Onde estão e quem são seus novos clientes?
Por Paulo Angelim
10/07/2002
PROSPECÇÃO: “Método e/ou técnica empregada para localizar... jazidas
minerais”. Bem, é essa a definição dada pelo Aurélio, e se adicionarmos o termo
“estratégia” aos termos método e técnica, essa explicação é mais do que
apropriada para nossa realidade de vendas. Principalmente quando olhamos para
“localizar jazidas”. Bons clientes podem ser verdadeiras jazidas, inesgotáveis
de riquezas, visto que têm um grande poder de multiplicação. Ou seja, clientes
sempre têm veios que se estendem até novas jazidas, e assim sucessivamente. É
como uma grande teia, ou rede (infelizmente, alguns vendedores não atentam para
esse aspecto importantíssimo). Mas, como jazidas, os clientes estão enterrados,
escondidos, e, nos últimos tempos, a uma profundidade cada vez maior. Digo, está
cada vez mais difícil identificar e encontrar bons clientes. Eventualmente,
essas jazidas afloram, e quase que nos encontram. São os casos raros de clientes
que nos procuram. Nesse caso, não podemos dizer que houve uma prospecção direta
por parte do vendedor, uma vez que, na verdade, ele é que foi achado pelo
cliente. É lógico que não podemos deixar de considerar que várias iniciativas
tomadas pela empresa podem despertar a atenção e o interesse do cliente. Mas
nesse caso, não será esse um mérito do vendedor. Não resta dúvida que ele poderá
fazer um brilhante trabalho nas etapas posteriores da venda, mas não poderemos
parabenizá-lo pelo trabalho de prospecção, pois este simplesmente não houve.
Não podemos confundir prospecção com iniciativas de divulgação ou comunicação em
veículos de massa, como comerciais de TV, anúncios em revistas ou jornais, mídia
outdoor, panfletagens, etc. Por mais dirigida que elas possam ser, não se
enquadram na ação direta de ligar ou visitar alguém com o objetivo de
identificar se esse alguém é ou não é um prospect qualificado. Assim, a
prospecção é o ato de identificar e buscar novos clientes no mercado. Nunca
perca de vista o fato de que também medimos a “agressividade” e competência de
um vendedor pela capacidade que ele tem de gerar novos clientes. São os
vendedores caçadores. Isso não significa dizer que a manutenção dos clientes
(vendedores fazendeiros) deve ser negligenciada. Muito pelo contrário. Mas, é
indiscutível que os melhores vendedores, tem uma rotina diligente de prospecção
diária. Eles não descuidam, pois sabem que, a qualquer momento, pode haver
mudanças significativas em sua atual carteira. Sabem que é o constante fluxo de
novos clientes entrando que compensa possíveis perdas geradas pela saída de
clientes antigos. Muitas vezes, saídas inevitáveis, como morte, mudança, etc.
Voltando à prospecção. Normalmente, o vendedor, a princípio, não sabe onde seus
clientes potenciais estão, nem quem eles são. Quando prospectores de petróleo
procuram uma nova jazida do “ouro-negro”, se valem de mapas, estudos geológicos,
sondas e um aparato sem fim para minimizarem o erro de não acharem um bom poço.
Da mesma forma, o vendedor campeão, antes de sair à caça de novos clientes,
realiza, através de um trabalho estratégico de planejamento, um estudo minucioso
sobre o produto ou serviços, suas possíveis formas de utilização, suas
características, seus benefícios, o público-alvo a que se destina (lembre-se que
o estrategista, como já falamos anteriormente, não sai dando tiros à toa). Ele,
então, cruza as informações encontradas. O objetivo é traçar um perfil básico
dos clientes potenciais de seu produto ou serviço. Depois de identificado,
procura saber onde se pode encontrar esse tipo de cliente. Só aí ele começa
propriamente o “ataque”. Começa a cavar a terra em busca de sua riqueza. Para
isso, o marketing direto é um grande aliado da prospecção, e você deve, sempre
que possível, se valer dessa importante ferramenta para potencializar resultados
positivos na arte de conquistar novos clientes. Marketing direto é ação dirigida
a clientes cujo perfil se conhece previamente. Assim, pressupõe-se que, antes do
envio de malas-diretas ou e-mails ou de um trabalho de telemarketing ativo, o
vendedor ou a empresa dispõe de uma lista selecionada, minimamente qualificada,
com o objetivo de aumentar as chances de acerto. Caso contrário, todo esse
esforço será tão somente uma iniciativa de massa, e não condiz com o dia-a-dia
de um estrategista. Lembre-se: um tiro; no máximo dois.
Não pense que o tema prospecção é abobrinha. Essa deveria ser uma das áreas a
receber maior atenção e diligência de sua parte. A prospecção está diretamente
relacionada ao seu desempenho, aos seus resultados. E, para obter bom êxito
nessa área, você precisa desenvolver uma importante virtude: a perseverança.
Bem, é lógico que quando falamos de prospecção, estamos voltando-se mais para os
casos de vendedores externos, uma vez que se trata de uma iniciativa pró-ativa
do vendedor, que vai a busca do cliente, sem esperar que ele apareça. No caso de
lojas do varejo, é notadamente mais difícil vendedores lojistas (portanto,
internos) prospectarem clientes. Mas, alto lá. Não estou dizendo que é
impossível. Não é pelo fato do vendedor interno não poder ir fisicamente ao
cliente que significa dizer que ele não poderá fazer um trabalho de prospecção.E
não estou falando daquelas situações, ainda comuns nos centros de algumas
grandes cidades, ou em cidades do interior do estado, quando vemos verdadeiros
animadores nas portas das lojas, de microfone em punho, quase que “tangendo” o
gado (digo, clientes) para dentro do curral (digo, loja). Estou falando de
prospecção profissional, digna de um campeão estrategista. Veja a seguir algumas
formas eficientes que vendedores varejistas podem usar para prospectar novos
clientes para seus negócios:
1. O vendedor campeão continua sendo um vendedor mesmo fora da loja. Portanto,
em reuniões sociais ou familiares, com amigos ou parentes, ele não deixa de
promover seu negócio, seus produtos ou serviços. Assim, em conversas informais,
cria oportunidades de identificar pessoas que podem ser seus clientes em
potencial, ou prospects. Resumo: não importa a hora ou lugar, VENDA. Também não
precisa exagerar, perturbando pessoas em pleno velório ou na hora do culto ou da
missa. Use o bom senso e a moderação.
2. Indicações. Essa é velha, mas ainda não inventaram nada melhor. Apesar disso,
muitos vendedores simplesmente esquecem de usar essa ferramenta poderosa de
prospecção. Diga-me: qual a dificuldade de você perguntar para seus clientes
fiéis se eles conhecem amigos ou parentes que também possam se interessar pelos
produtos ou serviços de sua loja? Nenhuma! E por que você não faz isso?
Acorde!!!
3. Agora, ataque também os clientes que só entraram para olhar, mas não
compraram. Que tal se você pedisse a essas pessoas o número do telefone delas,
com o compromisso de ligar para elas logo que cheguem as novidades, ou a nova
coleção, ou ainda a próxima promoção da loja? Eu sei que muitas delas não
cederão, dirão que estão só olhando. Mas, já imaginou se 10% dessas pessoas
derem o número de telefone? Imagine que em sua loja entram diariamente 20
pessoas que não compram. Se duas derem o telefone para posterior contato, no
final do mês, você terá pelo menos 48 nomes para serem contactados. Digamos que
somente 20% delas comprem. Bem, serão 10 novas clientes que você terá
conquistado, sem um imenso esforço. E isso significa MAIS VENDAS. É simples?
Então, o que está esperando? A não ser que você não goste de uma comissão mais
gorda no fim do mês...
Caro vendedor(a), imponha-se uma meta de prospecção. Exija mais de si mesmo.
Pare de ficar esperando que as coisas aconteçam. Para de ficar culpando o mundo
pelo fato de você estar vendendo pouco. Lembre-se de um trecho de “Para não
dizer que não falei das flores”, memorável e antológica música de Geraldo
Vandré. Ela diz assim: “...quem sabe faz a hora, não espera acontecer...” Ou
seja, a hora de prospectar é AGORA. O local é SUA LOJA. A pessoa é VOCÊ. Não
faça isso porque seu gerente, seu chefe, supervisor ou o dono de sua loja está
pedindo ou mandando. Faça isso porque está em jogo seu sucesso, seu
desenvolvimento, seu crescimento. O verdadeiro campeão não se contenta com as
oportunidades que lhe surgem. Ele cria mais outras. Simplesmente porque não pode
entregar a responsabilidade de seu crescimento aos outros. Essa responsabilidade
é dele. É sua!
Penso que já está devidamente claro para você, um vendedor campeão, a
importância da prospecção. Já vimos como os vendedores internos podem se valer
dessa importante ferramenta para aumentarem suas vendas. Agora, é a vez do
vendedor externo. Se você é um deles, vamos direto ao assunto. Responda, de
bate-pronto: “Em média, quantos novos clientes você tem contactado por dia? Esse
número é suficiente para te gerar um contínuo incremento em seus resultados de
vendas?” É sério! Se você não estiver dando atenção a isso, a morte em vendas
está próxima. Você já deve saber o que é a prospecção. Mas, deve estar se
perguntando, agora, “como um vendedor externo pode prospectar?”. Vamos, então,
às estratégias campeãs de prospecção:
A. Em primeiro lugar, você deve conhecer bem o produto que está trabalhando,
assim como suas características e todos os potenciais benefícios que ele pode
gerar para os possíveis clientes;
B. Trace o perfil do cliente potencial para cada um dos produtos que você tem.
Para evitar “achismos”, uma excelente prática é extrair esse perfil de seu banco
de dados de clientes atuais. É importante observar que devem ser considerados
vários aspectos que possam ajudar na segmentação desses clientes, como renda,
localização geográfica, hobby, classe social, hábitos de consumo, idade, sexo,
etc. O estudo sobre seus atuais clientes irá lhe ajudar a identificar onde
poderão ser encontrados os novos. A partir daí, é só elaborar estratégias para
prospecção desses possíveis clientes. Pode ser através de visitas diretas, ou
através de contatos telefônicos, ou usando a mala-direta convencional, ou
eletrônica, precedendo o contato pessoal;
C. Existem várias fontes para prospecção, além dos clientes atuais e passados.
Aqui vão algumas delas: Listas de visitantes de empreendimentos anteriores, ou
visitantes de stands em feiras, prospects anteriormente contactados e que não
compraram, livros de personalidades sociais, livros de planos de saúde,
advogados, catálogos e/ou álbuns comemorativos de instituições federais e
estaduais, eventos sociais ou de negócios, palestras, feiras e congressos,
amigos e colegas de seus familiares, vizinhos, e, por fim, toda e qualquer
pessoa que você encontre na rua etc. Parece absurda a última hipótese: “Toda e
qualquer pessoa que você encontre na rua”. Mas é verdade. Vendas é
relacionamento, é contato. Vendas tem a ver com falar com pessoas. Quanto mais
pessoas você falar, maiores serão as chances de você gerar negócios. É lógico
que estou considerando que você deve ter uma apresentação pessoal adequada para
não assustar as pessoas. Além disso, você deve cuidar com o que diz e quando
diz. Muito dificilmente, uma moça bonita, sentada sozinha em um restaurante,
iria acreditar que você estava realmente querendo vender alguma coisa, caso você
fosse abordá-la numa ocasião como essa. Cuidado, use o bom senso;
D. Existe uma prática super-eficiente na etapa de prospecção que você tem que
introduzir no seu dia-a-dia, até que a mesma se transforme num hábito: pedir
indicações. Não importa a quem você esteja pedindo, se clientes atuais, se
amigos, familiares, ou prospects que rejeitaram seu produto. Nada impede que,
após uma entrevista de vendas, ou uma visita de manutenção a um cliente, você
peça indicações de possíveis clientes. Mas cuidado como você pede. Você não está
mendigando. As solicitações devem ser sempre positivas e mostrando que seu
interlocutor estará fazendo um grande favor ao indicado, por dar a você o nome
dele. Exemplo: “Sr. Roberto, quem de seu círculo de amizades, ou dentre seus
familiares, poderia aproveitar esta oportunidade [ou, se beneficiar fazendo esse
investimento... ou, seria um potencial interessado nesse produto... ou,
mereceria estar neste empreendimento];
Finalmente, quero lhe afirmar, categoricamente, que as estratégias indicadas
acima não são apenas teorias, elas funcionam mesmo, desde que nos disponhamos a
perseverantemente aplicá-las em nossas rotinas diárias de vendas. Foi usando
essas práticas que, no mês de Abril/2002, tornei-me, graças ao bom Deus, o
consultor imobiliário campeão de vendas do Alphaville-Fortaleza, com mais de 50
lotes vendidos, num breve período de 14 dias. É lógico que todas essas vendas
não nasceram nesse período. O trabalho de prospecção começou, pelo menos, 45
dias antes da data de abertura de vendas. Depois, fui só colhendo os frutos.
Acredite, você pode ser um campeão de vendas. Mas, necessariamente, você terá
que dar bastante atenção à prospecção. Ignorá-la é decretar a mediocridade de
seus resultados. Tenho certeza que não é isso que você quer para si mesmo. E lhe
asseguro que não é isso que você merece. Você merece brilhar, estar no topo. Mas
terá que fazer sua parte. Prospecte. Bençãos, e até a próxima, se Deus permitir.
Paulo Angelim -
Consultor de Marketing