Organizações Orientadas a processos
Por Wagner Herrera
10/11/2007
As organizações orientadas a processos têm necessariamente o foco no cliente,
posto que não existe processo sem ele! Assim, a primeira medida na reorganização
da estrutura organizacional de funções para processos é a definição clara e
objetiva de quem se beneficia do processo e, geralmente esta mudança é fruto do
resultado do estudo da arquitetura de processos e aplicação de reengenharia.
Organizações orientadas a processos por terem foco no cliente interno ou externo
buscam permanentemente dos mesmos, sendo assim orientadas pelo atendimento das
necessidades, interesses e desejos deles.
Também, o estabelecimento de métricas para o monitoramento do desempenho e
resultados se traduz em maiores facilidades, posto que os processos apresentam
um continuum ao invés das mensurações restritas as atividades das áreas
funcionais que englobam processos de naturezas diferentes propiciando a medição
dos indicadores restritos a eficiência, enquanto que no gerenciamento de
processos, todos as classes de indicadores são facilitadas em suas obtenções e
aferições possibilitando resultados com maior objetividade e fidelidade.
O treinamento da força de trabalho se impõe como requisito de extrema
relevância, diria até, a doutrinação que transforma equipes em times e na
conscientização de que os colaboradores participam da cadeia de valor que gera
os resultados e entrega valor para o cliente. O desenvolvimento do capital
humano e de novos valores impostos pela mudança cultural se tornam necessários
no convívio do novo ambiente instalado.
Naturalmente sempre existirão nichos de especialidades comuns a vários processos
e, isto remete aos feudos funcionais que são perniciosos a mentalidade da
orientação a processos e ai, novamente o treinamento, a doutrinação e lideranças
fortes inibem esta tendência.
Orientação a processos não é um fim em si mesmo, mas facilitadora de implementos
de ganhos em produtividade e qualidade por uma simples mudança de paradigma – os
esforços não são orientados ao patrão ou ao chefe e sim ao cliente, pois segundo
Hammer: “A estrutura organizacional baseada em funcionalidades induz os
colaboradores a olharem para cima em direção a seus chefes, para dentro de suas
tarefas, mas nunca para fora onde está o cliente e, o cliente para Sam Walton,
criador da Rede Wall-Mart: “... são os mais importantes para a empresa, pois
podem demitir do patrão ao porteiro, simplesmente indo fazer suas compras em
outro lugar”, princípio que poderia ser a bandeira da gestão orientada a
processos.
Algumas empresas adotam soluções intermediarias criando a estrutura matricial
com a figura do gerente de processos – porém meias soluções levam a meios
resultados. Os gestores funcionais (departamentos) por estarem próximos dos
colaboradores detêm maior poder e autoridade sobre os mesmos e tendem a defender
interesses seccionais em detrimento da visão de processos. A reestruturação
funcional se faz necessária considerando o delicado equilíbrio de forças (poder
e autoridade) na organização, posto que esta atitude da alta-administração deve
ser embuída de forte vontade política, pois mudanças desta magnitude podem
desestruturar a organização.
Os processos de apoio (infra estrutura, assessoria e tecnologia) devem
contemplar os clientes internos - não menos importantes, uma vez que estes
participam apoiando e energizando os processos principais, responsáveis pela
geração de bens (produtos e serviços).
O conceito de “organizações orientadas a processos” foi criado por M. Hammer e o
site http://www.acttive.com.br/download.htm traz artigos sobre o tema.
Wagner Herrera é Graduado em Ciência da Computação e Engenharia de Producao na
Universidade Mackenzie (SP) e pós-graduação em Administração Estratégica no IESC-
Instituto de Ensino Superior Camões (Ctba-PR)