Profissional Necessário, mas não Esperado
Por Ivan Postigo
08/01/2011
Muitas empresas enfrentam dificuldades na produção, no controle financeiro, na
gestão de marketing e necessitam passar por um processo de reorganização,
contudo resistem às mudanças.
Um ponto comum entre elas é o alto turnover gerencial, profissionais entram e
saem da empresa, numa quantidade e velocidade impressionantes.
Profissionais experientes parecem não conseguir encontrar formas de estabelecer
e conduzir um plano que permita a essas empresas terem uma gestão mais
equilibrada, resultados mais satisfatórios, melhores índices de produtividade.
Outro aspecto comum é a falta de apoio e aderência aos planos apresentados.
O histórico de alta rotatividade gera desconfiança quanto à possibilidade de
continuidade do profissional, portanto os níveis menores do organograma evitam o
risco de aderir a um plano que tem poucas chances.
O barco é o mesmo, é verdade, pode estar afundando, mas poucos se preocupam em
ajudar a tirar a água.
Teimosia, orgulho, idéias superadas, falta de confiança, acomodação,
desconhecimento de técnicas de gestão, são componentes do processo de gestão que
não permitem essas empresas se desenvolverem.
Todo processo de reorganização exige mudanças importantes de conceitos, de
comportamento, de atitudes, e se há algo que as pessoas resistem são as
mudanças.
Mudanças como discurso provocam aderência sempre, como fato encontram ferozes
adversários.
Mudanças provocam alterações de status, geram desconforto por requererem novos
aprendizados, muitas vezes aumentam a carga de trabalho, incorporam novas
responsabilidades, geram inseguranças, trazem novos desafios, assustam.
Velhas regras, que no passado deram certo, costumam ser utilizadas como
panacéias, evitando-se mudanças radicais.
Empresas tradicionais desapareceram, não porque não tivessem mercado ou produtos
adequados, mas porque o equilíbrio entre as diversas áreas não foram mantidos.
Uma empresa é tão forte quanto seu ponto mais fraco.
Para vencer a acirrada concorrência, no mundo globalizado, é importante que as
empresas tenham diferenciais e os apresentem.
Ter o melhor produto, mas deixá-lo totalmente desconhecido do seu público
consumidor é esperar que um milagre mantenha a empresa ativa.
Temos visto nos últimos anos empresas se preocupando em consolidar suas marcas,
com isso começam a desenvolver planos mais intensos de comunicação, mas a
maioria ainda acha que esse aspecto é um desperdício de recursos.
O profissional contratado para mudar o panorama da empresa, ao não encontrar
espaço para desenvolver seu trabalho, acaba sendo demitido ou pede demissão,
seguindo para empresas onde possa ter um futuro melhor.
Qual seria o estilo profissional que os gestores dessas companhias gostariam de
encontrar?
Aquele que desenvolvesse as idéias enraizadas na empresa, pudesse apanhar o
modelo vigente e o tornasse um sucesso.
A probabilidade disso acontecer é pequena, mas pode haver uma acomodação no
mercado que gere essa sensação e o profissional contratado com o tempo vai
conseguindo implantar novas idéias.
Para isso é necessário tempo, fator que nem sempre empresas com situação
financeira delicada podem se permitir.
O paradoxo é que empresas podem encontrar os profissionais necessários para
efetuar as melhorias no processo de gestão, mas nem sempre são os esperados.
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
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