada: a culpa não é da criança, é dos pais.
Mesma coisa com um vendedor.
A verdade é que as pessoas não estabelecem objetivos
por várias razões. A primeira, e talvez principal, é
que não acham que seja importante. O estudo de
Harvard mostra que é com certeza. A segunda razão é
que simplesmente não sabem estabelecer metas.
Algumas pessoas têm sonhos, devaneios e fantasias e
acham que são metas. “Gostaria de ser rico”, por
exemplo, não é uma meta. Uma meta é clara,
específica, objetiva, por escrito e com data.
Terceiro, as pessoas têm medo de colocar uma meta e
não conseguir atingi-la porque isso é frustrante.
Então muitas pessoas preferem a mediocridade da
acomodação ao risco (e a recompensa) de ter planos e
metas. Quarto, e último, as pessoas têm medo da
rejeição e do ridículo, de passar vergonha em
público por ter estabelecido uma meta e não tê-la
atingido. Mas em um ambiente positivo, com um
gerente inteligente, o não-atingimento de uma meta
pode ser uma ferramenta muito valiosa de
desenvolvimento para o vendedor – basta fazer as
perguntas certas e agir corretivamente.
A verdade é que metas e objetivos nos dão um senso
de propósito, de direção. Ao atingir suas metas,
você vai sentir-se mais energizado, mais confiante,
capaz de buscar desafios ainda maiores. Mais
importante de tudo: ao estabelecer suas metas, você
assume o controle da sua vida. Pense em como isto é
importante: se você não estabelecer suas metas,
alguém vai estabelecê-las por você. E essa com
certeza não é a marca de um vendedor campeão.
Raúl Candeloro (raul@vendamais.com.br) é palestrante e editor das revistas VendaMais®, Motivação® e Liderança®, além de autor dos livros Venda Mais, Correndo Pro Abraço e Criatividade em Vendas. Formado em Administração de Empresas e mestre em empreendedorismo pelo Babson College, é responsável pelo portal www.vendamais.com.br.

