A Pratica da terceirização
Por Carlos Alberto de Faria
01/07/2008
Surgiu uma pergunta, depois dos debates sobre o último artigo de terceirização,
uma pergunta que não cala:
- "Chega de teoria, como se faz terceirização?!!!"
Objetivamente, o primeiro passo para a terceirização é a análise proposta por
Kraljic.
Os dois grandes aspectos que devem ser analisados, obrigatoriamente, em
quaisquer processos de terceirização são:
- a importância, para a EMPRESA, da atividade que está sendo terceirizada;
- a disponibilidade de fornecedores para a terceirização no mercado de atuação.
A Importância para a sua empresa
A importância da atividade a ser terceirizada, para a empresa que está
terceirizando, deve ser analisada sob o aspecto do reflexo em sua operação, ou
seja, se o fornecedor contratado que assumir o serviço não for bem, a sua
operação fica prejudicada? Pouco? Muito? O cliente pode perceber? Afeta a
qualidade dos produtos ou serviços, sob o ponto de vista do cliente? Afeta,
diretamente ou indiretamente, a qualidade percebida pelos clientes? Na eventual
troca de fornecedores é crítica a continuidade dos serviços?
A disponibilidade de fornecedores no mercado
A disponibilidade de fornecedores deve ser analisada sob o enfoque da existência
e do número de fornecedores da atividade a ser terceirizada, disponíveis no
mercado de atuação da sua empresa. Há fornecedores capacitados para assumir a
atividade a ser terceirizada no mercado onde atuo? O número de fornecedores
capacitados é grande? Ou é pequeno? Ou só existe um único?
Tendo em vista o resultado destas duas análises podemos cruzar os dados e
colocá-los na matriz de Kraljic.

Nessa matriz vemos 4 áreas distintas: sem ênfase, estabilidade, competitividade,
e integração.
Vamos fazer um comentário sobre cada uma delas:
1º Área: SEM ÊNFASE, fornecimento simples.
Esta área apresenta as atividades de importância baixa e alta disponibilidade de
fornecedores, ou seja, as aquisições nesta área são pouco significativas, e é
exatamente por este motivo que se deve começar a terceirização por estas
atividades, buscando aprender para poder ir adiante.
Os contratos, caso necessários, devem ter por objetivo a agilidade e a presteza
no atendimento, devendo ser de curto prazo. O relacionamento com o fornecedor é
sem importância.
2º Área: ESTABILIDADE, fornecimento gargalo
Nesta área encontramos a particularidade de termos baixa importância da
atividade a ser terceirizada, juntamente com baixa disponibilidade de
fornecedores capacitados. Essa disponibilidade baixa exige a garantia do fluxo
de entrega.
Como linha de ação para a terceirização destas atividades recomenda-se o
estabelecimento de contratos de prazos variáveis, dependendo da confiança no
fornecedor, confiança esta que deve ser o objetivo do relacionamento.
3º Área: COMPETITIVIDADE, fornecimento em grandes quantidades
Nesta área encontramos a importância alta - é vital para a empresa - e a alta
disponibilidade de fornecedores capacitados no mercado, o que permite, como
linha de ação da sua empresa, uma forte negociação em preço e qualidade
suportadas pela competitividade e contratos, de um a dois anos, possivelmente
estabelecendo algum controle econômico desse fornecedor.
O relacionamento com o fornecedor deve ser monitorado para evitar surpresas.
4º Área: INTEGRAÇÃO, fornecimento estratégico
Esta área é terceirização mais crítica, e recomenda-se somente deva ser
enfrentada com experiência nas duas áreas anteriores, uma vez que há poucos
fornecedores no mercado e é alta a importância para a empresa. A linha de ação
recomendada neste caso é o estabelecimento de contratos de longo prazo, aliados
a fortes cláusulas de garantia de suprimento e controle econômico do fornecedor.
Deve ser estabelecido um relacionamento cuidadoso com o fornecedor.
Para quem se interesse pelo assunto recomendo, fortemente, a leitura do livro "A
Revolução Nos Serviços", de Nelson T. P. Pereira e Fernando C. de Vasconcelos,
Editora Livre Mercado, 1995. O livro é baseado na experiência prática dos
autores na implantação da terceirização em importante e grande empresa
multinacional. Este artigo esta baseado fortemente no conteúdo deste livro
ímpar.
Eu tenho uma dificuldade com a falsa polarização entre a teoria e prática. Eu
não vejo distinção entre teoria e prática, eu vejo a ação baseada na teoria, ou
o que eu uso exaustivamente em meu sítio na INTERNET: o par Informação (teoria)
e prática (ação).
Aqui eu tenho escrito:
"Esse par "Informação e Ação" é exaustivamente utilizado ao longo deste "site",
por todo material que eu produzo e nas minhas atuações como consultor, para
revelar, não somente o conhecimento, que precede o agir, mas a ação requerida,
baseada no conhecimento, para que as mudanças ocorram com a efetividade
desejada."
Eu vejo que a prática da terceirização consegue melhores resultados - como todas
e quaisquer outras práticas - quando fundamentadas pela experiência adquirida,
transformada em conhecimento, e chamada de teoria!
Para que errar o que outros já erraram? Ao aproveitar a experiência dos outros
otimizamos o nosso caminho para o sucesso!
Carlos Alberto de Faria é sócio diretor da Merkatus - Fonte: Merkatus