Se o setor
jurídico está vivendo uma
acirrada batalha entre
advogados pelo mercado de
trabalho, e assistindo uma
luta entre escritórios já
estabelecidos tentando
consolidar uma posição
frente aos clientes, é cada
vez mais necessário
encontrar armas eficazes
para enfrentar esta guerra.
Ao contrário de outras
profissões e setores
comerciais, o setor jurídico
tem uma grande limitação em
relação à busca e conquista
de novos clientes, que é o
código de ética da Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB).
Por isto é necessário pensar
o marketing para o setor
jurídico de uma maneira bem
particular. Encontrar
fórmulas inovadoras e
criativas para utilizar as
mesmas ferramentas do
marketing tradicional,
conciliando-as ao código de
ética da OAB.
Dentre tantas maneiras
inovadoras de praticar o
marketing no setor jurídico,
podemos destacar uma, a
parceria profissional, que,
se bem utilizada, poderá se
tornar estratégica e eficaz
na consolidação de uma
carreira advocatícia e na
gestão de um escritório
jurídico.
Joe Girard, que escreveu o
livro “COMO VENDER QUALQUER
COISA A QUALQUER UM”
(Record, 2001), considerado
durante muitos anos o maior
vendedor de carros do mundo
segundo o Guiness Book,
afirmava que um dos maiores
segredos para tamanho
sucesso era sua capacidade
de desenvolver parcerias.
Mais de um terço de todas as
suas vendas vinham das
parcerias que desenvolveu ao
longo dos anos.
No caso do setor jurídico,
esta é uma ferramenta que
pode ser tranquilamente
aplicada sem ferir o Código
de Ética, ou trazer qualquer
transtorno para o
profissional.
A pergunta então é a
seguinte: como, onde e com
quem realizar estas
parcerias? Certamente elas
não surgirão como num “passe
de mágica”. É preciso
elaborar um sistema e
incorporá-lo à cultura do
profissional ou do
escritório, de forma a
desenvolvê-lo sistemática e
progressivamente ao longo
dos anos. No entanto, os
resultados de um método
destes, implantados de
maneira eficaz, começarão a
ocorrer rapidamente.
Quem será seus melhores
parceiros?
Existem as parcerias
tradicionais entre
escritórios de advocacia que
podem trazer diversas
vantagens:
· compartilhamento de
clientes em função da
especialização de cada
escritório;
· redução de custos para
aquisição de softwares,
publicação de revistas
informativas e outras
atividades em conjunto, ou
mesmo da utilização de
infra-estrutura em comum;
· parcerias estratégicas por
estarem em regiões
geográficas diferentes;
· troca de informações
vitais sobre concorrências,
sobre demandas de novos
contratos, e outras
informações comerciais,
jurídicas ou de influências
inerentes ao setor;
· realização de eventos
públicos conjuntos com o
objetivo de conquistar novos
clientes e promoção de suas
marcas.
Também é possível fazer
parcerias com profissionais
ou escritórios de setores
afins ou complementares, mas
que atendem o mesmo perfil
de clientes, como:
· escritórios de
contabilidade;
· consultorias de marketing;
· consultorias de gestão
administrativa;
· consultorias de gestão de
qualidade e tantas outras
que existem.
A parceria é um
relacionamento, e para obter
sucesso é preciso levar em
conta diversos fatores. O
primeiro e principal deles é
que este relacionamento tem
de ser vantajoso para todas
as partes envolvidas. Também
tem de prezar pela confiança
mútua e deve ser agradável
do ponto de vista das
relações interpessoais.
Finalmente, precisa ser
transparente, ou seja, é
preciso ficar claro qual o
objetivo e as vantagens que
cada parte espera da outra.
Se um escritório de
contabilidade está
frequentemente indicando
seus clientes, para
realização de consultas e
eventuais demandas
judiciais, a um escritório
de advocacia, é de se
esperar que este escritório
de advocacia esforce-se para
também indicar clientes ao
escritório de contabilidade.
Caso haja algum
desequilíbrio nas vantagens
obtidas nesta parceria,
aquele que estiver
conseguindo maior benefício
deverá tomar a iniciativa de
encontrar uma forma de
compensação ao seu parceiro.
As parcerias normalmente são
acordos informais e com
regras implícitas baseadas
no bom senso. E bom senso é
o que mais se espera de uma
relação de parceria.
Quando tomar a iniciativa de
buscar parceiros, o
profissional ou escritório
deve pesquisar e estudar bem
a viabilidade deste acordo.
Por exemplo, um escritório
de contabilidade que atende
principalmente empresas
poderia ser parceiro de
advogados especializados nas
áreas tributárias e fiscais,
na área trabalhista e na
previdenciária.
O ideal é buscar parceiros
que atendam ao mesmo tipo
específico de clientes, e
que tenham estruturas
parecidas, assim as
vantagens serão mútuas. Um
pequeno escritório de
advocacia não tem muito a
oferecer a uma grande
organização de contabilidade
e vice-versa. Mas mesmo que
não possa ser construída uma
relação de parceria entre
estas duas organizações, em
função da grande diferença
de estrutura, o profissional
da organização menor poderá
se beneficiar com uma
possível aproximação e
relacionamento pessoal,
ampliando seu network, ou
rede de contatos com as
pessoas daquela organização.
Como conseguir parcerias?
Tomando a iniciativa.
Marketing é uma atividade
pro ativa, requer atitude,
iniciativa, quebra de
barreiras comportamentais. A
primeira coisa útil que um
advogado poderia fazer para
sua carreira, após ler um
conjunto de idéias como
estas, seria sentar-se
diante de uma mesa com papel
e lápis na mão e começar a
relacionar todos os seus
conhecidos: pessoas,
escritórios, consultores,
empresários, diretores de
sindicatos e associações, e
jornalistas. Enfim, todos
aqueles que direta ou
indiretamente podem ajudá-lo
a montar um sistema de
parceria. Seria um ótimo
primeiro passo, sua carreira
agradeceria muito em pouco
tempo.
Mais importante do que a
quantidade de parcerias é a
qualidade das mesmas.
Acordos bem montados, com
parceiros de grande
potencial e influência junto
a clientes, certamente
trarão os melhores
resultados.
O que acha de elaborar um
conjunto de idéias que
despertem atrativos para
seus futuros parceiros? Seu
escritório poderia fornecer
consultoria gratuita na área
jurídica para consultores,
contadores e outros
profissionais em troca da
indicação de clientes.
Poderia fornecer periódicos
com informações de interesse
destes parceiros. E o que me
diz de uma combinação de
comissão sobre os honorários
cobrados juntos aos
clientes? Todas estas
possibilidades podem ser
estudadas e propostas aos
futuros parceiros em função
das características de cada
um.
Portanto, acreditamos que um
sistema de parceria
profissional pode ser uma
poderosa arma de marketing,
na disputa pelo mercado no
setor jurídico. Assim,
advogados e escritórios de
advocacia poderão ter um
significativo aumento no
volume de seus negócios
originados destas parcerias.
Ari Lima é empresário, engenheiro, consultor em marketing pessoal e gestão de carreiras e especialista em marketing e vendas. Desenvolve treinamento em marketing pessoal e marketing jurídico para profissionais liberais, empresas, escritórios e estudantes universitários. Ministra cursos, seminários e palestras realçando o lado prático e funcional do marketing e escreve artigos diariamente para diversos sites e revistas. Além de uma sólida formação teórica, possui 25 anos de experiência prática em gerenciamento e treinamento de vendedores e de gerentes de vendas, bem como atendimento a clientes.

