O Poder Mágico do Relacionamento
Por Carlos Hilsdorf
23/01/2009

Vivemos acreditando que sabemos o que é básico, cotidiano, e que desconhecemos somente o que é profundo e complexo. Vivemos o paradoxo da busca da verdade e, quanto mais nos aproximamos dela, mais percebemos o quanto nos falta saber.

Já nos respondeu Sócrates falando sobre si mesmo: Só sei que nada sei.

E com esta afirmativa Sócrates foi considerado o Homem mais sábio do Mundo à sua época.

É paradoxal, mas reconhecer que sabemos e ao mesmo tempo não sabemos nos relacionar é o início de um novo caminho rumo a esta que é a mais importante ferramenta humana no plano das relações: a comunicação interpessoal.

Comunicação não é uma simplista fórmula composta por emissor, receptor, meio e mensagem; Comunicação é um fenômeno complexo, porém simples; simples, porém complexo - assim como esta afirmativa. Relacionamento é comunicação ampliada.

Na sua origem etimológica, Comunicação significa tornar comum, compartilhar - de o­nde podemos refletir que se não houve compartilhamento, se algo não se tornou comum, ou seja, pertencente a ambos os universos (do comunicador e do alvo da comunicação), não houve verdadeiramente comunicação.

Quero ousar dizer que tudo na vida é fruto da comunicação, a vida é sinônimo de comunicação. Estar vivo é estar comunicando.

Nossas células se comunicam, nossos órgãos se comunicam, nossos sistemas se comunicam, nossa mente comunica-se consigo, com o próximo, com o mundo a nossa volta.

Se qualquer destas comunicações cessar, nós, enquanto seres humanos, cessamos!

A comunicação se dá em vários níveis, dentre eles:

Intrapessoal
Interpessoal
Corporativo
E todos estes níveis e subníveis influenciam nos demais. Comunicação é um contínuo processo de retroalimentação.

Observemos a comunicação intrapessoal, este diálogo único, pessoal e intransferível que travamos conosco incessantemente.

A comunicação intrapessoal reflete e alimenta nossas crenças, cultura, valores, hábitos, virtudes, defeitos e infinitos condicionamentos responsáveis pela nossa dificuldade em mudar muitas coisas que gostaríamos de mudar em nossas vidas; se a comunicação intrapessoal não abre espaço para estas mudanças, elas não ocorrem!

Um bom comunicador (cabe lembrar que comunicação é também influência, e influência é em última análise, Liderança) deve possuir discernimento e o maior grau possível de controle sobre a sua comunicação intrapessoal consciente. Caso contrário, pensamentos, ordens, e condicionamentos estarão atuando à nossa revelia e nós nem estaremos nos dando conta deles.

Tomar consciência dos seus diálogos interiores e intervir neles, quando necessário, eis um grande e estimulante desafio para um verdadeiro comunicador.

Na comunicação interpessoal, estamos diante do complexo sistema o­nde interagem duas ou mais comunicações intrapessoais com exteriorizações pelos canais verbais e não verbais no nível interpessoal e que, portanto, estão alterando segundo a segundo o teor da mensagem que estamos comunicando.

Comunicação não é um processo tão racional quanto se gostaria, o papel das emoções é extremamente relevante. Elas atuam de infinitas maneiras sutis. São como lentes perceptuais que alteram totalmente o conteúdo em questão, seja agregando fatores via conceitos, preconceitos ou "revival" de momentos anteriores; ou ainda por perigosíssimas generalizações, racionalizações, e até distorções e dissonâncias. Somos nós que emprestamos cor à realidade, retirando ou adicionando algo que ela não possui, que na verdade, projetamos.

Assim, sem autoconhecimento, disciplina, discernimento e, sobretudo vigilância, a comunicação se torna uma bomba de efeitos cumulativos.

A comunicação corporativa traz toda esta complexa gama de relações para o ambiente empresarial, o­nde na maioria das vezes a tônica é o estresse e a pressão. Não é difícil imaginar a que nível exponencial elevamos as dificuldades, não é?

Como indivíduos psicológicos que somos, mesmo que o software mental que separa as nossas vidas pessoais das profissionais seja da "Versão 2003 Pro", ainda assim sofreremos invasões das emoções e desgastes que cada um destes setores da nossa vida enviarão para o outro e aí começa um perigosíssimo ciclo: o ciclo das relações mal resolvidas.

Muitos dos nossos problemas de comunicação vêm da dificuldade em estabelecer rapport e empatia, e derivam do ciclo das relações mal resolvidas. Projeções do passado interferem nas relações presentes entre sujeitos diferentes. É necessário prestar muita atenção a este fato!

Reflita sobre as questões aqui levantadas e considere este importante dado estatístico:

Pesquisas feitas pela The Executive Magazine e US Today comprovam que os profissionais americanos (homens e mulheres) de maior sucesso e faixa salarial devem sua privilegiada posição a um fator comum: sua habilidade em estabelecer e manter níveis de relacionamentos altamente eficazes!

Aprimore as diversas formas de Comunicação que abrem e ampliam as janelas da oportunidade nos relacionamentos. Exercite o Poder Mágico do Relacionamento.

Carlos Hilsdorf

Considerado pelo mercado empresarial um dos melhores palestrantes do Brasil. Economista, Pós-Graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano. Palestrante do Congresso Mundial de Administração (Alemanha) e do Fórum Internacional de Administração (México). Autor do best seller Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero. Presença constante nos principais Congressos e Fóruns de Administração, RH, Liderança, Marketing e Vendas do país e da América Latina. Referência nacional em desenvolvimento humano. www.carloshilsdorf.com.br