Por que valorizamos mais os produtos que nossas empresas e marcas?
Por Ivan Postigo
29/04/2010

Por que valorizamos mais os produtos que nossas empresas e marcas?
Você já notou que quando falamos em valor de marcas e empresas sempre nos referimos a organizações constituídas fora do nosso país?
Pare e pense, não importa se você é o acionista ou um colaborador: Qual o valor da sua empresa e da marca que esta detém?
Não, não vale um “chute”, tem que ser algo com substância, que sirva efetivamente de parâmetro para negociação.
Fica difícil dizer, não?
Claro que se houvesse, no nosso país, predominância de empresas de capital aberto, evidentemente operando na bolsa de valores, seria mais fácil responder, mas isso é uma razão fundamental?
Determinar o valor de uma empresa é algo complexo, então vamos restringir a pergunta: Quanto vale a sua marca?
Não dá para responder não é?
Empresas, marcas, são patrimônios, têm valor econômico e financeiro que flutuam de acordo com momentos de mercado.
Hoje podem valer milhões, amanhã podem não valer um centavo sequer.
Por que sempre sabemos determinar o valor dos nossos produtos?
Para poder vendê-los, claro. Afinal, esse é nosso interesse.
Pergunta: Não tratamos assim nossas empresas e marcas porque essa não é nossa intenção?
E por que não?
A resposta poderia ser: Por que constituímos uma empresa que dá estabilidade financeira à nossa família e poderá dar segurança aos nossos filhos, netos...
Netos? Pouco provável com a velocidade com que as coisas acontecem! Terceira geração...
Se hoje sua empresa tivesse um valor de mercado de cinco milhões e eu lhe dissesse que daqui a cinco anos, com algumas medidas, ela poderia ser vendida por cinquenta milhões, você começaria a prepará-la para a venda?
Não precisa ser apenas a empresa, o mesmo raciocínio serve para a sua marca.
Posso estar enganado, mas você está se vendo em um veleiro no Caribe?
Você “vendeu” a empresa? E os netos?
Ah, com o dinheiro vai investir em outros negócios!
É verdade que muitos empresários não conseguem se ver atuando em outros segmentos, que não aqueles de sua origem, por terem herdado a empresa ou porque as criaram. Por isso também mantém suas marcas.
A idéia de vendê-las é tão remota que sequer é considerada.
Sem investimentos, marcas e empresas envelhecem. Desvalorizam e deixam de ser interessantes.
É um duro golpe para quem perde o “timing”, mas essa é a realidade de mercado.
Usando esse raciocínio todo empresário deveria colocar uma placa na porta: “Vende-se”?
Não, ele deve cuidar da sua empresa para que as placas que leia sejam: “Compro”.
Digamos que você receba de presente ou compre um relógio, de uma marca pouco conhecida, uma série limitada. Valor pouco expressivo, então você o usa sem preocupação.
Por alguma razão descobre aquele é um objeto raro e passou a valer milhões, como você o trataria?
Continuaria consertando suas máquinas com ele no pulso?
Você o venderia? Colocaria em um cofre e o manteria como reserva de valor?
Qual a diferença entre o relógio, sua empresa e marca?
A diferença é que você tem o poder de torná-las raras e únicas. Ou não!
Um amigo me contou a seguinte história de família:
Vivendo na Espanha, um parente, ainda garoto, estudou com um rapaz agitado. Tornaram-se bons colegas de classe e companheiros nas aventuras do colégio. Esse rapaz gostava de desenhar.
Entre os livros, guardou como lembrança um guardanapo com um desenho e uma dedicatória.
Sempre soube que estava lá, aquilo marcava bons momentos de uma boa época.
O tempo passou e ele observava, cada vez com maior espanto, que naquele guardanapo estava escrito “Salvador Dali”.
Fosse essa a sua história como você trataria esse guardanapo?
E a sua empresa e marca?

Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão Empresarial - Fones (11) 4526 1197 / ( 11 ) 9645 4652
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