As relações de consumo na era da WEB
Por Sandra Turchi
10/01/2011
A agilidade com que os clientes estão migrando para um relacionamento cada vez
mais online é maior do que a capacidade das empresas se adaptarem a isso.
Pode-se observar, por exemplo, o relacionamento com os bancos, o qual deve
encerrar 2010 com 40% das transações sendo feitas pela internet, 23% por Call
Center e 19% nas agências. Crescem também as conexões feitas via mobile, visto
que mais de três bilhões de compras são feitas via celular no mundo. Para
construir uma estratégia de comunicação eficiente com seus clientes a empresa
obrigatoriamente deverá conhecer melhor os hábitos online dos mesmos, seja para
comunicação, compras ou relacionamento.
(artigo para Revista Cliente S.A.)
Falando em compras é possível analisar dados que vão muito além do que o cliente
comprou, como por exemplo, saber o processo de sua navegação, e o que ele deixou
de adquirir, ou mesmo se tem utilizado sites de compras coletivas. Entender seu
modelo de decisão é fundamental, pois através desse conhecimento suas ações na
web poderão ser mais personalizadas e assertivas.
A prova de que as relações cliente-empresa se transferiram para a web é que o
número de visitas aos sites das companhias cresceu muito, bem como as buscas que
antecedem suas decisões, seja para realizar compras de produtos, viagens ou
fazer um curso. Sabe-se que mais de 85% das pessoas pesquisam antes de tomar
esse tipo de decisão, tornando a pesquisa uma das atividades de maior
importância no mundo online. Além da grande quantidade de mensagens sendo
trocadas via Twitter, tornando ainda mais veloz essa comunicação entre clientes
e companhias.
Conhecendo seus hábitos, saberemos que o uso de ferramentas como o MSN elevam o
tempo de navegação do internauta para aproximadamente 71 horas/mês ou que hoje,
no mundo, há mais de um bilhão de pessoas nas redes sociais e mais de um milhão
entrando na web, pela primeira vez, todos os dias, ou que há mais de 150 milhões
de jogadores de games digitais no mundo. Não é possível ignorar esses números e
esses movimentos quando se elabora uma estratégia de comunicação nos dias
atuais, pois isso seria um grande equívoco.
Essas mudanças implicam também no relacionamento com outro público, o interno da
empresa, os colaboradores, pois é preciso trazer temas que sejam do seu
interesse para que passem a participar mais das discussões. Deve-se utilizar
ferramentas que proporcionem maior interatividade, fazendo com que criem
conteúdos colaborativos, tão comuns na web, mas pouco utilizados nas companhias.
Caso contrário as famosas intranets continuarão com baixíssima visitação, não
atendendo aos objetivos a que se propõem. Deve-se pensar em implantar redes
sociais para publicar assuntos pertinentes ao dia-a-dia do funcionário, criar
algo como um classificado online ou mesmo um programa de caronas, ou torneios
esportivos, para que depois eles criem o hábito de visitação a esse espaço
proporcionado pela empresa e esta possa inserir conteúdos que tenha interesse em
compartilhar com suas equipes.
Estamos vivendo na era do cliente interativo, seja ele interno ou externo à
empresa.
Sandra Turchi é graduada pela FEA-USP, pós-graduada pela FGV-EAESP e MBA pela Business School São Paulo
com especialização pela Toronto University e em empreendedorismo pelo Babson College em Boston.É
superintendente de Marketing da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) instituição que administra o SCPC
(Serviço Central de Proteção ao Crédito). Site: www.sandraturchi.com.br - Twitter: http://twitter.com/SandraTurchi