Não é o bastante dizer que liderança é uma arte.
E uma pesquisa mostrou que gerentes podem ser
melhores líderes se eles literalmente pegarem seu
lápis de artista e sua caneta de poeta, e aprender
como usar suas habilidades criativas que
freqüentemente são esquecidas.
O mundo dos negócios, cheio de problemas complexos
sem respostas fáceis, precisa de uma liderança que
seja criativa e contagiante, capaz de inspirar e
sustentar criatividade por toda a empresa. E é
essencial expandir as competências de um gerente
(constantemente e em todas as áreas da organização)
para um pensamento criativo e inovador.
Uma forma que está sendo utilizada por alguns
gerentes é descobrir a intuição, o sentimento e a
imaginação através de métodos artísticos, como o
desenho, a pintura, a dança, a poesia, a música. Não
é preciso saber desenhar, o importante é imaginar e
criar.
O objetivo desse tipo de atividade é ajudar (os
gerentes e suas equipes) a desenvolver uma maneira
de pensar mais intuitiva, imaginativa e sensitiva.
Com o passar do tempo, acabamos usando mais o lado
racional do cérebro: somos mais analíticos, usamos
mais números, criamos métodos. E o lado emocional
fica em segundo plano, mesmo sendo a peça chave do
nosso desenvolvimento.
É engraçado, e talvez um pouco triste, o que o tempo
faz com a gente: ficamos “quadrados”, pensamos
demais, queremos analisar tudo. Mas se nossa
natureza é sensitiva, porque é que tentamos
gerenciar nossa equipe de maneira racional e fria?
Estava assistindo certa vez um programa que passa
nos Estados Unidos de “reallity show” que se chama
“O Aprendiz” (inclusive há uma versão brasileira
desse programa). Para ser rápido: esse programa
basicamente é uma competição entre profissionais que
querem uma vaga em uma das empresas do empresário
Donald Trump. Esses profissionais são reunidos em
grupos e uma curiosidade dessa edição é que foram
inicialmente recrutados profissionais que são
formados (fizeram faculdade) e profissionais que não
são formados.
Foram feitos dois grupos: os “BookSmarts” (espertos
do livro) e os “StreetSmarts” (espertos da rua). O
esperado era que os profissionais formados ganhassem
nas tarefas dadas, mas o contrário foi acontecendo
semana após semana.
A diferença entre os grupos é muito clara: enquanto
os formados sentam para votar em quem será o líder e
fazer todos os cálculos e análises “necessárias”, os
não formados colocam a mão na massa, de maneira
criativa!
Se os formados não tivessem enterrado sua
criatividade e soubessem imaginar (se fossem
sensitivos), teriam uma imensa vantagem sobre os não
formados. Mas o fato é que isso normalmente não
acontece, infelizmente. E quem tem a atitude correta
vence quem tem a habilidade correta.
A maioria dos profissionais concorda que a
criatividade é a força impulsora para as empresas
não somente criarem novos produtos e serviços, mas
também para resolver problemas e desafios diários.
Muitos ainda acreditam que a criatividade não pode
ser ensinada, mas que deve ser encorajada.
Ser criativo é pensar diferente. É pensar de mais de
uma maneira e olhar com vários outros olhos. E para
isso, é necessário que você esteja disposto a
quebrar velhos hábitos e repassar isso pra equipe de
uma maneira saudável.
E encorajar essa criatividade é na verdade aceitar
também o fato de que, infelizmente, você verá
algumas pessoas pegarem o caminho errado, tentando
se aproveitar da situação. Para evitar isso, você
como gestor deverá se certificar de que a energia
criativa está sendo usada para o benefício da
empresa. Não parece, e não, é fácil: pois você terá
que constantemente direcionar a “liberdade” criativa
dos funcionários para os objetivos estratégicos e
operacionais da organização.
Eu sinceramente acho que todas as pessoas são
criativas, a sua maneira. O que nos diferencia são
as barreiras que temos para essa criatividade. Por
isso, a melhor forma de começar a incentivar a
criatividade (para você e para a sua equipe) é
conhecer as barreiras de cada um e ajudá-los a
arriscar enquanto se divertem. Criatividade e
diversão estão diretamente relacionadas!
Há várias maneiras de encorajar a criatividade no
trabalho. Pense em todas as coisas que estimulam o
lado direito do cérebro, como as já citadas nesse
artigo: faça um concurso de desenho, de música, de
pintura. Peça para que cada funcionário traga o
“seu” brinquedo predileto. E ao invés de fazer a
próxima reunião na sala de sempre, porque não ir a
um museu, a um parque, a uma pizzaria?
Seja criativo! Deixe a imaginação fluir e não tenha
medo de errar, de achar que as pessoas não vão
gostar. Para terminar, lembre-se que parte de ser
criativo em qualquer campo é ter a coragem de
comunicar e vender suas idéias, mesmo quando outras
pessoas a criticarem. É sempre mais fácil dizer
“não” do que “sim”. Nem todas as suas idéias serão
aceitas, mas lutar por elas também faz parte do
processo criativo.
Raúl Candeloro (raul@vendamais.com.br) é palestrante e editor das revistas VendaMais®, Motivação® e Liderança®, além de autor dos livros Venda Mais, Correndo Pro Abraço e Criatividade em Vendas. Formado em Administração de Empresas e mestre em empreendedorismo pelo Babson College, é responsável pelo portal www.vendamais.com.br.

